Um causo que não é do Jota, mas com o Jota: e tudo deveria acabar em pizza

Hoje vamos excepcionalmente substituir o Causo do Jota por essa História.

Ela nasceu de uma lista de email entre palmeirenses, esta semana.

O contexto: dentro da lista de ~50 apaixonados palmeirenses (pleonasmo), um que mora em Rondônia – José Serbino, ortopedista, especialista em joelhos – falava dos tempos que fazia residência com um então famoso ortopedista alguns muitos anos atrás. Serbino, palmeirense, claro. O ortopedista, sãopaulino. O paciente era um jovem palestrino que jogava seu futebolzinho e teve seu problema no joelho. Esse é o Walter Benvenuti.

Os dois se encontraram anos depois nessa lista que o 3VV criou. O Walter lembrou do jovem residente “zuando” o ortopedista famoso por conta de uma vitória do Palmeiras sobre o São Paulo no Pacaembu por 1×0, gol do Zinho.

Mas o depoimento do Walter depois desse blá blá blá todo é o que mais importa.

O que o Palmeiras uniu ninguém mais separa. Segue abaixo primeiro o texto do Walter, depois as explicações sobre “corneteiro” e “acabar em pizza” do Jota.

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De Walter Benvenuti

Pois é, o Palmeiras deveria sempre nos unir.

Pena que muitas vezes ele nos separa.
A maioria dos que estão aqui na lista tem algum sangue italiano nas veias. Da mesma forma que isso é bom, nos deixa emotivos, felizes, assim como fiquei ao reencontrar o Serbino tantos anos depois, também nos deixa teimosos e algumas vezes belicosos quando outros não concordam conosco.
Isso vem muito da nossa origem italiana. Discordar é um esporte nacional na Itália. Há um ditado na Itália que sintetiza a alma italiana: “uno italiano, due idee”, ou seja, “um italiano, duas idéias”. Eles não concordam com eles próprios.
Vocês já pararam para pensar que termos que hoje são consagrados nacionalmente nasceram no Palmeiras? Peço ajuda ao nosso historiador palestrino, Jota Christianini.
Corneteiro! Até onde eu sei, era usado pejorativamente para nomear os conselheiros que ficavam buzinando na orelha dos jogadores no velho Palestra, onde depois o Felipão apelidou de amendoins. O termo pegou e se tornou sinônimo de torcedor que pega no pé. Mas nasceu lá, nas sociais do Palestra.
Acabar em Pizza! Hoje é uma instituição nacional, todo mundo usa, mas ninguém sabe de onde vem a expressão. Foi inventada pelo Milton Peruzzi, que estava cobrindo uma reunião da diretoria do Palmeiras nos anos 60, durante uma crise. O bicho tava pegando e imaginava-se que o pau ia quebrar. O Peruzzi tava do lado de fora da sala de reuniões transmitindo ao vivo para a rádio Gazeta (que naquela época era a mais palestrina das rádios e não o que é hoje), mostrando o clima de crise e tal e de repente… chega um entregador de pizzas com várias redondas e entra na sala da presidência! E o Peruzzi transmite ao vivo que a crise do Palmeiras tinha acabado em…Pizza! Dali pra frente, toda imprensa esportiva sempre dizia que as crises do Palmeiras (então uma esquadra super vencedora) sempre acabavam em Pizza. E hoje, até na Rondônia do Serbino a galera usa o termo, sem saber que ele nasceu na Turiaçu 1840.
Então, por que eu tô falando de tudo isso num post de joelho?
Por que o Palmeiras é isso, um bando de corneteiros. Faz parte da nossa origem, está no nosso sangue. Porém, tudo deveria acabar em Pizza, no bom sentido, de unir as pessoas, como o Junior falou.
Pena que isso não aconteça.
Walter Benvenuti
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E Jota Christianini complementou as histórias sobre Corneteiro e Acabar em Pizza:
 
“O Palmeiras é responsável por outras ações, novidades, expressões praticamente misturando-se com a vida do Estado de S.Paulo divulgando seus usos e costumes. No que diz respeito a corneteiros e acabar em pizza, pequenas correções:
CORNETEIRO
Existia na Rua Turiassu a INDÚSTRIAS METALÚRGICAS CORNETA (ainda existe, salvo maior juízo em Arujá)
ao lado um bar. A oposição reunia-se neste bar e entrava no Palestra para as reuniões do CD.
Assim que entravam, alguém dizia:
“Lá vem a turma da corneta.”
O resto o tempo fez.
ACABAR EM PIZZA
Peruzzi era titular da coluna O Periscópio em A Gazeta Esportiva (Rádio Gazeta na época era emissora de música clássica).
Os grupos do Dr. Delfino Fachina e Dr.Raphael Parisi brigavam. Os repórteres encostados ouvidos nas portas tentavam escutar.
De repente um silêncio fez-se ouvir e logo adiante abrem-se as portas. Todos os briguentos saem abraçados cantando o Massolim dal Fiore e vão pela Turiassu até a pizzaria do Mario (cujo dono chamava-se Bruno).
Peruzzi vai ao único telefone (barbearia do clube, no portão da Turiassu) liga para Gazeta e dita a manchete da coluna do dia seguinte:
A BRIGA NO PALMEIRAS ACABOU EM PIZZA
Nesse caso também o tempo fez.
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