Categorias
Por onde anda?

Por onde anda? Sergio Gioino

Por Ricardo Fragoso

Nesta época de festividades, um “presentaço” para os leitores da coluna. Seguramente, um dos mais lendários jogadores alviverdes.

O Palmeiras teve vários jogadores desprovidos de técnica. O Palmeiras também já teve alguns jogadores pitorescos. Porém, nunca incompetência técnica e jocosidade estivaram tão brilhantemente reunidas quando Sergio Alejandro Ponce Gioino entrava em campo.

Argentino de nascimento e chileno por opção, o centroavante fez praticamente toda sua carreira futebolística no lado pacífico das Cordilheiras, apenas deixando a terra de Jorge Valdivia em duas oportunidades, ambas as excursões para o Brasil.

Nascido em Bueno Aires-ARG, em 1973, Sergio Gioino foi um desses raros casos de jogadores que iniciam tarde como profissional, como também o fez Jorge Preá. Seu início foi como número 5, no Club Atlético San Jorge, na província de Santa Fé. Logo, aos 16 anos, passou para as inferiores do Newell’s Old Boys, onde permaneceu por 3 meses, até que um roubo no pensionato dos jovens atletas o fez deixar a cantera dos Leprosos.

Retornou para o CA San Jorge, e lá ficou até nova experiência no Newell’s, já com 20 anos. Porém, uma lesão nos ligamentos cruzados do joelho impediu que El Flaco pudesse ter seqüência no clube que revelou Lionel Messi para o futebol.

O aguerrido jogador passou um ano e dois meses afastado do futebol e retornou ao San Jorge.

Já com 22 anos, Gioino cruzou a cordilheira para cumprir seu sonho de ser jogador profissional de futebol. Desembarcou no Provincial Osorno em 1997, e lentamente foi subindo os escalões do futebol chileno.

Seguiu perfurando redes: Coquimbo Unido em 1998 e Deportes Iquique em 1999. Até chegar ao Huachipato em 2000. Pelos negriazules, clube de más lembranças para Vanderlei Luxemburgo, Sergio Gioino alcançou status de ídolo. Sendo hoje lembrado como um dos grandes do clube.

Após dois bons anos com a 9 do Huachipato, Gioino finalmente chegou em um grande: Universidad Católica em 2003.

Sem sucesso, Gioino acabou negociado com a Universidad de Chile, onde viveu o melhor momento da carreira, se sagrando campeão do Apertura de 2004, logrando a vice artilharia.
Pela “La U”, Gioino chegou arrebentando, marcando dois gols na primeira partida do Apertura 2004, na goleada ante o rival Colo-Colo. Todavia, sem dúvida, foi durante a campanha da Libertadores de 2005 que o emblemático centroavante carimbou seu passaporte para o Brasil.

Antes disso, imperioso ressaltar que os longos, lisos e brilhosos cabelos do matador lhe renderam um apelido curioso: Koleston, nome de um creme capilar usado para amplificar o brilho e maciez das mechas capilares, bem como ressaltar o volume.
Razão pela qual, talvez, os defensores do São Paulo se distraíram, deixando El Hippie marcar 3 gols nos dois confrontos entre os clubes naquela Libertadores. Isto bastou para que o brioso treinador Candinho pedisse sua contratação para o Alviverde.

Sergio Gioino chegou ao Palestra Ítalia em abril de 2005, já com avançados 32 anos, para ser o homem-gol do Verdão. Estreou com derrota diante do Coritiba no Couto Pereira, compondo o ataque com Washington Orelha.
Mas foi no jogo seguinte que o delantero logo disse ao que não veio. Gioino entrou no segundo tempo na partida diante do Paraná, e desautorizando o treinador Paulo Bonamigo, bateu e perdeu um pênalti aos 49 do segundo no Palestra Itália. O apitador mandou voltar e Marcinho, cobrador oficial, fez o gol de honra da derrota.
Depois de ser devidamente colocado no freezer pelo comandante, o desengonçado e cabeludo atleta voltou e logo foi às redes na vitória do Palmeiras diante do Santos, válida pelo Brasileiro de 2005.

O ciclo de Bonamigo acabou rápido, com um contundente recorde de 5 vitórias, 2 empates e 9 derrotas. O sucessor foi Emerson Leão, cujo desgosto por argentinos era conhecido.

Apesar dos antecedentes, Koleston atuou bastante com o rigoroso treinador. Marcou novamente contra o São Paulo, em 3×3 no Morumbi pelo 1º turno do Brasileiro de 2005, reforçando sua fama de carrasco do time de Laudo Natel.

Nesse ínterim, ganhou mais um apelido em razão da aparência física: “Dinho”, nome de um dos personagens da novela América, era como os jogadores do Palmeiras graciosamente chamavam o curioso delantero.

No último jogo do Brasileirão, o cambaleante Gioino ajudou o Palmeiras a ganhar do Fluminense e classificar o clube para mais uma Libertadores da América. Em 2006, já desprestigiado pelo comandante Leão, acabou sendo preterido no setor ofensivo, que contava com os calvos Enílton e Washington, Marcinho e Edmundo.

Com o término do contrato, em abril de 2006, o cabeludo desajeitado retornou ao Universidad de Chile – como havia prometido – mas já não era mais o mesmo. Em 2007, já em ritmo de final de festa, teve performance apagada pelo Unión Española.
O tropeçado centroavante parece que gostou tanto dos ares brasileiros que resolveu voltar em 2008, para se aventurar no Gama-DF. O conjunto da capital teve um arranque desastroso na Série B e Gioino não foi exceção, acabou melancolicamente dispensado após dois meses de experiência.

Já na reta final da carreira, o argentino mais chileno do mundo retornou à terra de Luis Pedro Figueroa (por onde anda?) para atuar pelo Coquimbo Unido em 2009, segunda divisão, aonde se retirou após fracassar a tentativa do acesso.

Atualmente, já na quarta década, o ex-jogador de diversas alcunhas divide seu tempo entre a escolinha de futebol Corazón Azul e a representação de jogadores, ainda cultivando as lustrosas madeixas castanhas.

Foram, no total, 37 jogos e 7 gols com a camisa do Palmeiras. Porém o jogador é lembrado com certo afeto pela torcida, certamente um sentimento difícil de explicar, talvez – provavelmente – pelas risadas provocadas quando o franjado estrangeiro tropicava com a bola.

Sergio Gioino foi sem dúvidas um dos mais pitorescos da história recente da Sociedade Esportiva Palmeiras. Você concorda?
Saudações Alviverdes!

 

Sergio-GioinoU

Gioino na La U

 

gioino-corazonazul

Gioino na escolinha Corazón Azul

38 respostas em “Por onde anda? Sergio Gioino”

Fico pensando como conseguimos não cair com o time de 2005 e ainda classificar para a libertadores!!??? E em 2006, só os deuses do futebol e a ponte preta nos salvaram……. gezuis……

Koleston e Washington Orelha? Ricardo Bueno e Betinho? Itamar e Dodô? Grandes craques do Verdão!!!! Quando lembro que o time atual é fraco, o colunista me faz pensar que já foi pior!!!!

Washington dumbo era horroroso, mas fazia gols de cabeça e de canhota, alias aqueles chutes caracteristicos dele de virada de corpo….. ele tb era hilario…. mas classificou a gente pra libertadores em 2005 junto com o irreverente GIOINO! kkkk

Cesar, Marivaldo, Vavá, Marco Antonio e Jaime Boni; Claudecir, Rodinaldo e Bandeira; Buião, Bizu e Ditinho Souza. Técnico: Candinho

Não meu caro……
A piada eramos (e infelizmente ainda somos) nós…..
Os palhaços, otários que tivemos que aguentar jogadores como esse e os que os demais lembraram……e ainda temos que aguentar jogadores como M. Araujo (com mais de 200 jogos), Juninho (com seus recém completos 100 jogos), Bruno e outros merdas que não servem nem pra jogar no Grêmio Catanduvense (da minha cidade).

Não é só o Giono não. Ainda temos Bruno, Márcio Araújo, Vinícius, Wendel, André Luiz, Juninho, Gilson Kleina, Mustaphá, Piraci Tirone Frizzo, Del Nero, Avalone etc.
Aliás olhem o que o Menon escreveu em seu blog:

Bruno derrubou o Palmeiras. E a minha pauta também
menon
27/08/2013 15:18
Na sexta-feira, recebi uma sugestão de pauta vinda de meu parceiro Rubens Leme da Costa, jornalista que tem um grupo de funk no Maranhão. Palmeirense fanático, ele contava que o seu time ainda não havia levado nenhum gol de cabeça na Série B, exceção a duas jogadas de rebote. Sugeriu que eu fizesse uma relação com matéria publicada pela Placar em 1983, em que se defendia a convocação de Luís Pereira e Vagner Bacharel, então dupla titular do Verde, igualmente virgem em bola parada.
Achei boa ideia e pedi auxílio da assessoria de imprensa do Palmeiras. Consegui uma declaração de Gílson Kleina. ”Isso se deve ao trabalho que está sendo desenvolvido, principalmente em relação ao posicionado e, claro, a experiência e qualidade dos nossos zagueiros. A parte defensiva como um todo tem se portado bem e todo mundo está atento, então é algo que chama atenção. A gente tem que continuar assim, trabalhamos sempre esse fundamento em véspera de jogo e quando temos a semana cheia, mas é principalmente mérito dos jogadores que estão sempre se entregando para que os resultados apareçam.”
Também consegui um áudio com Fernando Prass, o goleiro titular, ausente do jogo contra o Boa. Prass disse que tudo era a soma de concentração + qualidade técnica + organização. Explicou que o fato de conhecer bem os zagueiros Vilson e Henrique resultava em uma boa sincronia entre eles. “Sei que Vílson é ótimo para atacar a bola e que Henrique tem bom posicionamento. E eles também sabem quando vou sair na bola ou quando vou esperar”, disse.
Prass louvou também o trabalho duro diário, em que se treina muito a defesa contra situações de bola parada como escanteios, escanteios curtos, faltas frontais e faltas laterais.
Para terminar, disse algo que soava como premonição.. “Nem é bom falar muito disso porque pode dar azar”.
Como não acredito em azar e como vi que poderia ser uma boa matéria, resolvi esperar. Na segunda-feira falaria com os zagueiros. Com dois minutos de jogo, percebi que havia errado. Foi o bastante para que o Palmeiras levasse seu primeiro gol de bola parada.
Bruno era o goleiro, como nas outras duas derrotas do time. Todas por 1 a 0. É algo simplista – Rubens e outros palmeirenses não acham – culpar apenas o goleiro Bruno pelo crime das derrotas. Mas a verdade é que ele deve procurar outro rumo para sua carreira. Cotado como sucessor de Marcos, perdeu lugar para Deola. Perdeu lugar para Prass. E, no intervalo, foi para a Lusa em 2011 e ficou na reserva de Weverton. Bruno precisa sair do Palmeiras e mostrar em outro lugar que é um bom goleiro. E assim não derrubar mais o meu trabalho.

Falar mais o quê??? Cadê o CEO Brunoro e o Paulinho????

Cara, eu me divertia demais com a ruindade consciente dele….. quando ele conseguia dominar a bola, como todo bom atacante argentino, costumava dar bons passes e arremates…. mas só qdo conseguia dominar a bola….
Realmente foi um bom nome de ter lembrado nesse quadro esses dias eu estava procurando saber que fim deu ele…..
Muito hilário ter visto ele jogar kkkk

Acho injusto.. neste campeonato o Marcinho brigou pela artilharia do campeonato, e boa parte dos gols que ele fazia era resultado do pivô feito pelo tropeço argentino. Tá certo que ele era grosso, mas fazia uma coisa que nenhum atacante do elenco faz hoje. Botar no chão um chutão, e fazer a bola rolar.. Como, por exemplo, o Aloísio Chulapa fazia muito bem também.

Eu vi pelo menos 10 atacantes piores que ele.. Rs
Rodinaldo, Bizu, Ricardo Boiadeiro, Paulinho Piracicaba, Buião, Dinei, Lovinho, Renaldo, Zé Carlos Paulista, Gilson…

Eu vi pelo menos 10 atacantes piores que ele.. Rs
Rodinaldo, Bizu, Ricardo Boiadeiro, Paulinho Piracicaba, Buião, Dinei, Lovinho, Renaldo, Zé Carlos Paulista, Gilson…

fez um sim, mas naquela época a concorrência para ele era desleal…

Ósio era volante no Parma da Italia e aqui foi escalado como atacante de forma errada. O mesmo ocorrido com o colombiano Lozano que o técnico bambi Carlos Alberto Silva escalava como atacante e sempre foi segundo volante.

Nossa, estava tentando lembrar desse dai….Adriano Chuva…….mio San Genaro….
Bom agora que lembrei vou tentar esquecer de novo……

Os comentários estão desativados.