Categorias
Futebol com Números

É, a bola não entra por acaso!

 Aqueles mais atentos perceberam que o título desse post é (quase) o mesmo do livro escrito pelo ex-vice-presidente do Barcelona Ferran Soriano.  No livro ele mostra como um trabalho sério e de planejamento, incluindo a escolha do tipo de técnico que a equipe deveria ter, leva fatalmente aos títulos.

Hoje o post é para homenagear o Internacional que em pouco tempo se tornou o clube melhor administrado do país, como eu já cansei de dizer por aqui.

Vale lembrar que naquele ano negro em que o Palmeiras foi rebaixado, o Inter também brigou para não ser rebaixado, enquanto nós fizemos 27 pontos o Inter fez 29.  E olha que o Inter desde 1979 só tinha conseguido como títulos relevantes a Copa do Brasil de 1992 e a Mercosul de 1996 (isto é, considerando-se que a Mercosul é um torneio relevante), ou seja em 23 anos, apenas dois títulos relevantes – alguma lembrança dos nossos tempos de fila?.  Para piorar a situação em 2002, a dívida do Inter era muito maior do que a nossa.

Aí, o clube acabou se modernizando. Implantou uma administração profissional, desenvolveu o melhor programa de sócio-torcedor do país, possui hoje a melhor categoria de base do país (não é o melhor critério, mas é o líder em receita com a venda de jogadores), é o único clube com ISSO 9000, possui o melhor programa de licenciamento da sua marca do país, etc, etc.

Como resultado de todas essas mudanças um clube que possui cotas de TV menores em relação aos demais clubes grandes do país, que possui um alcance apenas regional (basta lembrar que seus patrocinadores são ainda hoje empresas do sul do país – e uma é estatal!!!- que aparentemente paga R$ 9 milhões por ano a partir de 2011 algo muito menor do que os R$ 15 milhões que a Samsung pagava para nós e considerávamos esse valor baixo!!!) e com uma torcida pequena, conseguiu ser consistentemente um clube com uma das maiores receitas do país. 

Essa receita permitiu ao clube montar bons times. As colocações no campeonato brasileiro melhoraram consideravelmente. Em 2003 o clube foi o 6º, em 2004 8º, em 2005 vice (roubado, lembram?), em 2006 vice novamente, em 2007 11º, em 2008 6º e em 2009 novamente vice. Sem contar a Libertadores em 2006, o Mundial, a SulAmericana em 2008 e novamente a Libertadores em 2010 (e outros menores, como a Recopa em 2007).

Se vocês lembram corretamente, o Inter tinha bons times em 2007 e 2008 e suas colocações no Brasileirão não refletem o que se esperava do time.  Em 2007 o time foi todo refeito e ,inclusive, o Inter foi o primeiro time campeão da Libertadores a ser eliminado na primeira fase do torneio seguinte.

Olhando o time campeão, ainda que não exista nenhum grande destaque individual, temos uma interessante mistura de jogadores que fazem a base do time há algum tempo, pratas-da-casa e velhos ídolos repatriados. 

Altas receitas para manter um time competitivo fatalmente irão levar a qualquer clube aos títulos.  Olhando em perspectiva tudo o que aconteceu com o clube de 2003 para cá, acho que podemos dizer que existem milhares de razões para o Inter ter sido bi-campeão da Libertadores, mas certamente nenhuma dessas razões é o acaso.

E NÓS?

Será assim tão difícil o Palmeiras aprender com o Inter?

Considerando-se que temos cotas de TV maiores, valores de patrocínios maiores já que somos um clube com alcance nacional e temos uma torcida muito maior, deveríamos ter sempre uma receita maior e, conseqüentemente, times mais competitivos.

Obviamente, se os times forem mais competitivos, teríamos mais títulos.

Então, até quando teremos que esperar por mudanças drásticas no nosso clube para que caminhemos para uma administração profissional que nos leve novamente aos títulos?

Até quando?

 Saudações Alvi-Verdes

* Luís Fernando Tredinnick escreve às sextas-feiras no 3VV explicando a quem conhece, e a quem não conhece, os números do futebol

10 respostas em “É, a bola não entra por acaso!”

Tredinnick, enquanto o ego e as coisas pequenas prevalecerem na mente de nossos conselheiros e dirigentes, jamais teremos sucesso como o do Inter nestes anos. Ainda tenho fé de que nossa grandeza supere estes infelizes que insistem em nos apequenar.

Tenho certeza que a questão fundamental é a UNIÃO de forças politicas no COLORADO, enqto no Palmeiras não existe UNIÃO alguma.. a situação é dividida em varios grupos, e a oposição só é unida para atacar a situação.. No Palmeiras existem conselheiros que creio eu, nem palmeirenses são… a solução é tornar o futebol do clube uma S.A., ( não sei como fazer isso juridicamente)… o torcedor e o investidor ter participação nas decisões do futebol… enqto, ficarmos a mercê de 300 conselheiros, teremos um futuro imprevisível…

“Até quando esperar
A plebe ajoelhar
Até quando esperar
A plebe ajoelhar
Esperando a ajuda do divino Deus”

Não podemos fazer como na música do Plebe Rude…mãos (e mentes) a obra já !

grande abrax do Signorini

Para não falar da política interna, conselheiros, etc….

Com os cabeças duras que temos no Palmeiras, vai ser difícil modernizar alguma coisa. Lançaram um programa de sócio torcedor com vários pontos falhos, e não têm sequer a humildade de reconhecer que o programa precisa ser melhorado.

Assim fica impossível.

Danilo, assino embaixo.
Tenho só uma dúvida, será que os homens da situação pensam assim. Me parece que a estrutura atual atende aos anseios políticos de todos que estão lá, situação e oposição.

Luis Fernando, excelente análise.

nao precisamos falar mais nada..

alias no Mondo palmeiras eu li q em 99 nos livramos o inter de cair pra segundona do BR..

ou seja o time estava no limbo a 10 anos atras..

depois quase foi pra segunda denovo..

tem q comecar a LIMPAR O CONSELHO VITALICIO… FORA TODOS..

e por ai q comeca a mudança.

Abs

Com a palavra o presidente Belluzzo.
Será dificil repetir um modelo que dá tão certo em um clube que, com todo respeito ao Inter,tem tudo para ser muito maior .E como disse o Felipão à Gabi,é um dos maiores do mundo.

Será que a política,as vaidades pessoais e outras coisas que se bem investigada poderiam virar caso de polícia,vão eternamente impedir que esse gigante acorde?

Se isso acontecer o destino do clube é se apequenar.Grande história,mas no futuro,torcida pequena.

Luis Fernando, excelente análise.

Quanto a sua pergunta: teremos que esperar por mudanças drásticas até o dia em que algum iluminado se propuser a encarar os velhos feudos do Palestra e oxigenar o estatuto, permitindo a profissionalização das áreas vitais do clube.

Por isso é tão importante insistir que os torcedores se associem ao clube, só assim poderão votar e fazer parte dessas mudanças.

Os comentários estão desativados.