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Por onde anda?

Por onde anda? Mozart

Por Ricardo Fragoso

Em abril de 2009, o Palmeiras acertou a pontual contratação de um volante, frente às lesões de Edmílson (pentacampeão) e Sandro Silva. Mozart Santos Batista Júnior, conhecido apenas como ‘Mozart’, chegou para ser o carregador de pianos do meio campo alviverde, em especial para a disputa do ‘mata-mata’ da Libertadores.

Todavia, o jogador desafinou em campo, e após atuações sofríveis, acabou perdendo espaço na sinfonia esmeraldina, tendo o contrato rescindido após apenas 4 meses de vestiário.

Mozart foi revelado nas categorias de base do Paraná Clube, clube pelo qual debutou profissionalmente em 1997. No ano seguinte, apresentou-se nos gramados franceses, vestindo a camisa azul do Bordeaux. O Coritiba repatriou o atleta em 1999, ano em que o volante de cabelos loiros encaracolados começou a despontar.

No Couto Pereira, de saudosa lembrança aos palmeirenses, o volante tornou-se titular absoluto, sagrando-se campeão paranaense. As atuações do promissor centromédio chamaram a atenção do treinador Wanderley Luxemburgo (pré-CPI), e o volante integrou o grupo que disputou o Pré-Olimpíco de 1999 no Paraná, grupo este que ainda incluía o meia Alex e, o então volante, Baiano.

De maneira invicta, o time sub-23 do Brasil foi campeão e classificou-se às Olimpíadas de Sydney. Antes de embarcar à Austrália, Mozart transferiu-se ao Flamengo-RJ, clube que venceu o interesse do Valência-ESP, assim como o imbróglio contratual com o Coritiba. Na gávea, foi campeão carioca em 2000.

Embarcou como capitão da canarinho, mas perdeu a posição durante o fiasco olímpico de 2000, ocasião na qual a seleção acabou eliminada por Camarões, com Samuel Eto’o em campo. Depois disso, Mozart, então irritado com os atrasos salariais no Flamengo-RJ, rescindiu contrato e acertou com o italiano Reggina, aonde permaneceu, sem maior destaque, com exceção de um doping, de 2001 a 2006.

Seduzido pelo rico futebol russo, Mozart acertou com o Spartak Moscou em junho de 2006. Atuou no clube russo, até que em abril de 2009, o antigo professor, já Vanderlei Luxemburgo, apostou no volante com então 29 anos, para a seqüência da Copa Libertadores e início de Brasileiro.

O cabelo loiro e encaracolado deu lugar a uma lustrosa careca, e Mozart, visivelmente acima do peso, apresentou-se ao Palmeiras. À época, o Palmeiras lutava para se classificar aos ‘playoffs’ da Copa Libertadores. Objetivo que conseguiu, após um petardo de Cleiton Xavier frente ao Colo-Colo, nos minutos finais da partida, em Santiago-CHI.

Um rechonchudo Mozart estreou no Palmeiras no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores, diante do Sport Clube do Recife, no Palestra Itália. Mozart substituiu Willams (que hoje desfila na série B pelo América Mineiro), para compor a defesa nos minutos finais da partida, que terminou com a vitória magra do Palmeiras, gol de Ortigoza.

No jogo de volta, sofrimento do início ao fim. São Marcos, mais uma vez, operou milagres e o jogo permanecia zerado até aos 35 minutos do segundo tempo, quando Mozart substituiu o já amarelado Souza. No primeiro lance, fez falta grotesca e levou amarelo. Em seguida, não pôde matar a arrancada de Luciano Henrique, que culminou no gol de Wilson, levando o jogo às penalidades.

Na primeira penalidade, o desastrado Mozart completou sua atuação catastrófica e perdeu a cobrança de pênalti. Porém, São Marcos segurou as cobranças de Luciano Henrique, Fumagalli e Dutra, para levar o Palmeiras às quartas de final diante do Nacional-URU.

O Palmeiras acabou eliminado, e Luxemburgo demitido. Mozart não conseguia enxugar seu físico, e perdeu espaço na orquestra alviverde, já sob a regência de Muricy Ramalho. Após quatro meses na Academia de Futebol, Mozart rescindiu amigavelmente e acertou com o Livorno da Itália, lá permanecendo por apenas um ano.

Em meados de 2010, Mozart voltou ao Brasil, porém não encontrou interessados nos seus serviços. Dedicou-se, então, ao negócio da família: fabricação e exportação de cachaça. Mozart é o principal acionista da cachaçaria Porto Morretes, de Morretes-PR, cidade tradicional na produção da iguaria.

Praticamente aposentado, Mozart cuidou dos negócios destilados até o convite do clube chinês Nanchang  Bayi  Hengyuan, em 2012. Sem sucesso no oriente, voltou ao Brasil no início de 2013, com 33 anos.

Em abril do presente ano, Mozart virou treinador e assinou com o Canoinhas-SC, para a disputa da divisão especial do Catarinense. Sem sequer estrear no comando da equipe, Mozart foi demitido. Desavenças com a diretoria selaram a rescisão.

Sem mudar de estado, o professor rapidamente acertou com o Sport Clube Jaraguá, fundado em 2008, e sediado em Jaraguá do Sul-SC. O convite veio através do amigo e ex-companheiro de Paraná Clube, o jocoso Perdigão, que atua no ‘masters’ do Jaraguá (que fase).

Sob a batuta de Mozart, a equipe estreou na divisão de acesso de Santa Catarina, equivalente à terceira divisão, com vitória gorda ante ao NEC, em Jaraguá do Sul.

Com 34 anos recém completados no último domingo, dia 11 de agosto, Mozart disputou apenas 8 jogos com a camisa alviverde, mas pode retornar ao clube no futuro, desta vez, certamente, na área técnica.

Saudações Palestrinas.

 

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Mozart pela Seleção Olímpica

 

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Mozart no comando do SC Jaraguá

 

12 respostas em “Por onde anda? Mozart”

Muito boa a coluna, Mozart estava gordo como um urso polar. Paulo Turra é um bom nome de pauta também.

Esse post de hoje ficou muito engraçado. Ou o cara é muito ruim ou muito azarado – foi contratado pra treinar, nem estreou e foi demitido!!! O que se destaca é sempre o nosso São Marcos – que salvava o Palmeiras das burradas feitas pelos companheiros de equipe. Ah, posso dar sugestões? Entrevistem o Jorginho Puttinati, o Mirandinha, etc.

Para mim este jogador sempre foi um exemplo de péssima contratacão. Já com 29 anos, como era o histórico dele? Quantos títulos? Em quais times havia jogado?
Veio ganhando muito, não jogou, não ajudou e não deixou saudades.
Quem autorizou uma contratacão como esta foi um grande irresponsável.
Que não volte nunca mais.

O colunista “descobre” cada bagre!!! Curiosa a trajetória deste volante que não conseguiu reger a orquestra alviverde, as vezes desafinada. Por onde andam João Leiva Filho e Cesar Maluco ?

Parabens, Ricardo… As colunas estao sensacionais, humor na medida certa com muita informacao
Um abs

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