Categorias
Meninos Eu Vi

Eram tantos santos: o nosso era Djalma Santos

Por Jota Christianini

Tudo se escreveu sobre Djalma Santos, aliás Dejalma dos Santos, seu nome oficial. Que foi bi campeão mundial de seleções, tri campeão brasileiro pelo Palmeiras, e tetra campeão brasileiro de seleções estaduais com a equipe paulista. Além de dezenas dDjalma Santos assinando contratoe outros títulos.

Mas vamos abordar aqui outros fatos da carreira do Velho Lobo dos Estádios.

O que relatamos abaixo também aconteceu na vida do inventor da posição de lateral que não apenas destruía, mas participava do jogo.

PARAQUEDAS

Começo de carreira, ainda na Lusa, Djalma Santos depara com a primeira viagem de avião de sua vida.

Os mais velhos não perdem a oportunidade e sacaneiam:

— Olha: senta no rabo do avião porque como se vê nas fotos dos acidentes o rabo é a parte do avião que fica intacta e não esqueça de ao entrar ver embaixo do banco se colocaram o paraquedas. Às vezes esquecem por isso confira e reclame se não encontrar o teu.

Não deu tempo do piloto ligar os motores, mal acomodou-se na poltrona na última fila Djalma chamou a aeromoça perguntando pelo paraquedas que não encontrou embaixo do banco.

SKOGLUND

Copa da Suécia. De Sordi foi o titular em todos os jogos, só que nas vésperas da final teve uma estranha distensão.

Djalma Santos foi chamado pelo chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho e pelo treinador Feola.

— Djalma, o De Sordi não está bem, vamos precisar de você.

— Deixa comigo Dr. Paulo o senhor e o Feola já me conhecem, sabem que não enjeito carreto.

Djalma Santos entra para a decisão da Copa e jogando apenas aqueles 90 minutos conquista o título mundial e a vaga na seleção dos melhores da Copa.

Fim de jogo a imprensa mundial vai para cima de Djalma Santos.

— Você não ficou nervoso em ter que marcar Skglound o melhor ponta da Copa e considerado um dos melhores do mundo?

— Amigo, para que tem que marcar Canhoteiro, Rodrigues Tatu, Pepe e outros mais todas as semanas, marcar esse loirinho não foi muito difícil.

CUSPIDA

Jogo no interior, alambrado há metro e meio da linha lateral. o sujeito não perdoava.

Bastava Djalma Santos passar por perto que era xingado de tudo quanto é nome, principalmente ofensas racistas.

Djalma, calado, jogava seu jogo e como sempre jogava bem.

Cada jogada de categoria do Velho Lobo irritava mais ainda o torcedor e os xingamentos aumentavam.

Às tantas a bola saiu pela lateral bem em frente ao torcedor. Djalma foi pegá-la para o arremesso, o camarada não se conteve: acompanhado de gestos largos como quem quisesse esganá-lo, cuspiu no jogador. Os gestos foram de tal violência que a aliança do ofensor saltou e foi parar bem ao lado do craque. Usando de toda diplomacia, elegância e altivez que o momento requeria, Djalma Santos pegou a jóia e devolveu-a ao torcedor mal educado falando com fina ironia:

— Olha! acho que essa aliança é sua.

MOLEQUE DRIBLADOR

Final de carreira, todo treinador tinha a fórmula de ganhar do Palmeiras: bola nas costas do Djalma Santos.

Todos falavam e faziam isso e todos perdiam; o jogo, o tempo e a credibilidade… enfim tiravam diploma de otários.

Naquela tarde não foi diferente. A semana inteira o treinador do pequeno time do interior dizia como ganharia do Palmeiras. Tinha mais, além do treinador falastrão, o ponta esquerda, daqueles baixinho, rápidos, tinhosos, mas que passaram do juvenil ao ostracismo sem deixar qualquer lembrança. Repetia palavras do “professor” e botava mais combustível na questão:

— Vou fazer meu nome em cima do veterano.

Jogo iniciado, bola alongada, o pontinha bem veloz dispara passando de passagem por Djalma Santos. Vai pegar a bola quase na linha de fundo.

Resolveu que era hora de fazer o nome.

Ao invés de cruzar ou infiltrar decidiu esperar e driblar o veterano lateral.

 

Djalma, usando os atalhos do campo que tão bem conhecia, percebeu a manobra do novato e deu-lhe corda.

Postou-se à sua frente com as pernas abertas, um convite ao drible desmoralizante. O principiante arrogante mordeu a isca.

Enfiou a bola entre as pernas de Djalma Santos, que num gesto rápido e desconcertante deu um volteio enfiou o pé embaixo da bola como uma pá d

ando um chapéu no ponteiro, que caiu prostrado, saindo petecando a bola em embaixadas ritmadas pelo som do delírio da torcida, até despachá-la para o ataque do Palmeiras.

Depois esperou o adversário levantar-se. Foi mais ferino que o chapéu que havia aplicado há instantes:

— Menino, isso aqui é coisa seria, é um trabalho, nunca brinque em serviço e nunca mais tente desrespeitar um colega de profissão.

TREINO EM UBERABA

Anos 90, Djalma Santos é professor da escolinha de da Prefeitura de Uberaba.

Deu-se bem na cidade. Foi lá para ficar uns meses, visitar os parentes da primeira esposa que havia falecido. Ficou por lá até o fim da vida.
Os alunos assiNas sextas feiras após o último treino da escolinha, Djalma mais amigos e os pais dos alunos reuniam-se a para o indefectível bate bola e churrasco.

stiam. Terminado o rachão, Djalma Santos caminha para o vestiário e é interceptado por um aluno:

— Oh tio, vi o senhor jogar aí no campo. O senhor tem jeito para a coisa, por que não tentou ser profissional?

— Sabe que quando eu tinha tua idade até pensei, acho que eu teria tido sucesso.

Djalma Santos jogo treino seleção 62

8 respostas em “Eram tantos santos: o nosso era Djalma Santos”

Logo após a Copa do Mundo na Suécia em 1958, Djalma Santos e João José Altafini ( Mazola ) casaram na catedral metropolitana de S. Paulo, na Praça da Sé. Logo depois, Mazola foi vendido ao Milan e Djalma Santos foi contratado pelo Palmeiras. Era o início dos grandes times da década de 60.

Ótimos causos.
Djalma é mais um dos deuses palmeirenses. Infelizmente acho que o Palmeiras não o homenageou suficientemente em vida. Não que o consagrado Djalma precisasse disso. Mas nós é que deveriamos reverenciá-lo.
Abraços,
Marcos

Sensacional, Jota!!!!

Além do fubetol espetacular, o Sr. Dejalma tinha um caráter que pouco se vê no futebol de hoje.

E pensar que, para a mesma posição, contratamos um tal de Weldinho até 2085. Que sacrilégio!!!!!

Saudações palestrinas!!

Fantásticas as crônicas!!! Uma pena que os jogadores de hoje não tenham mais esse caráter…

Não morreu um ídolo, mas é mais uma estrela que volta para a constelação…não tive o prazer de conhecê-lo, ou melhor de vê-lo desfilar nos gramados, mas nem precisava, quem nasce para ser estrela, para sempre será…vai com Deus gênio!!

Os comentários estão desativados.