Esporte é isso

Por Jota Christianini

Muito se diz de times que ganham campeonato no tapetão. Ainda agora vemos as equipes procurando pelo em ovo para não serem rebaixadas, ou então colocarem no curriculum títulos que nunca conquistaram. E não ficam nem vermelho de vergonha.

Para exemplificar perguntem a qualquer corintiano que finja saber a história de seu time, quais os resultados e com quem jogaram determinada partida decisiva; ou então qual a classificação do campeonato paulista de 1916, título que eles ostentam com galhardia, mas ninguém consegue responder as perguntas, porque simplesmente esse campeonato não existiu.

Nem vou falar do paulista de 70… Pobre Ponte Preta! Operada pelo Arnaldo Cesar Coelho… ou de 71 e o célebre gol anulado do Leivinha. Muito menos de 2005, ou do Castrilli diante da Lusa.

Prefiro o bom exemplo e nisso lembro do Torino que teve  a equipe dizimada no desastre de Superga em 48. Liderava o campeonato com folga e os demais times acordaram em conceder o título de campeão ao Torino.

— Não queremos! O Torino ganha seus títulos no campo, jogaremos as partidas finais com nosso juvenil.

Verdade que os demais também colocaram seu juvenis e o Torino foi campeão.

O Palmeiras, nisso podemos bater no peito, ganhou todas as suas taças e títulos no campo e não há restrições a nenhuma. Não se tem notícia de favorecimento dos árbitros e muito menos da federação.

Lembro disso tudo ao ler o que aconteceu numa das mais importantes competições de rugbi – aquele esporte violento para nossos costumes, mas que feito com regras precisas e jogado com camaradagem inimaginável.

Vencer no campo! Assim procedeu o capitão  do time de rugby Springboks que teve a chance de ganhar, mas preferiu ser esportista.

Era como se o Palmeiras decidisse a Libertadores contra o Taubaté e dependesse do capitão do Taubaté que o Palmeiras jogasse sem goleiro os 30 minutos finais do jogo.

Veja como procedeu o capitão do Broks.

No último final de semana ocorreu o jogo da final do Rugby Championship 2013 (ou Four Nations). Campeonato onde se enfrentam as seleções na Nova Zelândia (os All Blacks), da África do Sul (os Springboks), da Austrália (os Wallabies) e da Argentina (os Pumas).

A final foi disputada entre os All Blacks e os Springboks, jogo este em que os Boks perdiam por diferença de um try, quando aos vinte minutos do segundo tempo foi constatado pelos organizadores que havia um jogador dos All Blacks que estava em campo, mas não constava na súmula. Erro bobo, administrativo, mas que poderia causar a expulsão do jogador dos All Blacks, e fazer com que os Springboks jogassem com vantagem nos ultimos vinte minutos.

Diante disso, o juiz deixou a cargo do capitão dos Boks, Sr. Jean de Villiers, a decisão de expulsar o jogador de campo, ou continuar tudo como estava.

Dado o espírito que envolve o rugby, não foi surpresa para os amantes do esporte quando o capitão dos Boks optou pela decisão de deixar com que o atleta dos All Blacks continuasse em campo, sob a alegação de que não foi, em momento algum, culpa dos atletas. Bem como, qual seria o prazer poder vencer a seleção neozelandeza nestas circunstâncias?

O jogo seguiu e os All Blacks foram campeões…

​Esse é o  esporte, esse o espirito de times campeões.​