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OPINIÃO DO CRISCIO: feliz dia dos pais

POR VICENTE CRISCIO

A gente vai ficando velho e fica mais bôbo. Acho que isso explica algumas reações mais emotivas.

Por exemplo, algum tempo atrás o dia dos pais era algo para mim comercial, ou no limite, uma data como outras destas do calendário – dia das mães, dia dos namorados, essas coisas. Mas estranhamente, de uns tempos prá cá tendo a ficar mais “sensibilizado” (ok ok, sem piadinhas) com a data.

Digo isto porque ontem, ouvindo a Rádio Bandeirantes, peguei boa parte da entrevista que o Presidente Belluzzo deu à emissora. Como sempre Belluzzo muito articulado, deu um banho nos jornalistas falando sobre Ronaldinho (categoricamente: não vem!), e até sobre BNDES, economia brasileira, essas coisas. No final da entrevista ele comentou ao vivo o jogo Náutico e Sport. Até imagino ele assistindo em seu sofá de frente prá telona o jogo comentando no telefone ao vivo o passe do Ciro.

Chamou minha atenção a parte em que ele falava que nasceu em 29 de outubro de 42 (escorpião como eu), portanto algumas semanas após a efetiva mudança do nome Palestra Italia para Palmeiras e da tentativa de usurpação de nosso estádio. Ele dizia que lembrava-se do que o pai dele contava sobre isso, principalmente em dias de jogos contra o SPFC.

Também outra coincidência, tanto na casa dele quanto na minha e na de tantos outros pais palestrinos que eu conheço (se citar nomes aqui vou injustamente esquecer alguém; então sinta-se citado!). Dizia Belluzzo que tem dois filhos e a eles não foi dado o direito de escolher o time. Quem escolheu foi Luiz Gonzaga.

Tanto lá, quanto cá, como acolá.

São essas coisas que fazem boa parte dos palmeirenses admirar o professor, às vezes mais até do que os acertos e apesar dos erros que o Professor cometeu ao longo dessa espinhosa jornada como Presidente do Palmeiras. E ouso dizer aqui que se o conheço bem ele já reconheceu onde errou e espera o momento adequado para reordenar isso.

***

Mas cabe um alerta: apesar da sua palestrinidade, apesar de sua enorme boa vontade em fazer o certo, e independente dos erros inerentes a qualquer gestão, Belluzzo terá brevemente uma encruzilhada à sua frente: se adotar o caminho da reeleição, perderá e abrirá espaço para um candidato de Mustafá Contursi e/ou Affonso Della Monica. Imagino que a tentação para sair novamente candidato seja grande; da mesma forma imagino que muitos estejam incentivando isso. Mas aqueles que conhecem bem as alamedas do Palestra, e não apenas por “ouvi dizer de um amigo que é sócio e que é amigo de um conselheiro que conhece…”, enfim, aqueles que conhecem bem o processo político sabem que a atual “situação”, ou seja, as pessoas que elegeram Belluzzo está fragmentada. Por quê? Inabilidade na condução política de alguns; uma certa empáfia de alguns caciques que deixaram conselheiros influentes irados; e, claro, o excesso de besteiras do departamento de futebol.

Ou seja, o clima político da SEP é muito diferente do que era no segundo semestre de 2008, quando na reta final chamaram Belluzzo para ser candidato a Presidente e ele ganhou com pouco mais de 20 votos de vantagens.

A única saída para Belluzzo fazer seu sucessor é ele liderar esse processo e trazer um candidato alternativo, que seja aceito pelas diversas forças políticas que se fragmentaram nesses quase dois anos. Claro, e politicamente, elegantemente, e inteligentemente se afastar de quem puxa sua imagem e a imagem de sua gestão para o fundo do poço.

Já disseram na SEP que a política palmeirense tem fila. Mas talvez seja o momento de ousar e encontrar outro para furar a fila. Quem? Papo para outras colunas.

De qualquer forma deixe sua opinião. Concorda? Belluzzo perderia? ganharia?
Claro, sempre lembrando que aqui é um espaço de opinião, só mais uma opinião de um pai-palmeirense. O que importa aqui é o debate saudável, a troca de ideias, a politização do palmeirense. E não apenas a concordância incondicional.

***

E finalmente: para os pais e filhos (não só palmeirenses, todos eles que leem o 3VV), lembrem-se: sempre há o que aprender e refletir na relação com seus pais. Mesmo quando eles já se foram. Então hoje e sempre vamos refletir e reviver as lembranças boas e aquelas não tão boas. E (re)aprender com elas. Esse legado é muito mais importante que eventual grana ou patrimônio deixado.

E já sabem: o melhor presente para o dia de hoje é saber que os “meninos” ou “meninas” reconhecem o esforço e mais ainda, que valorizam aquilo que o “papai” valoriza (educação, trabalho, valores pessoais). O resto é bônus.

Muito obrigado. Bacio nel cuore a tutti “Papà” …
Saudações Alviverdes!
E hoje dá Verdão hein?

13 respostas em “OPINIÃO DO CRISCIO: feliz dia dos pais”

# 12 – Parabéns Denis, eu sigo nesta linha também. Só que a minha missão é mais difícil, formar meus três filhos palestrinos numa década que foi complicada, o assédio bambi-gambá e recentemente dos lambaris em boa fase tornam-se obstáculos, mas, sigo firme, o mais velho já está consolidado, faltam os dois menores, eu chego lá. Meu pai formou quatro filhos palmeirenses na década de 80, por que eu não posso conseguir agora? O retorno do Valdívia, Felipão e Kléber vai ajudar muito.

Abraço.

Meu filho tem três anos e meio. Pede para também vestir a camisa do Palmeiras sempre que visto as minhas, sabe cantar o hino inteiro, grita gol bem alto quando nosso elenco marca um, acorda cedo no final de semana pedindo para ir ao clube para correr nas arquibancadas (e está meio chateado com o fechamento temporário da sala de troféus).

Nunca dei a ele a chance de pensar que é possível torcer para outro clube. A bandeira bem grande na parede do seu quarto serve para lembrá-lo todos os dias o que somos. Um dia na volta da escola me perguntou “o que é corinthiano” e quase morri – juro que senti meu pescoço apertar na hora. Expliquei que é uma palavra feia que não pode falar, nós somos palmeirenses, e agora quando ouve alguém falar do rival repreende dizendo “não pode falar essa palavra feia”. Avisei na escola que se alguém ficar ensinando a ele qualquer coisa que não seja do Palmeiras troco de instituição na hora (desconfio de uma das professoras). A diretora perguntou sorrindo “não entendi a brincadeira?” e sem mudar de expressão disse “nunca brinco quando falo do Palmeiras; se desviarem meu filho do futuro que planejo compartilhar com ele, tiro da escola”.

Já fui criticado algumas vezes, por amigos e familiares. Dizem que é pressão desnecessária, que jamais fariam isso com os filhos, que eles acabam escolhendo as preferências sozinhos. Porém, quase todos já me confessaram que nunca puderam assistir uma partida ao lado dos filhos e gostariam muito da oportunidade; eu respondo que em breve terei o melhor companheiro de arquibancada da minha vida, que vai me abraçar em todos os gols.

No final do jogo de hoje ele perguntou: “O Palmeiras ganhou, pai?” e respondi que empatamos. Para minha surpresa ele disse “ganhou sim, o Palmeiras sempre ganha! Palmeiras! Palmeiras!”. Não o deixei me ver chorar de felicidade.

Invejo meu pai pela facilidade que ele teve para me tornar palmeirense. Não lembro minha idade (cinco? seis?), perguntei a ele: “pai, qual é o time que você mais gosta?”. A sua resposta, simples, direta e alviverde, definiu naquele exato instante qual seria a paixão da minha vida.

Valeu Paulo (#10) muito legal teu feed back. Muito obrigado pela presença. Prá nós aqui no 3VV o reconhecimento do nosso trabalho (feito nas horas extras, rsrsrs) é muito importante.

Abs e feliz dia dos pais a todos.

Ola, amigos,
Bacana um site como o 3vv. Acompanho as matérias há alguns poucos meses, a ponto de hj em dia sempre entrar aqui primeiro, fugindo da imprensã gambá-rosa. O comentário sobre o dia dos pais foi emocionantemente identificador, e graças a Deus passei esse dia dos pais com meu pai e meus pequenos palestrinos…
Mas, bacana mesmo é perceber a família alviverde cada vez maior que acompanha esse site!! Frequentemente leio os comentários do site, e sempre me identifico com vcs e cada vez mais, por nome, vou conhecendo cada palestrino daqui!
Grande abraço, Feliz dia dos pais a todos, mesmo com a derrota!
Paulo

Feliz dia dos pais a todos!

Fiz questão de visitar o meu pai hoje, mesmo considerando apenas uma data comercial, pois, percebi que meu velho, apesar de gozar de saúde razoável, está vivendo a última parte da vida, poderá viver mais vinte anos ou apenas mais uns cinco, portanto, tenho que aproveitar o máximo a estada dele aqui no plano terreno.

Abraço a todos!

Mauro (#4) gosto do nome de Paulo Nobre. Não sei se ele será candidato, não se se ele for candidato se ele tem cacife político para ganhar. Acho até que se Belluzzo o indicar suas chances aumentam muito. Mas seguramente é um nome diferente de todos que estão na corrida por aí.

Vamos aguardar o que virá nos próximos meses.

Abs a todos

É difícil fazer algum prognóstico sobre as eleições sem conhecer os meandros da política palmeirense.
Só espero que o sucessor do Prof. Belluzzo tenha coragem para enfrentar os retrógrados e modernizar o clube.
Um abraço a todos os pais palestrinos.

Eu gosto da Gestão do Belluzzo. Quem tem um pouco de bom senso percebe as mudanças importantes ocorridas no Palmeiras. Mas não concordo com a reeleição dele. Acho que ele tem que preparar seu sucessor. Só alguém da grandeza do Belluzzo saberá escolher um jovem na faixa de 35 a 50 anos para dar sequencia no belo trabalho iniciado.
Saudações Palestrinas

Feliz dias dos pais a todos.
Quanto a reordenar o Palmeiras isto deve ocorrer com rapidez para que se possa restaurar a credibilidade administrativa, não só da atual diretoria mas das passadas também, Em 10 anos fomos rebaixados pela diretoria do dinossauro e ganhamos um único título paulista em 2008, é muito pouco para um clube da grandeza da SEP. Eu como acadêmico de Economia, acreditei que o professor Belluzzo implantaria uma administração nos moldes dos grandes clubes europeus, me decepcionei e vi mais erros que acertos, talvez haja tempo para acertos e para eu me redimir, o que faria com maior prazer, é o que espero.
—AVANTE VERDÃO

Ainda não sou pai, mas aquele que me deu a honra de ser seu filho me ensina a cada dia os reais valores indispensáveis a qualquer pessoa. E claro, também me “ordenou”, de forma sutil e apaixonante, a ser palmeirense. E o agradeço muito por tudo isso. Espero que esse seja também o sentimento de todos que leem esse comentário.
Quanto ao Belluzzo, acho que pecou um pouco como o Dunga. Preferiu seus amigos o cercando, mesmo sabendo de suas limitações. Mas é um cara diferenciado sem dúvida, que plantou avanços imensos dentro da SEP. As vezes nos preocupamos com a politica do clube assim como no preocupamos com o time em campo. Essa é uma diferença que nos faz sermos diferentes de todos as outras agremiações por aí a fora. Espero que, no fim de todo esse impasse, vença o PALMEIRAS! Vicente, algum nome forte nas alamedas te agrada? Ótimo dia dos pais a todos!
Avanti Palestra!

Vicente,muito bonito o seu texto. O “acolá” serve pra cá também. Realmente, acompanhar o crescimento de nossos filhos é uma tarefa ardua, mas muito recompensadora. Principalmente se alguns passos paternos forem seguidos (Dá-lhe Verdão!). Conversávamos sobre a política Palestrina na Quinta e você tem toda a razão. Cheguei a comentar que o próximo candidato querido por todos os que desejam mudanças de verdade deveria contratar o marketeiro do Lula. Lendo sua Opinião, acho que vamos ter que fazer aquilo que a politica nacional está fazendo: Belluzo transferir votos para o candidato querido. Esta é uma época favoravel para mudanças. Patricia no Flamengo, L.Alvaro no Santos. Alias, este ultimo suspendeu o programa de Sócio Torcedor para reformulações. Lembro de um slogan da IBM para uma de suas linhas de produtos: “Think Different”. Temos que fazer a mesma coisa, pensar diferente. Acho que uma das linhas de raciocínio deveria ser o de mostrar como será nosso futuro se não acompanharmos as mudanças. A quantidade de âncoras querendo nos afundar é enorme, mas podemos nos superar. Se houvesse um programa de sócios como o do Santos pelo menos (http://www.santosfc.com.br/socio/default.asp?c=Sócios&st=Seja Sócio). O valor é mais acessível. Uma pergunta para uma próxima discução: como poderemos mudar o Palmeiras sem sermos sócios? Mas como seremos sócios se o acesso é elitizado? Diga-me: porque eu vou pagar mais de 2.000,00 em um título se eu não vou sequer pode aproveitá-lo? Mesmo que pudesse, será que terei tempo para isso? Daqui a algum tempo ficaremos em uma encruzilhada: se ainda insistirmos em elitizar o clube, manteremos certa receita, mas perderemos a capacidade de renovar, arejar o quadro societário. Do outro, se tornarmos mais acessível o valor financeiro, poderemos aumentar em muito a receita, mas haverá uma miscigenação de associados. Isso para alguns pode ser o fim do mundo. Só tenho certeza de uma coisa: o próximo presidente com certeza nos levará a duas situação: a elite ou ao esquecimento. Se não acompanhar as rápidas mudanças, seremos passados para trás.Caso se adeque as mudanças, terá seu nome escrito na história. Cabe aos conselheiros caquéticos ou não decidir isso. E é aí onde mora a preocupação de 99% dos Palmeirenses. 99% que não são sócios de nenhuma modalidade, mas são clientes assiduos do produto.
Um grande abraço a todos!

hoje, no Estadão, Ugo Giorgetti faz uma belissima apreciação da gestão Belluzzo………. .JOTA

Feliz dia dos pais também a você, irmão palestrino.
Acredito que, ainda que tenham ocorrido muitos erros, até pela inabilidade, fato comum entre acadêmicos no ninho de cobras políticas, a gestão BELLUZZO propiciou o início de mentalidade no seu comando. A reeleição, com certeza, é um erro, mas a continuidade do projeto deve existir, com novas caras e com diretrizes mais profissionais. Acredito que vem surgindo nesse cenário o nome de Paulo Nobre, jovem lider e tão palestrino quanto o nosso querido presidente. Torço para que seja um nome da maioria. Dizer que é de consenso, seria utopia, no Palmeiras.

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