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Topo o Mendonça

POR JOTA CHRISTIANINI

Vendo essa
interminável discussão sobre as sedes para a Copa percebo a falta do grande
interlocutor, alguém que defina as coisas e que por natureza responda, sem
tergiversar e de forma definitiva, qualquer pergunta.

Lembro de um
cartola assim. João Mendonça Falcão; era o inexpressivo que eternizou-se
no cargo.

Cometia gafes,
mas era espontâneo. Virou personagem do Sergio de Andrade na famosa coluna Ora
Bolas! da Última Hora. Todo dia tinha uma do Mendonça. Começava assim: – Topo o
Mendonça; em seguida uma das inúmeras proezas do cartola.

Quem era o
João Mendonça Falcão?

Anos 50,
brigavam os cartolas; como não chegassem a acordo sobre quem dirigira a
Federação Paulista de Futebol resolveram escolher um cartola inexpressivo que
ficaria um ano a frente da entidade, tempo suficiente para escolherem um
presidente de verdade. Escolheram Mendonça Falcão. Erraram feio; o
folclórico presidente não só eternizou-se na federação como elegeu-se deputado
inúmeras vezes coincidentemente com votos em cidades cujos times logo
a seguir subiam para a primeira divisão.

Imagino, na
reunião do comitê de organização da próxima copa do mundo, o diálogo do
Mendonça Falcão que falava o idioma conhecido nos bairros antigos de Sampa, que
tratava todo mundo por Meu Anjo, com  o Blatter que imagina falar
português. Pelo menos tenta.

– Mr. Falcáó
– Meu anjo! Aqui é Brasil meu anjo, não tem esse leguelé que sinhô tá
pensando. Nóis aqui sabe fazê as coisas, deixa com a gente!
– Mr. Falcáó
– e para de me chamar de Minister que não fumo essa marca. Olha aqui se você
quer fazer essa porra de copa aqui vou avisando. Se quisé eu mando
receber bem essa cambada, hotel cheio de mulher, bebida de graça e para
agradar a imprensa eu mando fazer esse troço de twitter, internet, telefone, TV,
o melhor que puder. Se não tem aqui pronto e do bom,  eu compro dos
americanos, e trato bem essa turma. Eles é que vão falar bem de nóis lá fora;
fora que arranjo um acordo com uma churrascaria rodízio aqui na Brigadeiro
Luis Antonio. Essa turma vai comer até dizer chega!

Agora doutor
Brati… meu anjo!!!!  negócio de jogo de bola, isso eu entendo. Dá
uns tapas nos estádio que é só para 3 ou 4 joguinhos em cada um e tudo bem.

– Mas Mr.
Falcáó

– Já encheu o
saco esse velhote me atrapalhar quando eu to falando…. Faz assim: manda
os  ‘italiano’ para o campo do Parmera que eles se entendem;
espanholada para a Bahia, e “os  portuguêis” lá para o campo do
Vasco. A  “Alemãonzada” a gente manda para o sul e o Brasil joga um jogo
lá no Rio e outro aqui, que não vou dar  essa colher para o Ricardo
Teixeira.

– E
auanto a Argentina, Mr. Falcáó?

– Manda para
Cuibá, antecipa os jogos para fevereiro  e  joga  ao meio dia.

– Mr. Falcáó e
a infra-éxschtrutura dos extádios?

– Isso não tem!
Aliás nem sei se vende; mas eu mando por uns 4 ou 5  chuveiros a mais
no Pacaembu, no Parque Antártica e para “os time” treinar eu mando cortar a grama
da Javari e de Comendador Souza, por conta da federação. Isso aqui, que é onde
eu mando. Nas “outras  federação” que cada cartola cuide da sua.

E ja vou
avisando: se dos 23 do Brasil não tiver 12 de times paulistas não vai ninguém.

– Mas Mr.
Falcáó e os aereoportos; estão superlotados.

– Vem de
navio, porra! Eu alugo “uns ônibus” da Cometa e traz a turma toda no mesmo dia.
Não se preocupa Douto Brati! até os belgicanos já vieram jogar aqui, e saiu
tudo bem.

***

Créditos: entre João Havelange e José Ermírio de Moraes (crédito Sergio Barbalho);
na foto abaixo com Pelé (crédito Milton Neves).

 

 

7 respostas em “Topo o Mendonça”

J,
Você contou um caso provável.
O Causo de verdade está no comentário 5
Tanto um como outro, formidáveis.
Contemporâneo famoso foi o Athiê Jorge cury, eterno presidente do Peixe que, durante uma excursão à Rússia, ficou um dia inteiro desaparecido em Moscou e, ao voltar para o hotel no final do dia, sem saber da preocupação do Dr. Julio Mazzei, que já havia acionado embaixada e policia, foi logo esclarecendo:
“Fui fazer um passeio turístico e me perdi no Túmulo do Kremelim”.
(isto é verdade).

1963, Mendonça Falcão chefia delegação brasileira na Europa.. Amistoso contra Itália e exigem que Pele, todo quebrado, jogue. Ele entra 10 minutos e sai. A noite no banquete avisam Mendonça que vão pagar metade da quota pelo pouco tempo que Pelé jogou.
Sua intervenção ” serena e diplomática” entra para a história.
— Olha aqui! ou paga tudo o combinado, e agora, ou não começa essa merda de banquete……….JOTA .

SENSACIONAL JOTA!!! ESSAS FIGURAS MARCARAM EPOCA…. E VOU TE DIZER QUE AQUI NO INTERIOR AINDA TEM OS MENDONÇA FALCÃO DA VIDA!!! E COMO TEM!!!!!!

Excelente.

Lembro-me do Mendonça Falcão colocando a cariocada a correr.
Eles entravam nas reuniões tremendo de medo e cediam em tudo o que o Mendonça queria.
Era realmente hilário!!!

Muito bom, Jota, como sempre! O que falta é um pouco mais de simplicidade, é tratar um pouco mais o futebol como esporte do povo do que como negócio dos burocratas!!! Abraço!

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