OPINIÃO DO CRISCIO: terá valido a pena se e somente se

POR VICENTE CRISCIO

Valdívia foi anunciado nesta semana no site oficial do Palmeiras. A torcida ficou feliz. Eu fiquei feliz. Você ficou feliz.

Desnecessário dizer que Valdívia criou uma liga com o torcedor palmeirense e sua camisa. Irreverente, craque, jogador que apanha e mesmo assim não se cansa de correr. Saiu porque a proposta financeira ajudaria o clube a se recompor. Também porque o treinador da época fritou o Mago. Com a conivência da Diretoria de futebol.

E Valdívia voltou. Um grupo de torcedores apaixonados, palestrinos no nome e no título de sócio que possuem foram os principais responsáveis pela vinda do ídolo. A transação foi finalizada com a entrada de um conselheiro do Palmeiras (da família Furlan, associada à marca Sadia) que colocou mais de dois milhões de euros. E a SE Palmeiras completou o valor da transação.

O blog do Quesada afirma que a preocupação é sobre o dinheiro, ainda não levantado. Não procede. O Presidente Belluzzo já explicou a operação (ouça no Canal Multimídia do 3VV).

Internamente a operação vem sendo criticada pelos políticos de plantão, inclusive pessoas da Diretoria de Futebol. Acreditam que Valdívia é caro. Com esse dinheiro (cerca de 6,2 milhões de euros) poderiam trazer outros jogadores “bons” (na verdade “bom” para quem já contratou Mozart, Capixaba, Evandro significa medíocre ou  mediano).

Valdívia não é caro! Caro é o Ewerthon. O atacante palmeirense tem contrato de 3 anos e (dizem por aí) ganha R$ 300 mil entre salários e direitos de imagem. Custará por baixa (deixe de lado os encargos sociais) o equivalente a R$ 11 milhões durante a vigência de seu contrato, mais o valor pago por 50% dos direitos federativos (algo em torno de 1,8 milhão de euros).

Independente da qualidade do atacante, é incomparável que Valdívia vale muito mais que Ewerthon. Valdívia forma torcida; tem carisma; deve resolver o problema da meia esquerda (coisa que Ewerthon em relação ao ataque está longe de fazê-lo).

 E a questão financeira? Efetivamente a transação de Valdívia não é barata. Belluzzo está apostando todas as suas fichas neste semestre visando terminar seu mandato no mínimo com uma base de jogadores que possam trazer títulos para o Palmeiras a partir de 2011. E mesmo 2010 ainda não está perdido. Se ganhar a Sul-Americana será a redenção. Se classificar para a Libertadores 2011 terá atingido um resultado muito importante para a auto-estima palmeirense bem como para as finanças do clube.

Se não conseguir nem uma coisa nem outra – bate na madeira – iremos aprofundar os problemas financeiros para 2011.

Vale a aposta? Complicado dizer. Nesse momento não temos mais o que fazer. Se não viessem Kléber, Valdívia e Felipão, com o elenco formado ao longo do primeiro semestre, dificilmente chegaríamos numa Libertadores.

Por outro lado com a vinda de Valdívia, juntando-se a Scolari e o Gladiador, e desde que venha mais alguns reforços, podemos alcançar alguns resultados no curto/médio prazo.

Mas somente teremos uma verdadeira transformação “se e somente se” introduzirem a profissionalização do futebol. No pacote Felipão-Kléber-Valdívia é mandatória a contratação de um Gerente/Diretor remunerado que pense no planejamento de longo prazo, que fale pelo Palmeiras, que bata na mesa contra arbitragens tendenciosas e manipulações de bastidores e principalmente que seja um executivo independente e sem rabo preso com empresários e com o passado.

Aí sim terá valido a pena todo esse esforço e toda essa aposta.

Concordam?

Saudações Alviverdes!