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Futebol com Números

Realmente não dá para competir!

Pois é amigos, eu vivo dizendo por aqui que não há como os clubes brasileiros competirem com os clubes europeus.  Ainda tem gente que acha que eu estou errado…

Bom, esta semana eu me deparei com os custos salariais dos clubes da Liga Inglesa da temporada que acabou um pouco antes da Copa do Mundo. O patamar de custos salariais de um clube inglês é basicamente fora de escala em comparação com os clubes brasileiros.

Observem na tabela abaixo os custos salariais dos clubes ingleses em R$ milhões, convertidos de Euros a uma taxa de 2,35:

 Incrível, não?

 Uma das curiosidades dessa lista é que os três clubes que mais gastaram foram os clubes de melhor colocação no campeonato inglês. 

Já cansamos de dizer por aqui, nem sempre gastar mais é sinônimo de sucesso. Porém geralmente os melhores jogadores acabam tendo os maiores salários e, portanto, os clubes com os melhores elencos acabam gastando mais. E geralmente os melhores elencos ganham os campeonatos. 

Na comparação com o Palmeiras, a coisa fica realmente feia.  Em 2009 fizemos aquele festival de contratações erradas e que custaram muito dinheiro.  Quando olhamos no balanço do Palmeiras e somamos os custos de salários com os custos de Direitos de Imagem, chegamos ao total de quase R$ 74 milhões! 

Ou seja, dos 20 clubes da primeira divisão inglesa, apenas dois gastam menos em pessoal do que o Palmeiras, um gasta a mesma coisa e ou outros 17 gastam mais!

Como o Palmeiras teve oficialmente um total de receitas de R$ 123 milhões, chegamos à conclusão que onze clubes ingleses gastam mais em salários do que toda a receita que o Palmeiras consegue gerar! Não dá para competir, dá?

Pelas minhas estimativas, não seria loucura para um futuro próximo projetar uma receita de R$ 300 milhões para o Palmeiras.  Acontece que desse valor poderíamos gastar até uns 55% em salários de jogadores, ou seja, uns R$ 165 milhões.   Ainda assim vamos ficar muito longe do patamar de despesas atual!

É, haja criatividade para se competir com clubes com poder econômico muito maior do que o nosso…

Saudações Alvi-Verdes

* Luís Fernando Tredinnick escreve às sextas-feiras no 3VV explicando a quem conhece, e a quem não conhece, os números do futebol

 

7 respostas em “Realmente não dá para competir!”

Leandro,

muito bem colocado. E isso tudo se reflete na Copa do mundo.

O Brasil jogou como time europeu. Um time de jogadores experientes, quase todos de fora.

A Inglaterra com uma campanha pífia.

A Alemanha surpreendendo, com um time criativo e muito competitivo.

Os números não contam a história completa. São interessantes, mas…
Os clubes ingleses são financiados por bilionários russos e árabes. Basicamente, eles usam os clubes para se estabelecer na Inglaterra (e entenda a expressão “se estabelecer” como quiser, de preferência em um sentido bastante amplo). Eles colocam uma fortuna nos clubes, pagam milhões por contratações de impacto e os salários vão às alturas. O problema é que esse modelo está ruindo. Recentemente, um estudo revelou que o campeonato inglês está à beira da falência. O Liverpool e o Arsenal estão com sérios problemas de caixa.
Durante a Copa, os jornais ingleses publicaram várias matérias sobre os problemas do campeonato local e dos clubes. Eles estão se mirando, atualmente, na Alemanha. Afinal, o país não paga salários milionários e seus clubes estão sempre entre os mais competitivos do mundo.
Se o Brasil (e o Palmeiras) querem buscar um exemplo, ele está na Alemanha, não na Inglaterra.
Afinal, ora bolas, no ano passado os clubes inglesses tiveram sua pior temporada européia em décadas. Foram todos eliminados da Champions. O único clube que fez bonito foi o Fulham, que chegou à final da Liga Europa.

Realmente,não dá pra competir.Só que precisamos analisar,o que será o certo?

A Europa tem gastos fora da realidade ou nós é que não aproveitamos o potencial financeiro que temos?

Acho que temos que encontrar um meio termo.

Você tem razão Luís, não dá pra comparar os salários no Brasil com a Europa (especialmente Inglaterra e Espanha), mas hoje o “gap” é menor que cinco anos atrás e a tendência é que diminua mais ainda.

Como dito, não há compraração, apesar de que o mercado está MUITO inflacionado, principalmente na Inglaterra, mas, a questão não é perder jogadores para os grandes centro europeus, desde sempre existiu o exodo, o problema é perder jogador pra mercados periféricos, como Ásia, Leste Europeu, e outros times menores…

E para diminuir isso, não basta receita, já que dinehiro não falta “para aqueles lado”, precisaria de uma mudança “cultural” dos jogadores ( e feita em partes pelos clubes), de maneira mais chula, enfiar um pouco de inteligência na cabeça de uma “raça” que não custuma se destacar por ser brilhante, mostrar que mais dinheiro a curto prazo pode ser menos do que a longo prazo, além de limitar o dsenvolvimento da carreira do atleta…

Os melhores iriam continuar saindo, mas de forma mais tardia, aguardando propostas melhores (grandes times europeus), daria pra segurar atleta por mais 1,2 temporadas além do “normal”…

Em tempo: Só por curiosidade, os 3 que gastaram mais foram os 3 primeiros, mas os 3 que gastaram menos não foram os rebaixados…

Luís,
Os gastos dos ingleses são com salários só dos atletas profissionais ou incluem outros funcionários e jogadores que recebem ajuda de custo?

Se conseguirmos gastar o mesmo que o Tottenham, já estará muito bom, pois as estrelas sempre irão se transferir para os times europeus milionários, mas as revelações e jogadores médios ficarão por aqui.

Luis Fernando, seu post é de uma clareza impar. E se é claro que não dá para competir com os ingleses, também é fato que a solução local de um time é multiplicar receitas, e não ficar economizando.

Há alguns dias o PVC publicou uma frase que eu considero lapidar, referindo-se ao êxodo de jogadores: ‘O Brasil ainda é o berço dos craques, mas não é mais o celeiro’. Ele dizia que o êxodo começa muito cedo e os bons brasileiros se formam como profissionais na Europa, em hábitos e em estilo.

Por outro lado, muitos são os bons jogadores que nao se adaptam fora e gostariam de estar aqui, fossem melhores os salarios locais.

Então eu acho que, como objetivo, o Palmeiras deveria planejar os próximos 10 anos pensando em manter seus melhores jogadores por um periodo de 3 anos antes de cedê-los aos europeus. Se tivessemos uma revelação de valor, fazer com que amadurecesse aqui no Brasil antes de ser jogado aos leões na Europa. Para isso, precisamos de uma estratégia que aumente nossas receitas e, por outro lado, alguma bonificação para os que ficam por um periodo maior no time. claro que isso só funciona se contratações e promoções são feitas com criterio. Mas eu acho que essa é a unica maneira de o Brasil voltar a ser o celeiro de craques.

O problema não é perdermos jogadores para a Europa, mas sim perder promessas para a Europa apenas por causa do baixo custo de nossos atletas. Zico e Socrates foram para a Italia aos 30 anos, e chegaram lá para resolver (Socrates era gambá, logo não conseguiu resolver no exterior…hehe). Agora, quando temos um monte de jogadores com 22 anos apenas para compor elenco lá, é sinal que vamos de mal a pior aqui.

Palmeiras: busque mais receitas e veja como premiar àqueles que fazem historia no Palestra Italia!

Abraços,

Marcos

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