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Chico, o Palestrino Anysio

POR JOTA CHRISTIANINI

Chico Anysio está no hospital. Submeteu-se a uma cirurgia e  quando se pensava que teria alta, tem mais problemas. Todos torcemos pela recuperação e volta ao cenário artístico.

Chico já foi personagem de nossos causos, mas pelo inegável talento – dos humoristas brasileiros, o melhor disparado – merece repeteco. Mais curiosidades da vida deste cearense de Maranguape, palestrino por devoção e vontade.

Há algum tempo foi ao programa do Jô e perguntado sobre o time de preferência historiou seus pequenos amores por  times cariocas – transitou por quase todos – mas fez a ressalva do grande amor;  Palmeiras! Aliás, disse ser palestrino.

Lembrou da célebre excursão que seu pai patrocinou em 1938 levando o Palestra jogar no Ceará, viajando uma semana de navio.

Nessa excursão, após vitórias fáceis do Palestra, o pai de Chico resolveu inovar para promover o jogo final da viagem, invertendo os goleiros. Jurandir atuou pelo time do Ceará, que mandou seu goleiro defender a meta Palestrina. Aos 35 do segundo tempo, com o jogo ainda 0x0, tal o bombardeio dos Paulistas, Jurandir foi substituído por exaustão.

Nos minutos finais o Palestra ganhou o jogo, marcando 2 gols.

Há várias histórias envolvendo Chico e seu amor palmeirense. Lembro das mais instigantes.

Anos cinquenta, a Rádio Nacional de S. Paulo – atual Rádio Globo – era uma das líderes do segmento popular. Programas de auditório e humorísticos eram o forte da emissora.

Naquele sábado a alegria de todos foi substituída pela tristeza com a notícia da morte de um operador de som da emissora. Sujeito muito querido de todos, os radialistas reuniram-se e foram para o velório.

A rádio cedeu dois veículos e lá foram: Moacir Franco, Chico Anysio, Manoel de Nóbrega, Jorge de Souza, Gilberto Garcia, Rogério Cardoso e tantos outros.

Chegaram, um pouco adiante da Freguesia do Ó e na casa humilde velavam o corpo do amigo, ao lado dos vizinhos e familiares

Chico, sentado ao lado de Moacir Franco, estranhava que um dos presentes ia ao quarto e voltava cochichando alguma coisa para a viúva.

A cena repetia-se e os radialistas imaginaram que algum problema ocorria.

Talvez uma necessidade financeira para o enterro.

Ninguém imaginava o que poderia ser.

Chico deu a ideia: “sento ao lado da viúva e tento escutar “

Dito e feito.

Sentou-se ao lado da  viúva e não demorou para que o parente que ia e vinha voltasse e falando baixo avisasse.

– Pepe empatou, mas o Chinesinho desempatou e o jogo acabou.

 

10 respostas em “Chico, o Palestrino Anysio”

Maravilha Jota, um causo na medida certa, protagonizada pelo Chico e escrita por você.
Parabéns.
Mi

Muito bom!
Me fez relembrar os anos 80 quando moleque vi várias fotos do Chico com a camisa do Palmeiras na Placar. Eita tempo bão!!!
Parabéns pela homenagem que poderia ser feita também pelo clube de quem ele sempre ostentou suas cores.

Sensacional, que o verdão se classifique e dedique esta vitoria a este grande mestre

O Palmeiras atrai os gênios.É o Nicolelis,Roberto Carlos,Chico Anysio.

Um gênio desses “encostado”, e nós aguentando Zorra Total. É mole?

É mais um grande palestrino. Que Deus o ajude em sua recuperação.

Sensacional Jota!

mais uma vez, show de bola!

suas narrativas são espetaculares… parabéns!!!

verdaços.

Mais um Causo com padrão de qualidade JOTA!

Que Deus de forças pro Velho Chico sair dessa!

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