OPINIÃO DO CRISCIO: dívida e jogo de xadrez

Em paralelo o Brasileirão já foi. Esquece, perdemos. Se possível brigaremos pela Libertadores. E olhe lá!

Mas não perdemos na última derrota ou na sequência de empates do retorno de Felipão. Perdemos esse título antes, quando decidiu-se manter a filosofia da gestão do futebol lá atrás, em 2009.

Sabíamos que não tínhamos um elenco forte no final do ano passado. Mas negaram três vezes esse fato. E em 2010 esse elenco mudou quase inteiramente – entre os titulares de 2009 temos apenas Marcos, Danilo e M. Ramos no time, e Pierre, mal, na reserva. Ah sim, parece que mantemos Lenny, ou não. Não importa, não faz diferença. O fato é que com o time sendo montado durante o ano não tem como ser campeão em pontos corridos. A esperança é a Sul-Americana. Vamos torcer.

Nesse ínterim que escrevo recebo uma dica: leia a coluna de Paulo Vinícius Coelho na Folha de hoje. Alguns fatos, relendo e pensando em retrospectiva, nos dá medo quanto ao futuro. Apesar de não haver qualquer novidade.

PVC começa falando sobre o porque de estarmos no atual momento: diz ele.

O elenco frágil, a diretoria cansada, a oposição burra. O clube abriu mão de 18 jogadores que começaram o ano no Parque Antarctica. Há casos como Diego Souza e Cleiton Xavier, que rechearam os cofres, outros como Paulo Henrique, Bruno Paulo e Ivo, que chegaram em abril e não emplacaram agosto. Seria motivo justo para cravar um candidato da oposição em janeiro, se os opositores fossem um pouco mais nobres.”

Vocês lembram no início do ano quando a atual diretoria de futebol afirmava que o Palmeiras tinha um bom elenco e precisava de contratações cirúrgicas? Então gostaria que os amigos do 3VV explicassem para este pobre torcedor como se faz contratações cirúrgicas desmontando 18 jogadores? Estavam errados antes? Mas quem trouxe esses 18 jogadores que saíram? Erraram agora? Continuam errando?

Vamos em frente. PVC aponta outra questão: a dívida renegociada. Boa tacada de Belluzzo e sua diretoria financeira. Dívida que foi herdada em parte quando a oposição mandava. Mesma oposição que se recusou a aceitar a reestruturação. Mas – tem que ser dito – outra parte desta dívida foi gerada pela própria gestão Belluzzo, por conta de sua diretoria de futebol, com rescisões milionárias de treinadores e uma falta de critério assustadora para se contratar. Outro trecho da coluna de PVC:

“Uma boa decisão de Luiz Gonzaga Belluzzo na presidência foi renegociar a dívida bancária de R$ 53 milhões, ainda que um dos pais desse débito seja seu vice-presidente Gilberto Cipullo. Belluzzo financiou esse valor em cinco anos e, com isso, trocou parcelas mensais de R$ 2,6 milhão, entre juros e amortizações, por R$ 1,2 milhão. O saldo positivo de R$ 1,4 milhão oferece fôlego, mas a oposição enviou carta ao BMG, que financia a dívida, afirmando que não honrará o compromisso se vencer as eleições.”

Como diria um ilustre palestrino: MEU DEUS! Impressionante como a oposição palmeirense consegue ser auto-destrutiva.

Mas igualmente fico impressionado como a “situação” demorou a perceber a perversidade desse modelo de gestão do futebol. Se é que percebeu…

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E o futuro? Dependerá das eleições. Como vimos acima, não há perspectiva com a oposição. Se sua proposta for “dar um calote na dívida reestruturada” e “rever a Arena” então fiquem em casa. Não têm nada a agregar ao Palmeiras. O nome da vez nas alamedas é de “Pituca” (Tironinho), filho do ex-cacique palmeirense Arnaldo Tirone. Pituca é candidato de Mustafá desde que Belluzzo venceu as eleições em janeiro de 2009.

E na situação? O Vice-Presidente Salvador Hugo Palaia informa prá quem quiser ouvir que só não sairá candidato a Presidente se Belluzzo decidir a reeleição. Belluzzo afirma que não quer. Mas até pode mudar de ideia e sair candidato buscando “unir” a situação, um tanto dividida nessa altura do campeonato com tantas lambanças no futebol.

Ao mesmo tempo – dizem – Della Monica está se articulando com Mustafá Contursi. Se saírem juntos – incluindo Frizzo nesse grupo – podem ganhar. Lembrando que Belluzzo obteve pouco mais de 20 votos para vencer a eleição sobre Frizzo. Vindo de um ano com título Paulista, classificação prá Libertadores, partidários mobilizados.

Mas calma! Apesar de estarmos em agosto, no Palmeiras a campanha para Presidência é lançada entre o Natal e o Reveillon. Quem põe a cara prá bater antes disso apanha. Quem é lançado antes, é o chamado “boi de piranha”.

Mas pegando a sutileza proposital (ou não) de PVC (num trecho disse “Seria motivo justo para cravar um candidato da oposição em janeiro, se os opositores fossem um pouco mais nobres.“): e Paulo Nobre? Aguarda para ver como as peças no tabuleiro se posicionam. Mas nas listas da internet, nas casas palestrinas, nos bares verde-branco, o que se pergunta é o seguinte: não está na hora de uma terceira via?

Saudações Alviverdes!