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Arenas – Maracanã: Presentão?

Por Claudio Baptista Jr.

Estes dias o Fluminense entrou em um acordo com o Consórcio que administra o Maracanã para utilização do estádio por um período de 35 anos.

As linhas gerais do negócio – de acordo com a matéria ao final do texto – seguem abaixo:

– O clube não pagará pela manutenção.
– Arcará com as despesas perante FERJ e impostos.
– Terá direito a 56,6% da renda de bilheteria, ou seja, teto de 43 mil lugares.

Sabe-se que o estádio deverá ser negociado ao menos com mais outra âncora, possivelmente o Flamengo.

Agora a pergunta inicial. Vocês acham que este acordo é um presentão? Se for, para quem seria?

A operadora do estádio é a AEG, ou seja, é a mesma da Allianz Parque. Sendo assim, fica inevitável pensar em traçar alguns paralelos genéricos mesmo que os clubes sejam diferentes, em cidades e economias distintas, mas a operadora deve trazer diversas similaridades de eventos para ambos os estádios.

– A capacidade da Allianz Parque é praticamente a mesma dos ingressos disponíveis ao time carioca, deste modo, as receitas de bilheteria assemelham-se caso os tickets médios também caminhem juntos.

– Palmeiras e Fluminense não pagam pela manutenção, apesar de nós termos um custo de utilização do estádio.

– Temos participação na venda das propriedades do estádio enquanto que o clube fluminense tem direito a participação na bilheteria (56,6% ).

– Após o período de concessão, a Allianz Parque é nossa enquanto que o Maracanã volta para o município do Rio de Janeiro.

– Os dois estádios estão localizados em regiões centrais nas suas respectivas cidades.

Então, após estes paralelos genéricos, vocês acham na balança o bom negócio fica equilibrado? Pende a favor de um dos clubes?

E em relação aos outros parceiros do negócio, WTorre na Allianz Parque e Odebrecht no Maracanã, quem estaria melhor posicionado?

Vale lembrar que o estádio carioca custou por volta do dobro do paulista, mas para o primeiro ainda existe a possibilidade de negociação junto a outros clubes.

Essa possibilidade, inclusive, trás outro fator que pode diferir a Allianz Parque do Maracanã. A pessoalidade, a identidade com o clube.

Ao realizar acordos com outros clubes, acredito que o estádio continuará impessoal e permanecerá como um equipamento municipal partilhado por clubes do Rio de Janeiro não tendo a identidade única do Fluminense, ainda que o time amigo do Simon seja o maior utilizador do estádio.

Já o torcedor Palmeirense não precisa se preocupar com seu lugar sendo ocupado logo depois por um torcedor rival, que outra equipe acabe utilizando as instalações e principalmente que o gramado sofra com maior carga de jogos. E por ser o único clube a ancorar o estádio também pode possuir soluções e instalações direcionadas e individualizadas.

Por outro lado e focando na viabilidade do empreendimento para o Maracanã, a solução de partilha com mais de um clube âncora deve ser fundamental. O negócio tem que girar, ser utilizado, e como sabemos sua concepção não teve tanto o foco de um equipamento multiuso como a Allianz Parque.

De uma forma ampla, vejo um bom negócio para o Fluminense e para outros clubes cariocas que venham a fechar acordos. Ao mesmo tempo em que possuem limitações patrimoniais como um dos fatores que não possibilitou a construção de Arenas modernas e particulares na cidade, terão a disposição um ótimo estádio com baixo custo de utilização, apesar que de certa forma terão custos pois não possuem 100% da bilheteria, e ajudarão a manter ou recuperar, como vocês preferirem, o Maracanã com sua identidade original.

Restam perguntas e mais perguntas que poderão ser respondidas ao longo do tempo com a venda das propriedades e a entrada em operação do estádio, através dos eventos proporcionados pela AEG e pelo público trazido nos jogos dos clubes que fecharem acordo para utilização da instalação.

http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,fluminense-chega-a-acordo-com-consorcio-e-voltara-ao-maracana,1051972,0.htm

Abraço,
Claudio.

10 respostas em “Arenas – Maracanã: Presentão?”

Claudio, agradeço as palavras.
Mantenho algum grau de contato com o Gottardi. Trocamos idéias e informações com liberdade.
Sobre o Stehplatz, já tivemos a possibilidade aqui no 3VV de abordarmos o assunto algumas vezes. Vai na lupa lá em cima da pagina e digita STEHPLATZ. Você terá a disposição alguns desses textos.
Abraço

Claudio, por favor , gostaria que voce possa emitir uma opinião e artigo , sobre o sistema Stehplatz, a ser analisado e implantado na ALLIANZ PARQUE, oferecendo um numero maior de espectadores , alem dos aspectos de conforto e segurança, pois teriamos espaço apropriado, ao meu ver , sem prejudicar ao espirito da Arena, que absorviria o sistema de maneira a conter as espectativas do publico , avido em estar mais proximo da equipe, mantendo ares mais romanticos ao futebol de raiz!

Claudio, gostaria que se possivel, voce mantivesse contato com Junior Gottardi, sobre o evento que ele visitou em Manchester, que ofereceu informações e ate premiações aos diversos trabalhos realizados em Arenas pelo mundo, que mantem uma metodologia propria que pode ser utilizada ou melhor adaptada na ALLIANZ PARQUE, pois sou Arquiteto e Mercadologo, é sempre que possivel mantenho contato com diversos parentes na Europa e Estados Unidos, que enviam materias e observações sobre alterações praticas em todos os setores das mais diversificadas praças, de entretenimento do mundo, desde ja sou grato!

Boa noite a todos, parabens pelas materias que voce Claudio, expõe aos Palmeirenses, com requintes de detalhes propicios, aos inumeros e anciosos torcedores, pela abertura da ALLIANZ PARQUE, seu texto é importante pois comparar as duas operações , mostram exatamente parametros identicos, com perfis distintos em publico e eventos, alicerciados em alternativas diferenciadas, lembrando que o apelo da Arena Palestrina, oferece alternativas mais amplas em receitas, pelo incremento de fatores ao consumo da cada momento relacionado ao evento que mescla, arte, negocios e esporte, de qualquer forma temos na ALLIANZ PARQUE, ainda uma avaliação muito pre estabelecida, pois o resultado final alem de avaliado corretamente , oferece alterrações e alternativas muito mais eficazes!

Ainda acho que o negócio do Palmeiras foi o melhor. Reformamos a casa toda, sem por um tostão do bolso e ainda vamos receber por isso. É óbvio que terá a contrapartida – o Walter Torre pode até ser gordinho, mas papai noel com certeza não é. Se não houvesse possibilidade de lucro pra ele, jamais investiria no Palmeiras, dada a quantia fabulosa que está adiantando (por volta dos 500 milhões).
Também não vejo problemas em outros clubes jogarem na Arena – até porque serão poucos. O SPFC jamais jogará aqui, a não ser como visitante. O mesmo vale para o SCCP. Só sobra a Portuguesa, que também tem estádio próprio e, eventualmente, o Santos.

Diego, outros clubes jogarem na Allianz Parque pode até ser, mas será fato muito bais esporádico do que a partilha do Maracanã.
Em relação aos grandes shows, como a AEG vai operar os dois estádios nesse eixo Rio-SP, penso que o volume desses eventos será similar nos dois estádios. Assim, a carga maior ao gramado poderá ser difenrenciada em relação ao número de jogos.
De qualquer forma, hoje opinamos em cima de expectativas originadas a partir das informações que temos. A operação nos mostrará a realidade.
Abraço.

Acho um bom negócio pro Fluminense, que prova que o contrato entre Palmeiras e Wtorre foi um ótimo negócio pro Palmeiras.

Vale dizer também que teremos 10% da receita de camarotes desde o primeiro ano. Receitas que crescem de 5 em 5 anos. Os camarotes são uma das partes mais rentáveis dos estádios. Além disso teremos parte da receita de vendas de produtos, alimentos, bebidas..

E pra fechar, ganhamos além do estádio um prédio administrativo (multiuso), uma garagem pra 2 mil carros, quadras reformadas e um prédio poliesportivo..

p.s não conheço pessoalmente o Belluzzo, mas sou eternamente grato!

Eles receberão alguma coisa sobre os shows e eventos??
Ou ficarão apenas com os 56% da bilheteria do jogo??
Se for isso é um tiro no pé
Afinal eles terão que tirar desses 56% o imposto para a FERJ

Confere??

O melhor negócio é o do Palmeiras, mesmo sendo arrendado, após os 30 anos o estádio voltará ao clube. Agora, não será muito de acordo com este parágrafo: “Já o torcedor Palmeirense não precisa se preocupar com seu lugar sendo ocupado logo depois por um torcedor rival, que outra equipe acabe utilizando as instalações e principalmente que o gramado sofra com maior carga de jogos. E por ser o único clube a ancorar o estádio também pode possuir soluções e instalações direcionadas e individualizadas.” Já li matérias onde dizia que o Santos poderá mandar jogos na arena do Palmeiras, isso sem contar os grandes shows, o que tbém comprometerá o gramado.

Vale lembrar que o Fluminense é o time que põe 10 mil pessoas no estádio em jogo de Libertadores. Pensando nisso, 50% da renda é muito pouco pra eles.

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