Quando nós éramos nós: bastidores

Por Jota Christianini

Quem viu o filme Boleiros II há de recordar que em certo momento o personagem Edil (Lima Duarte) um treinador folclórico, grita com a juíza de futebol (Denise Fraga) e após criticá-la e chamá-la pelos nomes de árbitros ditos com arranjadores de resultados nos anos 50 – curiosamente todos acusados de favorecer o Corinthians – entre outros nomes manda ver: Licinio Perseguetti.

Ninguém lembrava ou nunca ouviu falar dessa figura.

Lembrava-me vagamente. Procuro Ugo Giorgetti – diretor do filme – que diz:

– “Eu também não sabia, nem fazia parte do script, foi o Lima Duarte que falou desse juiz por conta própria”.

Esse Licinio apitou um único clássico e logo foi um Derby, Palmeiras e Corinthians em janeiro de 1954 referente ao campeonato de 53.

A atuação do cidadão foi tão calamitosa que o jogo quase não acabou. A bem da verdade só acabou no campo, fora dele prosseguiu por mais uma semana.

Torcedores do Palmeiras, sabedores que o árbitro tinha emprego nos escritórios da Estrada de Ferro Sorocabana- cercavam o prédio diariamente às 8 da manhã e às 13 hs para acertar contas com o intrépido apitador.

Claro que ele não foi trabalhar nenhum dos dias até que no fim de semana seguinte as rádios e os jornais apelaram que deixassem ele trabalhar.

Isso foi uma parte a força do Palmeiras. A outra foi a força que clube tinha na federação. Licinio Perseguetti foi eliminado do futebol.

Vejam a publicação do Estadão, dois dias depois do jogo.
Ou seja: naquela época prejudicou o Palmeiras: RUA!!!

Saudades…

Captura de Tela 2013-09-13 às 09.49.43