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Por onde anda? Lopes Tigrão

Por Ricardo Fragoso

No ano de 2001, o funk explodiu nas rádios brasileiras. E as músicas mais pedidas deste gênero musical eram do grupo O Bonde do Tigrão, talvez o precursor do funk no Brasil. No embalo desta onda, havia um jogador carioca no Palmeiras que celebrava seus gols com coreografias e danças do funk da moda.

Este jogador era Wellington Nogueira Lopes de Avellar, mais conhecido somente como Lopes, apelido: Tigrão. Revelado pelo Volta Redonda-RJ, time de sua cidade natal, Lopes chegou ao Palmeiras por indicação do auxiliar técnico Flávio Teixeira, o Murtosa, após ser campeão da Copa Rio de 1999 (a menos importante) pelo Voltaço.

E sob comando do eterno auxiliar de Luiz Felipe Scolari, estreou no Palmeiras diante do Cruzeiro, em partida válida pela Copa dos Campeões de 2000, competição que o Palmeiras viria a conquistar em Maceió/AL, diante do Sport Club do Recife.

Porém, somente durante a disputa da Copa Mercosul de 2000 (aquela fatídica) e da Copa João Havelange que o meio-campo começou a se destacar com a camisa esmeraldina. Seu porte físico espigado e técnica refinada logo despertaram comparações com Rivaldo.

Inteligente e com chute fortíssimo, o jogador com então 22 anos ganhou status de promessa do futebol brasileiro e consolidou-se como titular de um Palmeiras já comandado pelo grisalho treinador Marco Aurélio.

No entanto, tudo veio ao chão quando Lopes foi flagrado no exame antidoping, em virtude de cocaína encontrada na urina do atleta após a vitória frente ao Atlético-MG pelo Brasileirão, em outubro de 2000. O jogador foi suspenso dos gramados por 120 dias, desfalcando o Palmeiras nas fases finais da Copa João Havelange e Mercosul. Nesta, seria derrotado na final, após uma virada histórica do Vasco da Gama de Romário e dos Juninhos.

Em março de 2001, Lopes retornou à gespa diante do Inter de Limeira, pelo Campeonato Paulista. Mas foi na Libertadores do mesmo ano que o atleta viveu seu melhor momento no futebol. Integrando um meio-campo que ainda contava com Alex, Galeano, Fernando e, ocasionalmente, Magrão, Lopes foi o artilheiro máximo isolado da competição, com 9 gols. Feito que o Palmeiras somente havia logrado com Tupãzinho em 1968.

Nesta competição, ainda, Lopes teve provavelmente a maior atuação de sua carreira. Às quartas de final, diante do Cruzeiro de Felipão e Oséas, Lopes marcou um hat trick no Palestra Itália. A partida terminou 3×3, mas o resultado teve sabor de vitória, pois Lopes empatou aos 46 do segundo tempo. No jogo de volta, o Palmeiras classificou-se nos pênaltis, para delírio do comandante – com fama de retranqueiro – Celso Roth.

As atuações irregulares e os problemas extracampo começaram a complicar a carreira do jogador, que era saudado pela torcida aos gritos de ‘ooo Lopes cheirador, Lopes cheirador’. Com a chegada de Luxemburgo em 2002, o meia foi perdendo espaço na equipe. Já sob a baliza de Levir Culpi, Lopes era cada vez menos chamado, em um Palmeiras que mais jogava no 3-5-2.

No jogo da queda, Lopes substituiu o atacante Itamar naquele Vitória-BA 4 x 3 Palmeiras, no Barradão, sem conseguir salvar o time da degola do Campeonato Brasileiro de 2002. Esta foi a última participação de Lopes Tigrão com a camisa do Verdão, sendo dispensado após o rebaixamento. Foram 100 jogos e 28 gols no total.

O Tigrão virou um andarilho da bola desde então. Defendendo um ou dois clubes por ano, passou por Flamengo (2003), Fluminense (2003 e 2004), Santos (2004), Juventude (2004 e 2005) e Cruzeiro (2005). Como tantos outros ex-palmeirenses, foi explorar terras nipônicas: Vegalta Sendai (2006 e 2007) e Yokohama Marinos (2008).

Retornou ao Brasil para atuar pelo Atlético-MG em 2009, quando já lutava contra a balança. O Juventude apostou no armador para disputa da Série B de 2009. O clube de Caxias de Sul do eterno treinador Ivo Worthmann terminou rebaixado à Série C do Brasil.

Lopes, então, acertou com o Monte Azul-SP para disputa do Campeonato Paulista de 2010. Elenco que ainda incluía o glorioso lateral direito André Cunha (Por Onde Anda?). O clube de Monte Azul Paulista não conseguiu escapar da degola naquele ano.

Já com 30 anos, o Tigrão assinou com o Ceará-CE para disputa da Série A e ajudou a Carroça Desembestada, com 13 gols marcados e vaga na Copa Sulamericana do ano seguinte. No entanto, problemas extracampo novamente complicaram a carreira do camisa 30 do Vovô, que teve seu contrato rescindido.

Um projeto audacioso, porém, estava reservado para Lopes. Com perdão do trocadilho, o Volta Redonda-RJ queria a volta do filho prodígio no ano em que completaria 35 anos de existência. Lopes se tornou então a contratação mais cara da história do clube da cidade do aço e vestiu a camisa 35 do Tricolor. Fatalmente, mais uma vez o extracampo atrapalhou a continuidade do armador, que teve seu contratado rescindido em abril de 2011.

Sem interessados, Lopes passou o restinho de ano sem clube, até que o Verdão Catarinense resolveu apostar no conturbado atleta de 32 anos. O Metropolitano-SC foi o último clube da carreira de Lopes. Lá, teve passagem meteórica. Após um mês de preparação física, Lopes entrou no peso ideal e estreou diante do Atlético Ibirama, pelo Catarinense de 2012. Menos de uma semana depois, Lopes foi dispensado. O Tigrão desapareceu e perdeu a viagem do time para Chapecó. Falta grave na visão da diretoria do clube, que optou pelo término do contrato.

Lopes Tigrão, então, anunciou o fim da problemática carreira, em fevereiro de 2012. Aposentado, o ex-jogador recentemente voltou ao noticiário nacional. No dia 15 de julho, o Tigrão foi detido em Vassouras/RJ pela Polícia Militar que cumpriu um mandado de prisão por não pagar pensão alimentícia aos filhos menores.

Aos 34 anos, Lopes Tigrão talvez tenha sido uma das maiores decepções do torcedor palmeirense e do futebol recente. Se fosse mais afeito ao gospel que ao funk, talvez Lopes teria tido mais sorte.

Ou não?

Saudações Palestrinas!

 

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Ilustração 2: Lopes aquecendo no Metropolitano-SC

 

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Ilustração 3: Jean, Lopes e Radamés apresentados do Voltaço

Para relembrar alguns gols do Tigrão com a camisa do Palmeiras, confira o vídeo ao som do Bonde do Tigrão – Disco de Platina de 2001:
http://www.youtube.com/watch?v=WEfk69pi00I

Por Ricardo Fragoso.

18 respostas em “Por onde anda? Lopes Tigrão”

O cara jogava muito mesmo. Aliás, naquela desclassificação peranteo Boca, enquanto certos jogadores dormiam em campo ele foi um dos poucos que jogou pra valer!!! No final pegou uma fase em que, no Palmeiras, so tinha ali babá tomando conta, pois faltou alguém pra conduzir esse cara. Que Deus ajude ele.

O Lopes era muito bom jogador, raramente aparece jogadores com as características dele. Força Fisica e uma técnica apuradissima. Pena que ele deu um outro rumo pra “carreira dele”. E seus sonhos viraram pó.

Andre Cunha está jogando a série B do paulista, equivalente a quarta divisão do estado, pela AEA, Associação Esportiva Araçatuba, sua terra natal.

Otimo texto Ricardo.

Tinha o talento necessairo e, diferente de muitos, teve uma grande oportunidade.

Como faltava o minimo talento comportamental\intelectual… esta onde esta hoje.

O Palmeiras tem errado muito em contratacoes de jogadores desconhecidos com potencial. O Lopes foi um dos ultimos acertos (e já faz tempo). Nessa quem errou foi o Lopes, que jogou a carreira (nao foi intencional) fora.

tiveram a chance de vender e não venderam, se lascamos!!!!!
por isso digo qualquer jogador que tem proposta deve ser vendido, segurar jogador nunca resolve nada!!!!!!
Se voce der aumento os outros também querem!!!!!!!!

Muito legal essas lembranças do colunista. Só que esse era bom de bola. Pena que o Tigrão deixou passar a oportunidade de se dedicar pra valer e se firmar no PALMEIRAS. Após sair do Verdão como contado na coluna foi só decepção e ainda mais essa que o Ricardo Fragoso descobriu: prisão por não pagar alimentos!! Abraços ao colunista e ao 3VV…

Eu estava na Palestra Itália nesse jogo contra o Cruzeiro pela Libertadores, Lopes jogou muito (lembro do golaço de esquerda que ele fez)…. se tivesse levado a carreira a sério, seria um baita jogador!

Tantos sonham com uma oportunidade e alguns que conseguem não abraçam. Lembro muito bem do Lopes e realmente o cara era diferenciado! Não sou ninguém pra julgar, talvez no lugar dele, fizesse bem pior, enfim, tenho boas lembranças do Tigrão.

Esse cara jogava muito, mas é uma pena que não tinha cabeça, caso igual ao dele é o do jobson.

Um dos gols mais bonitos que eu vi no estádio foi ele que fez, contra o guarani em campinas.

Esse realmente foi uma promessa que não se cumpriu. Artilheiro da Libertadores, podia ter ido longe, se tivesse cabeça; como não tinha, sua carreira só deu para um ‘por onde anda’.

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