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Jogo rápido, papo sobre a Arena

Alguns me perguntam qual minha opinião sobre dois fatos publicados entre a quinta e sexta-feira passada: o anúncio do estádio do Corinthians como potencial sede paulista para a Copa e as exigências do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CADES) para a Arena Palestra.

Por partes:

CADES: conversei com algumas pessoas neste fim de semana para entender o que está havendo. O CADES fez exigências consideradas absurdas por quem leu o documento. Foram 25 exigências. Uma delas reproduzo aqui:

20. Deverá ser indicado o número previsto para a realização de shows de
música e demais eventos/ ano, com as respectivas previsões de lotação
média e máxima de freqüentadores e períodos para a realização de tais
eventos. Deverá ser indicada a previsão do máximo horário noturno para
encerramento de tais eventos.

Dá prá estimar isso? Claro que sim. Mas requer tempo. Ao mesmo tempo a exatidão beira o ridículo. Como é possível saber os períodos dos eventos que nem foram contratados e dependerão de agenda de jogos? Como definir o máximo horário noturno para eventos que ocorrerão nos próximos 30 anos?

Como essa, existem outras tantas. Vão tomar tempo para serem respondidas. Enquanto isso não sairá alvará. Enquanto não sair alvará não começam as obras. Quanto tempo? Provavelmente dois meses, desde a resposta formal às 25 exigências, até a avaliação do próprio CADES e depois o envio à Prefeitura para a emissão formal do Alvará.

Alguns atribuem essa situação à inabilidade política da diretoria palmeirense na reta final para lidar com essas questões (todas previsíveis). Outros consideram que o CADES está respondendo a uma solicitação do Ministério Público e não pode fingir que não viu. Outros ainda acham que precipitou-se a publicação de algumas notícias (como por exemplo a história que Kassab teria dado como certa a emissão do tal alvará). Talvez todos tenham alguma dose de razão. O que parece ser um cenário mais provável é que após a formalização do novo estádio de Itaquera a ser pago com dinheiro sabe-se lá de onde, as coisas serão mais fáceis para o Palmeiras.

Ou seja, falhamos na articulação política. Mas no limite não isso deve abortar a Arena. Mas seguramente vai atrasar mais ainda.

ITAQUERÃO: Deve haver uma relação indireta nesse negócio. Há interesses cruzados nessa história. Enquanto o SPFC tomou um tombo por conta de sua incompetência em arrumar recursos privados para a reforma do Morumbi, o Palmeiras parece tomar um “tombo temporário” para evitar que seja considerado alternativa real para ser Sede da Copa do Mundo. Politicamente (e mesmo financeiramente) pode-se imaginar quanto há em jogo em ter uma abertura da Copa na cidade além de um estádio novo para o Corinthians. Sem falar no orçamento alocado aí. Logo acredita-se que tão logo o estádio seja formalizado na FIFA – quanto tempo? dois meses? coincidência com o prazo estimado para o Alvará ? – as obras começarão em toque de caixa.

Se sair esse estádio qual o impacto para a Arena Palestra? Pouco. Tirando o fato que vai atrasar (e isso é ruim) um estádio em Itaquera não deverá concorrer tão fortemente com a Arena nos shows e eventos. A Arena Palestra é um equipamento multiuso e por isso mais adaptável para shows (falo isso sem conhecer o projeto de Itaquera, apenas no chutômetro). Além disso a localização da Arena é comparável apenas ao Pacaembu.

Portanto em termos de geração de receitas, me parece que a concorrência não será tão perversa.

LOGO: eu ficaria frustrado mas não completamente desesperado com a situação toda. A WTorre não sairá do projeto, nem por isso, nem pela questão política (quanto mais passa o tempo mais a oposição fisiológica contesta a parceria). O projeto tenderá a ser aprovado nas esferas políticas, após a aprovação do estádio em Itaquera. Políticos e cartolas de plantão articulam bem. A imprensa finge que não vê. É a vida…

Agora ajudaria se o Palmeiras usasse os contatos que tem. No mínimo para não ser passado prá trás. E ajudaria mais ainda se tivéssemos boas relações com a CBF. Sabe como é, há sempre o risco daquela máxima “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Parece ser esse o caso.

É isso aí! Saudações Alviverdes!

8 respostas em “Jogo rápido, papo sobre a Arena”

Vicente, valeu por ter escrito sobre o assunto, que a galera tava pedindo.

Só corrigindo uma frase do meu comentário, no primeiro parágrafo:
Parece muito óbvio que esse tipo de coisa esteja vinculada a interesses de terceiros.

Boa noite Vicente, tudo bem? Desde que começou a acontecer na imprensa essa novela sobre a abertura da Copa em São Paulo, eu tinha uma suspeita. Pra mim era tudo jogo de cana. Não era possível, apesar da tremenda desorganização que reina neste país, não era possível que a cidade mais importante do país ficasse sem a abertura, e, a menos de 4 anos do evento, não se soubesse em qual estádio seria realizada. Nunca acreditei nisso, e, me parece proposital toda essa polêmica em torno do assunto, justamente para se parecer que estaria havendo uma discussão séria e mais profunda para a escolha do local. Mas sempre esteve definido. Agora as peças se encaixaram. Por isso o Arena Palestra ainda não foi liberado para construção. Seria ilógico fazer a abertura em qualquer outro estádio com o Arena disponível e, com ajuste possível de ser feito, pronta para receber o jogo inaugural. Que se retarde a liberação para o Palestra enquanto todos os pontos necessários para a construção do estádio já escolhido se acertem e se possa fazer o anúncio. Quem foi o chefe da delegação do Brasil na Copa. O tal chefe ficou na Africa do Sul jogando gamão as noites com o outro chefe? Quem esse chefe apoiou na eleição do clube dos 13? Quem Beluzzo apoiou? Para qual time o ‘presidente’desse país torce? Se manifestando tantas inoportunas vezes nesse sentido? Dizendo as bobagens de sempre? Como é possível um estádio que nem existe, feito em terreno da prefeitura (que, li, vale R$ 200.000.000,00), cujo dono tem dívidas com a prefeitura que serão perdoadas para que possa tirar sua certidão negativa e obter empréstimo bancário (me parece que BNDS). Isso não é utilizar dinheiro público? Por que não diminuem meu IPTU com a venda desse terreno? Como esse estádio tera as aprovações para obtenção de alvará tão rapidamente? Quanta sujeira.

Muito bom o texto Vicente!

Ricardo, vou editar o post que o Weliton fez no La Nostra Casa colocando o link do 3VV! 😉

abs

Vendo de longe como um cidadão comum, o que me veio à cabeça é: essas exigências do CADES não podem ser consideradas absurdas, abusivas, ou algo assim pela WTorre, ou pelo Palmeiras? Ninguém contesta isso, se é que é possível? Porque tem coisas aí muito absurdas, tipo qual vai ser o fluxo de caminhões que vai carregar o entulho da obra, estimar o impacto do barulho de vuvuzelas. Parece muito óbvio que esse tipo de coisa não esteja vinculada a interesses de terceiros.

Aí surge do nada um comunicado da CBF dizendo que o estádio da abertura vai ser do curintinha. Nessa do estádio gambá com certeza tem um dedo do Lula. Quero ver os gastos com infraestrutura, porque com todo o respeito, Itaquera tem o que além do metrô? O discurso por enquanto é o mesmo do início da candidatura do Morumbi, de que não será usado dinheiro público para nada. Eu duvido.

Acho que concorrência com a Arena Palestra não vai haver. Mas não duvido que a construção do Itaquerão termine antes da reforma do Palestra Italia. Porque para o Palmeiras sempre vai faltar um alvará. Sei lá de quem é a culpa por isso, provavelmente é da WTorre, que como construtora de grande porte (imagina-se) deveria saber de todos os procedimentos burocráticos antes de mandar fechar o Palestra Italia. Lógico que o Beluzzo, com toda a influência que tem deveria ter se articulado melhor nos bastidores, mas a obrigação de conseguir a “papelada” é toda da WTorre.

Só uma coisa me enoja mas nessa vida além da política no Brasil, vide escolha pra sede da Copa um estádio que nem sequer saiu do papel, é a incompetência e falta de habilidade da política palmeirense, os gambás conseguirão todas as liberações em meses, o que não conseguimos em anos, uma vergonha ser palmeirense, diretoria vergonhosa, covarde, sem poder e sem moral no âmbito público.

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