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Por onde anda?

Por onde anda? Alceu

Por Ricardo Fragoso.

Nesta décima edição da coluna ‘Por onde anda?’, por que não comemorar relembrando um dos ‘maiores’ talentos que já vestiu nossa camisa dez?

Alceu Rodrigues Simoni Filho. Para muitos, simplesmente ‘Alceu’. Para muitos outros, ‘Alceu Voadora’. Nascido em Diadema, na região metropolitana de São Paulo, em 7 de maio de 1984, o volante/zagueiro Alceu foi um dos jogadores mais alegóricos da história recente do Verdão, sobretudo em virtude seu estilo de jogo truculento.

A combatividade de Alceu, que por vezes esbarrava na violência, era reflexo da falta de recurso técnico do defensor. De porte físico fortificado e aparência intimidadora, Alceu se mostrava um jogador bruto, por vezes estabanado, e bastante grosseiro.

Revelado nas categorias de base do Palmeiras, Alceu era considerado uma das promessas das inferiores alviverde. Em 2001, era o primeiro volante da Seleção Brasileira que disputou e conquistou o Campeonato Sulamericano Sub-17 no Peru. Em seguida, voltou a defender a amarelinha, na disputa da Copa do Mundo Sub-17, realizada em Trinidad e Tobago. Começou a competição como camisa 5 e titular, mas foi sacado depois das duas primeiras partidas pelo treinador Sérgio Farias. Além de Alceu, Diego Souza, Vágner Love e Daniel Carvalho também estiveram presentes no conjunto canarinho, que foi eliminado nas oitavas pela França.

Em 2002, o sucesso adolescente continuou. O volante ajudou o Palmeiras na conquista da tradicional Taça BH de Futebol Júnior, ao lado de Vágner Love e do goleiro Bruno. As boas atuações na base palestrina renderam ao volante uma oportunidade no time principal do Palmeiras em 2002.

Não havia momento pior para Alceu estrear. O Palmeiras de Flávio Murtosa vinha de uma seqüência negativa no Campeonato Brasileiro, incluindo uma goleada por 4×0 para o Atlético Mineiro em pleno Palestra Itália, e começava a fincar raízes na zona de rebaixamento.

Peço aspas para citar as palavras do eterno assistente de Luiz Felipe Scolari, quando perguntado sobre o debute do jovem Alceu. “O Alceu foi descoberto por mim em 99, no infantil. Ele marca bem e tem qualidade no passe. Eu confio e aposto nele”, disse Murtosa, que ressuscitou no clube Tiago Mathias, Juliano e Juninho, atletas também revelados por ele em 2000, mas desprezados na gestão de Wanderley Luxemburgo.

Na première de Alceu, Palmeiras e Paraná, último colocado, faziam o ‘clássico da crise’ no Alto da Glória. O que se viu foi um desastre, de Alceu e de todo conjunto alviverde. Em partida para expurgar da memória, o Verdão foi goleado por 5 a 1, de virada. Alceu nem sequer terminou a partida.

Murtosa não resistiu e pediu o boné, Levir Culpi assumiu e Alceu foi prontamente despromovido ao time B.

Em 2003, Alceu se consolidou no futebol profissional. O Palmeiras juniores chegava com força à disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior, credenciado pela conquista da Taça BH do ano anterior.

Após ótima campanha e com o episódio ‘Love’, o Palmeiras chegou à final da Copinha após 33 anos. No Pacaembu, o Palmeiras abriu 2 a 0 diante do Santo André, mas cedeu o empate. Durante a prorrogação, Alceu, delicado como uma bailarina, foi expulso por entrada violenta no atacante Nunes (aquele). Nas penalidades, o Verdinho perdeu por 5×4 e viu escapar o primeiro título da competição.

Em abril de 2003, após o vexame frente ao Vitória-BA na Copa do Brasil, Jair Picerni promoveu uma reformulação geral no elenco alviverde, dando vez aos jovens jogadores da base.

Alceu aproveitou a oportunidade para sedimentar seu nome nos profissionais, foram 21 jogos na Série B e três gols. O volante machucou o joelho esquerdo em setembro de 2003, precisou passar por duas cirurgias e só retornou aos gramados em abril do ano seguinte.

Antes de voltar à relva, o jogador discutiu com o companheiro Magrão durante um treino em fevereiro de 2004. A razão era o cotovelo de Alceu, houve bate-boca e a turma do deixa-disso chegou para apaziguar.

Apesar do regresso, Alceu não conseguiu se firmar no onze inicial alviverde, nem com Jair Picerni tampouco com Estevam Soares. O jogador ganhou férias antecipadas em dezembro e o ano terminou com o clube classificado para a Libertadores da América.

O ano de 2005 foi melhor para o aguerrido volante. Iniciou como titular, mas logo perdeu a posição para a dupla Marcinho Guerreiro e Magrão. O maior feito de Alceu no ano foi uma cusparada no rosto do zagueiro Diego Lugano, durante o jogo de ida da segunda fase da Copa Libertadores da América. O zagueiro de olhos arregalados são paulino afinou e não deu qualquer troco durante a partida.

Em 2006, Alceu, Ílton José da Costa, Marcinho, Washington e Correa foram taxados de medíocres nas pichações dos muros da Turiassú, que cobravam suas saídas do clube. Não obstante a perseguição da torcida palmeirense, o treinador Emerson Leão prestigiou seu comandado com a camisa 10 (dez).

Sim. Em jogo disputado no Estádio do Canindé, diante da Portuguesa de Desportos, a camisa dez alviverde que já foi de Ademir da Guia sentia o suor do brioso e voluntarioso, para parar por aí, volante Alceu.

Justiça seja feita, Alceu foi o melhor em campo na vitória alviverde. Demonstrando a peculiar garra, o volante esbanjou saúde no meio campo alviverde. Nada disso diminuiu a cobrança do torcedor, todavia, e o jogador seguiu sendo um dos principais alvos da ira dos aficionados.

A seguir, na noite de 13 de abril 2006, porém, os adeptos palestrinos puderam ver a outra faceta – e mais habitual – do jogador. Palmeiras e Cerro Porteño disputavam jogo quente no Palestra Itália, e, no retorno do intervalo, iniciou-se uma batalha campal entre os jogadores, sendo a discussão entre o gigante zagueiro Douglão e um paraguaio o embrião do prélio.

Durante a briga, Alceu desferiu a popular ‘voadora’ no peito de um jogador paraguaio, arrancando urros de guerra da inflamada torcida alviverde. No seguir do jogo, Alceu nos brindou com mais uma especialidade de sua caixa de instrumentos: a tesoura. Aos 38 minutos, o desastrado Alceu deu uma arrepiante tesoura na grande área, sem achar bola, mas sim a canela do adversário. Pênalti clamoroso, e uma triste derrota. Mais triste, pois nesta noite o Palmeiras perdeu o célebre jurista palmeirense Miguel Reale.

Porém, no ano de 2006 ainda estava reservada uma grande alegria para Alceu. Apesar do evidente desgaste com a arquibancada, o jogador seguia aparecendo na equipe. Se tinha moral com Emerson Leão, isto não mudou quando Tite ‘3-6-1’ acertou com o clube.

E durante o Campeonato Brasileiro de 2006, Alceu teve seu momento mais proeminente com a maglia do Palmeiras. Diante justamente do Paraná, desta vez de Caio Jr., o Palmeiras vencia jogo duro no Palestra Itália, quando Alceu pegou a bola para cobrar um tiro livre quase no meio campo.

As cornetas soaram alto quando o jogador tomou distância para cobrança. Metido a chutar forte, Alceu não tinha um bom scout no assunto. Seguiu-se o que todos sabem, Alceu acertou um petardo atômico no ângulo esquerdo do goleiro Flávio, levando o estádio ao delírio, e às risadas.

Curioso é, que momentos após o gol, Alceu cobrou novo tiro de uma distância praticamente igual e a bola quase entrou.

E aí praticamente acabou a carreira do chumbo-da-casa Alceu. Tite caiu após derrota no Arruda. Marcelo Vilar assumiu, o time caiu na Libertadores e Jair Picerni foi contratado no final do ano para salvar a equipe do rebaixamento.

Em 2007, acertou com o clube japonês Kashima Reysol e dividia o quarto com o atacante França, certamente revivendo o antológico gol através do DVD. Alceu despertava muita confiança nos japoneses. A expectativa era de que o jogador pudesse liderar o meio campo do clube de Chiba. Na campanha que levou a equipe a um modesto oitavo lugar no Campeonato Japonês, Alceu foi titular em 28 partidas e marcou um gol.

Em 2008, foi emprestado ao Consadole Sapporo, mas sequer entrou em campo. Depois de poucos meses em sua nova casa no Japão, Alceu acertou a sua volta ao futebol brasileiro, tendo passagens apagadas por Náutico Capibaribe e São Carlos-SP. Apesar de não ter se destacado no Sapporo, Náutico ou São Carlos, em agosto chegou a ser especulado como possível reforço do Bologna da Itália.

Depois de uma temporada toda emprestado, Alceu retornou ao Kashiwa Reysol, mas rompeu os ligamentos, anterior e posterior, do joelho direito ainda pré-temporada e resolveu se tratar no Brasil. Sem paciência para esperar pela recuperação do volante, o clube japonês pediu o cancelamento do registro do atleta junto à Federação Japonesa de Futebol. Assim, chegava ao fim a experiência do atleta no exterior.

A decadência do futebol de Alceu ganhou um novo capítulo no fim de 2010, quando foi contratado pelo Grêmio Prudente para disputa do Campeonato Paulista 2011 e do Brasileirão da Série B. No mesmo ano, foi especulado no ABC, mas não acertou com o clube potiguar.

Em 2012, o volante, aos 28 anos, acertou com o Marília-SP. Mas a passagem do jogador pelo clube azul e branco não acabou bem. O jogador foi afastado do elenco, antes do jogo contra o Juventus-SP, em abril, válido pelo início do returno da 2° fase da A3 do Paulista, por ter sido flagrado por torcedores comprando carne e cerveja na fila de um supermercado.

O torcedor enviou as imagens para a diretoria do clube e, pelo ‘churrasco em hora imprópria’, Alceu foi dispensado. Porém, em agosto de 2012, o jogador acertou com o Clube do Remo Pará para a seqüência da Série D do Campeonato Brasileiro, sem maiores sucessos.

Em junho de 2013, Alceu esteve na Academia de Futebol com o amigo Diego Souza. O que a imprensa qualificou como ‘visita’, muitos palmeirenses entenderam como assombração.

Foram, ao todo, 123 jogos no Palmeiras e 6 gols assinalados.

Atualmente sem clube e com 29 anos, parece que a carreira de Alceu não tem como decair ainda mais. Considerado por muitos como o típico volante ‘brucutu’, Alceu esbanjou jogadas grosseiras, ríspidas e trapalhonas com a camisa do alviverde. Ter vestido a camisa dez do Palmeiras foi umas das maiores heresias do futebol.

Saudações Palestrinas!

 

Alceu no seu melhor

AlceuRodriguesSimoniFilho

Alceu com a 10

PORTUGUESA X PALMEIRAS

 

Assombrações 2013

DiegoALCEU

 

 

17 respostas em “Por onde anda? Alceu”

Ricardo, sua memória de nosso saudoso jurista causa comoção. Que as colunas prossigam com a qualidade costumeira. Em tempo de reformulação, interessante lembrar dos erros já praticados. O QUE SERÁ QUE VEM POR AÍ?

Um abraço fraterno,

Hans.

Aonde anda? o Pena aquele que veio da Inter de Limeira e ganhou o torneio Rio SãoPaulo depois foi vendido e foi titular na libertadores de 2000 contra o Boca

Alceu fez um dos Gols mais Bonitos que ja vi, lembro até hoje estavamo atrás do gol na Curva do Antigo Parque, ele preparando pra bater a Falta e meu Irmão que na época era Pivete me solta, olha O GOL YPIOCA, pois os Golaços apareciam no Mesa Redonda…o maldito soltou uma bomba no angulo que PQP kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

O Alceu não foi o pior dos piores… acho que todo time tem que ter um ‘Alceu’. Tá, não precisa ser tão ruim, mas tem que ter aquele cara que não alivia, que na hora que precisa chega junto e mete o pontapé rsrs…
Eu tava no Palestra naquele jogo em que ele acertou a falta no ângulo. Foi inacreditável.
Alguns “grandes feitos” foram bem lembrados, a catarrada no Lugano e a entrada “delicada” naquele FDP do Nunes merecem ser lembradas. Só faltou caprichar um pouco mais para quebrar o Nunes no meio.
Grande texto, hilário e muito bem escrito. Já virei fã desta coluna ‘Por onde anda?’

Prefiro o Alceu do que o Márcio Araújo, hahahaha.
Ô Ricardo, não dá para fazer um post deste com meu ídolo dos anos 90, o Macula?
Macula foi autor da célebre fase: Com Evair em campo não tem placar em branco.

cada assombração…meu DEUS…e as diretorias que passam sempre deixam das suas…essa ai deixou Kleina ( não entendo ainda o porquê) …rondinelly…andré luis…fernandinho….massaraujo..e ainda o nosso manager kleina quer mais…elano…lucio….Anderson ( reserva do reserva do florminense rebaixado)..aonde vamos parar????????

Alceu, qts lembrancas… e lambancas !!! Boa Ricardo.

Tem um episodio que pra mim foi emblematico do Alceu no Palmeiras: Campeonato Paulista de 2006, o Palmeiras estava muito bem e invicto no campeonato. O jogo era contra o SPFW no Morumbi, para provar a forca de nosso time… perdemos de 4×2 e Alceu veio do banco no final do jogo… deixo abaixo as palavras de Jose Silverio que ainda ecoam na minha cabeca sobre o ocorrido: “esse Alceu eh ridiculo, acabou de entrar e ja tomou amarelo… em seu sgundo lance ja toma o vermelho.~

Olha a produtividade aí PAÚlo Mole : Tido como peça importante para 2014, o zagueiro Vilson não deve renovar seu vínculo com o Palmeiras. Quando foi contratado, em meados de 2013, Vilson já veio com um pré-contrato por mais três temporadas alinhavado, mas agora a diretoria não quer cumprir com o combinado. A nova proposta para Vilson seria um contrato por produtividade, assim como o assinado pelo técnico Gilson Kleina, mas a ideia desagradou ao atleta e seus representantes.Quer apostar que o Massa Araújo renova, apesar DAS SONDAGENS DE OUTROS CLUBES (KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK).

Alceu apesar de técnica discutida tinha garra e um chute muito forte, Ora na bola, ora no adversário. Jogou numa época horrível, talvez pior que a de 2012!!

PQP a carreira do cara acabou e ele nem fez 30 anos… era ruim de doer, lento, duro, grosso e adorava bater… Pelo menos ele cuspiu na cara daquela cabrita uruguaia… essa camisa 10 do palmeiras já sofreu tbm ein… Ricardinho cachaça, Diego Souza, alceu…

O Palmeiras acertou a contratação do atacante Rodolfo, destaque do Rio Claro, que chegou à semifinal da última edição do Campeonato Paulista sub-20. O jovem, de 20 anos, foi artilheiro da competição com 24 gols, e era disputado por várias equipes. O contrato de Rodolfo com o Verdão será de 5 TEMPORADAS. Recentemente o Palmeiras emprestou dois jovens jogadores ao Rio Claro: o meia Ramos e o zagueiro Fernando, que disputou a copinha de 2013 ano pelo Verdão. Agora vai né PAÚlo Mole

Aquele Diego Souza de 2003 joga em algum lugar? O cara foi a revelação do campeonato..

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