Por onde anda? Clebão

Por Ricardo Fragoso.

Libertadores da América, Campeonato Brasileiro, Campeonato Paulista, Copa do Brasil, Copa Mecosul. Todas estas conquistas integram o vitorioso cartel de Cleber Américo da Conceição, o zagueiro Cleber.

Dotado de um porte físico volumoso, assemelhado aos dos pugilistas peso pesado, o zagueiro foi figurinha carimbada em praticamente todas as conquistas do campeoníssimo Palmeiras da década de 90.

Apesar do volume avantajado, Clebão, como carinhosamente ainda é lembrado pelos torcedores alviverdes, detinha uma técnica refinada. Além, a boa impulsão e o senso de posicionamento faziam Cleber levar vantagem na defesa, mesmo não exibindo uma grande velocidade.

Nascido em Belo Horizonte/MG, em 26 de julho de 1969, foi revelado na base do Atlético-MG. Antes disso, porém, aos 13 anos de idade, Cleber trabalhou como carregador em supermercados para ajudar nas despesas de casa. Depois, passou a ajudar o pai, Seu Joaquim, e a mãe, Dona Maria de Lourdes, na fabricação de lingüiças.

Diante das dificuldades, Cleber resolveu tentar a sorte na escolinha do Atlético-MG, em 1982. Sem nenhum “padrinho”, o jovem foi aprovado nos teste e iniciou sua carreira futebolística. Na juventude, Cleber era atacante, até que dois zagueiros se machucaram, ocasião que forçou treinador do juvenil do Galo a improvisar. Cleber foi tão bem na defesa que foi efetivado.

Estreou pelo Galo em 1987, diante do Cruzeiro. Uma derrota acachapante por 4×1 marcou o debute profissional do futuro defensor alviverde. Em seguida, seguiu sedimentando sua carreira no Galo. O jovem zagueiro já impressionava pelo corpanzil graúdo, que intimidava adversários.

O ano de 1991 marcou a carreira de Cleber. Convocado para a Seleção Brasileira, campeão mineiro e indicado como o “Craque do Ano” pelo jornal Estado de Minas, em votação para zagueiros. Tudo isto chamou a atenção do Logroñes, time do norte da Espanha, por onde também atuou o atacante Maurílio (aquele).

O xerife permaneceu sem muito destaque no pequeno clube da Espanha, até que o Palmeiras do treinador Luxemburgo foi buscar o atleta de 24 anos. Cleber estreou justamente contra o Atlético Mineiro, em vitória válida pelo Brasileiro de 1993, compondo a zaga com Antônio Carlos (hoje Zago).

A partir de então, sobrepujando Tonhão, Cleber chancelou seu lugar na equipe palestrina, participando de uma fase gloriosa do Palmeiras. Em 1994, foi um dos atletas com mais participações com a camisa verde, perdendo apenas para o volante Amaral. Marcou seu primeiro gol em um empate magro diante do União São João de Araras no Palestra Itália.

Após ser Bola de Prata da Revista Placar em 1994, no ano seguinte, duas lesões – uma em fevereiro e outra em agosto – comprometeram o ano do atleta.

Porém, o ano seguinte estava reservado para o robusto zagueiro. Alternando na zaga com Cláudio e Sandro (Blum), Cleber integrava um esquadrão impiedoso. O Palmeiras de 1996, definido por Vanderlei Luxemburgo como “o melhor time que já treinou”, – lembrando que o professor comandou o Real Madrid de Zidane, Ronaldo e cia. – implodia as redes adversárias jogo a jogo.

Campeão Paulista daquele ano, Cleber marcou um golaço no jogo do título diante do Santos de Giovanni e Camanducaia. Contrariando a fama dos zagueiros, desferiu um chute colocado no canto esquerdo do goleiro Edinho, fazendo os artifícios incinerarem o céu da capital paulista.

No ano de 1997, Cleber continuou presente na contenção esmeraldina, tendo Roque Júnior como o principal companheiro. No jogo de ida da final do Brasileirão de 1997, Edmundo foi expulso após dar o popular coice em Cleber. Contudo, os advogados do clube da colina conseguiram o efeito suspensivo, em mais uma das grandes maracutaias da CBF.

Em 1998, Clebão foi presença constante, ao lado de Roque Júnior, ou do recém chegado Júnior Baiano, proveniente do Flamengo. Colocou mais dois títulos em seu currículo: Copa do Brasil e Copa Mercosul.

Em 1999, último ano do xerife no Palmeiras, Cleber foi perdendo espaço para o jovem Roque Júnior e Júnior Baiano, setor que também contava com os regulares Rivarola e Agnaldo (Liz). Participou da campanha vitoriosa do clube na Libertadores, marcando gol contra o Cerro Porteño no Paraguai.

Viu o Palmeiras ser derrotado na final do Mundial, e sua última partida foi no jogo de volta da Mercosul, em dezembro de 1999, quando o time foi derrotado no agregado pelo Flamengo/RJ.

Foi, então, atuar no antigo rival Cruzeiro em 2000 e 2001, já com 31 anos, sagrando-se campeão da Copa do Brasil em cima do São Paulo. Em meados de 2001, trocou a Raposa pelo Peixe. No Santos, permaneceu sem destaque.

Após, foi jogar no Yverdon FC, do fraco futebol suíço.  Sem embargo, trocou a gélida Suíça pela aprazível Santa Catarina. No Figueirense, Cleber teve um último brilho, em uma carreira iluminada. Incluindo elenco que ainda contava com Evair, o lateral Paulo Sérgio (aquele) e Jeovânio (aquele também), fez campanha satisfatória, cimentando o clube na elite.

De 2003 a 2005 permaneceu no Figueirense, convivendo com as constantes lesões musculares. O já pesado zagueiro acertou com o São Caetano para a temporada 2006. Sem destaque, Cleber encerrou a bem-sucedida carreira no final daquele ano.

Em 2008, voltou para Belo Horizonte para ser diretor de futebol do América Mineiro, onde também atuava no ramo imobiliário. No final do ano, aceitou convite do amigo Rivaldo, presidente do Mogi Mirim, para gerenciar o futebol profissional do Sapão.

Cleber começou então a se preparar para a carreira de treinador. Após um rápido estágio com Adilson Batista em 2009 e outro no Independiente-ARG, acertou com o Rio Claro/SP, acumulando funções de gerente de futebol e treinador.

Em 2010, chegou a treinar o Metropolitano/SC, clube por onde também andou Lopes Tigrão.

No ano subseqüente, foi treinador do Araxá Esporte Clube, de Minas Gerais, deixando o cargo em outubro do mesmo ano, após desentendimentos com a presidência do clube.

O último “trabalho” foi em 2013. Em janeiro, o Poços de Caldas Futebol Clube/MG anunciou Clebão como o novo treinador, em projeto audacioso, que ainda contava com a contratação do amigo e volante Amaral. Mas problemas financeiros – um calote aplicado por um empresário chileno – inviabilizaram a permanência dos dois ex-palmeirenses.

Atualmente, aos 44 anos, Cleber segue no mercado de treinadores, alternando participações em jogos festivos e showbol.

Foram, no todo, 372 jogos com a camisa alviverde, com 21 gols assinalados. Clebão, o zagueiro, foi um dos símbolos de um era vitoriosa do clube, e talvez um dos mais respeitados e queridos jogadores recentes do Verdão.

Saudações Palestrinas!

clebaogalo clebertreinador