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Opinião: produtividade oportuna ou oportunística?

Por Vicente Criscio

Amigos o assunto da semana foi o salário de Kleina e o papo da produtividade.

Primeiro, minhas convicções:

– Salário de treinador no Brasil – e no mundo – é desproporcional; caro e acima do que valem;

– Treinador bom ajuda mas não resolve. Felipão caiu com o Palmeiras em 2012;

– Como falei na coluna da semana passada, não acredito mais em medalhões como treinadores, apesar de respeitar muitos deles. Por outro lado não me agrada treinador ruim. Treinador bom às vezes ganha jogo. Treinador ruim quase sempre perde.

Dito isto, o que eu acho sobre o tal modelo de “produtividade”? É uma palavra bonita para descrever o que já existe hoje. Qualquer treinador ganha “bônus” por produtividade. Ou alguém aqui acha que Muricy chegou no SPFC sem prêmio para salvar o time da degola? Ou que o Cuca não tem um belo prêmio para ser campeão da Libertadores e agora do Mundial? O Palmeiras – desde que eu conheço os bastidores do clube – paga bônus ao treinador por títulos. Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil, … . Felipão ganhou um bom bônus pelo título da Copa do Brasil. Merecido!

Então qual a novidade? A “produtividade” é simplesmente para definir uma remuneração fixa menor e aumentar as metas de aumento desta remuneração. Só isso. Ou tudo isso.

Vale a pena? Vale! O problema é que um clube sozinho não muda esse modelo. Pense da seguinte forma: se o Santos, Corinthians, SPFC, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Inter, Grêmio, Galo, Cruzeiro continuarem pagando – digamos – R$ 300 mil em média por mês a um treinador (e pagando ainda prêmios por títulos, como já o fazem hoje) o que faria um treinador vir treinar o Palmeiras para ganhar menos no salário fixo? As seguintes possibilidades:

i. o treinador está decadente e precisa de um espaço num grande clube brasileiro (alguém lembrou do Luxa?);

ii. o treinador não tem mercado nos grandes clubes brasileiros (a diferença para o primeiro item é que nesse caso pode ser um “jovem” treinador; alguém pensou no Kleina?);

iii. o treinador vê a possibilidade de treinar o time, ganhar “pouco” no fixo, mas ganhar muito no variável porque vai ganhar muitos títulos; nesse caso, ter um grande elenco é fundamental.

Agora vamos aterrizar no planeta terra. É essa a perspectiva de Kleina?

A partir daqui concordo com meu amigo exilado em Londres Danilo Cersosimo. O plano de pagar por produtividade poderia dar certo se fosse implementado gradativamente pelo próprio Palmeiras – e pelo mercado – e se este fosse O DISCURSO desde o início da gestão e não o discurso da pobreza, da miséria e do bom e barato.

Se o Kleina não quiser este modelo, que siga a vida dele (isso não minimiza o fato de que estão conduzindo mal essa questão com ele, com enorme desrespeito, lentidão e hesitação). Mas eu dizia se o Kleina não quiser, que se traga outro treinador que se encaixa no “projeto”, que a renovação dos jogadores com contrato a terminar se encaixe nessa nova política (com todos os efeitos colaterais citados acima) e que as novas contratações idem. Ah, vai ficar difícil trazer medalhão? Talvez! Mas quantos medalhões desfilaram corpo mole e má vontade por aqui nos últimos anos e não deu em nada?

Ou seja, não sou contra esse modelo – que de inovador não tem nada. Mas em minha opinião foi mal conduzido e agora, depois de tanta hesitação e falta de convicção, soa como desculpa e improviso. E o que é pior: soa como uma nova roupagem do discurso do bom e barato. Parece uma ação oportunista para dizer o seguinte: se o treinador não aceitou, a culpa é dele. Se aceitou, foi porque o modelo é bom… e barato.

Essa gestão parece titubeante na hora que precisa de capacidade e velocidade nas decisões difíceis . Uma pena!

Abraços e boa semana.

72 respostas em “Opinião: produtividade oportuna ou oportunística?”

E o Rodrigo que trabalha aqui comigo disse: “E os caras que ELE dispensou no Gremio? (Transação do Barcos) como vai ficar?” que situação…

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