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Futebol com Números

O Contrato de Produtividade

Por Luís F. Tredinnick

Feliz Ano Novo, Palmeirenses! Esperemos que o ano de nosso Centenário traga as alegrias que todos nós merecemos!

Como todos nós andamos lendo, o Palmeiras quer adotar uma política de “contratos de produtividade”. A minha opinião é bastante simples: é uma boa política em uma hora completamente equivocada.

Ainda que não tenhamos nenhuma informação relevante sobre os moldes da política do Palmeiras, podemos descrever de maneira simples como o Barcelona faz essa mesma política.

No seu livro, “A Bola Não Entra por Acaso”, Ferran Soriano descreve como a política de produtividade foi implantada em 2003 no Barcelona (isso mesmo há mais de 10 anos). O esquema é: se o jogador que quer ganhar 100 de remuneração, ele tem o seu ganho fixo ajustado para 80. A remuneração variável – ou produtividade – é definida em 40.

Portanto, se os resultados forem ruins, o jogador irá ganhar 20% a menos do que o pretendido e se os resultados forem bons ele pode ganhar 20% a mais do que o pretendido originalmente.

Esse modelo simples foi implantado pelo Barcelona que já contava com um elenco montado – lembrando que lá os elencos tendem a ser muito mais estáveis do que os elencos no Brasil – em um time que disputa o campeonato Espanhol e a Copa do Rei contra basicamente dois outros times (Real Madrid e Valência, que foi o campeão de 2003). Mais do que isso, naquela época, ficar sem títulos por 3 anos era considerado crise. Ou seja, é uma equipe que tem um risco baixo de não ganhar títulos.

O Palmeiras resolveu implantar esse modelo com um elenco vindo da série B. Sejamos honestos, a maioria das pessoas sabe que esse elenco sem reforços não é sério candidato a nenhum título em 2014.

Para piorar o elenco está cheio de indefinições fazendo com que a espinha dorsal do time possa ir embora ao início de 2014. Também não se sabe ainda quais serão os reforços do time.

Uma coisa é você aceitar um contrato de produtividade sabendo qual é o elenco e entender qual o potencial de conquistas desse elenco. Outra coisa é aceitar esse contrato não sabendo com quem você vai jogar e sem saber se o seu time tem reais chances de ganhar algum título.

Meu entendimento é que o contrato de produtividade seria relativamente fácil de ser implantado com um elenco forte e definido. Por exemplo, se montamos um bom time e ele é campeão do Paulista e da Copa do Brasil em 2014, ficaria fácil atrair jogadores e fazer com que eles aceitassem o contrato de produtividade.

Enfim, para o bem do Palmeiras, espero estar errado.

Saudações AlviVerdes

* Luís Fernando Tredinnick escreve às sextas-feiras no 3VV explicando a quem conhece, e a quem não conhece, os números do futebol

33 respostas em “O Contrato de Produtividade”

Eu tenho uma opinião diferente

Esse contrato pode ser muito util sim, é so ver que William Matheus e Marquinhos Gabriel que o Corinthians queriam, estão acertando com o Palmeiras e com esse contrato. o Contrato não DEVE depender exclusivamente do time, e sim pode ser uma produtividade em Gols, Assistencias, Partidas feitas no mes, minutos jogados, e etc. E isso deixaria o jogador mais motivado para mostrar o seu valor.
É Obvio que para jogadores mais badalados, esse contrato ainda é meio complicado, mais pensando bem, é so analisar, Se temos um jogador Top, o Palmeiras oferece um bom salario fixo, e com a produtividade podendo fazer ele dobrar o salario, ele pode aceitar, porque ele sabe que ele é capaz de produzir bem, enfim, essa é minha opiniao.

Eu fiz um texto hoje sobre isso
http://www.teckler.com/pt/Informacoes_Palmeiras/Contrato-de-produtiviade-ser%C3%A1-mesmo-que-n%C3%A3o-da-233378

Contrato de Produtividade, no atual momento do futebol brasileiro, significa: Jogadores/Técnicos inexpressivos, jovens promessas duvidosas e/ou veteranos sem mercado (tipo VETERANO Lúcio e horroroso APRENDIZ)…”.
Agora renovar com o APRENDIZ , com o BRUNO mão de alface e com o Marcelo (estabanado e fazedor de penaltis) Oliveira é uma tremenda sacanagem com a torcida.
Estamos ferrados!!!!

No Paulistinha nem se classifica e tome Serie B em 2015. Talvez conseguimos subir 1 amo e descer no outro por algum tempo, assim como as potências que o Palmeiras agora devera ficar de olho sempre: Sport, Ponte, Criciúma, Náutico, Portuguesa, Bahia . Estes agora nossos verdadeiros adversários!

Pior nem é a indefinição dos companheiros mas também as declarações públicas do presidente. Porque alguém aceitaria um contrato de produtividade se o presidente vai na mídia todo dia chorar pela falta de dinheiro, dizendo que não farpa loucuras, não prometendo um bom time? Alguém aceitaria um emprego de produtividade numa empresa que admite que não será tão produtiva assim?

Na verdade PAULO MOLE mandou carta aberta ao torcedor , pois já sabe que a torcida não vai engolir o PAULISTINHA !! Apesar de ser fácil a classificação Mas a média de publico deve cair ainda mais no PALMEIRAS !!! È simples time sem visibilidade—-igual —a time sem patrocínio MASTER!!!!!

O melhor contrato de produtividade que conheço no futebol è bons reservas que ganham 50 % do titular ,mas se deixar entrar em campo ,deixa duvida quem deve ser titular ,acho que è caso do cruzeiro e aí pide vender o titular e formar um ciclo virtuoso de salarios menores e bons reservas,isso requer boa base e bons olheiros,mas tem que saber fazer contrato e negociar om o jogador,aqui todo mundo saí de graça,Barcos, Souza,Luis felipe,Mleite , Vilson,Leandro,etc,aí nunca tem dinheiro e sem craque não tem patrocínio ,pois não tem jogador de markerting.

Legal aprofundar um pouco este tema. Estava meio perdido, sem saber se é bom ou ruim. Com sua explicação a respeito do Barça, me pareceu uma boa. Talvez a régua do indicador de performance no Palmeiras deve ser diferente da do Barça, neste contexto acredito que não tem momento errado.
Se não temos time hoje para muitos títulos, é possível trabalhar com outras metas: Número de jogos, saldo de gols da equipe, classificação para libertadores, fase X na Copa do Brasil, decisão do paulista…

Acho que PN e Brunoro acertam na mosca quando dizem não às pedidas estratosféricas de jogadores como Vilson e Leandro. Os caras são até bons, mas 200, 300 mil por mês é muita grana e é fora da realidade do futebol brasileiro. Quanto a tal produtividade, tenho minhas dúvidas. Acho que é coisa prá Valdivia, Elano, Alex, Lúcio, R. Gaúcho, ou seja, craques renomados mas já veteranos, com histórico de lesões recorrentes e ausências prolongadas durante a temporada.

O que não dá mais para aguentar mais (e isso não ocorre apenas com jogadores do nosso amado Palmeiras)rakesh é ouvir explicações de jogadores que ganham verdadeiras fortunas após qualquer derrota: “É…não deu…mas agora é descansar…levantar a cabeça e se preparar para o próximo confronto…). O Galo foi à Marrakesh cheio de esperanças…tomou de 3 do esforçadinho time de Marrocos e depois do jogo o que mais se ouviu foi jogadores dando essas desculpas esfarrapadas…triste futebol Brasileiro.

Muito bem colocado. Ninguém vai ser burro para apostar em um elenco no escuro. O profissional pode ser altamente capacitado, mas se seu “staff” for ruim, como ele vai confiar que seu potencial vai prevalecer?

Acho o modelo correto. O maior problema é que o Brasil vive um momento em que qualquer cabeça de bagre acha que vale 150 mil, 200 mil… E pra piorar tem muitos dirigentes que pagam isso. Pagando em dia ( coisa que não acontecia) acho que funciona. O que é mais difícil no primeiro momento é montar equipe em condição de atingir essas metas.

O Palmeiras tá no caminho certo e com certeza em breve outros clubes adotarão o novo modelo de remuneração, principalmente dando certo. Já tem time (os chamados grandes) cortando despesas , principalmente com os altos salários de jogadores, em sua maioria meia boca. Hoje não temos mais um Luiz Pereira, um Ademir, um Marcos, um Rivaldo, um “Edmundo” e outros.

O problema é que não sabemos como serão feitos os contratos. Mas contrato de produtividade sempre deveria existir em profissões em que se deve alcançar metas. Campeão, X de bônus. Libertadores, X-30% de bônus. Sulamericana, X – 60% de bônus. Abaixo disso, não tem bônus.
O mesmo para os demais campeonatos.
E o jogador ainda teria um fixo, exorbitante em relação aos mortais que trabalham 8 horas por dia.

Não acho errado e não há época para iniciar este projeto… O Palmeiras está certo e esse molde de pagamento nos trará uma consequência boa nas competições, os jogadores comerão grama, voarão em campo…. Não vai ter chinelinho, não vai ter pipoqueiro… pois o cara vai ver $$$ na frente…. E olhando para as contratações, os jogadores que estão vindo são bons jogadores e enxergo o Palmeiras como o Cruzeiro de 2013…. que montou um time de refugos e complementou a equipe com duas “cerejas” William e Julio Batista ( que nem são tão cerejas assim)….. Palmeiras com Prass, Moreira, Lucio, Henrique e William Mateus, Eguren, (França) Wesley, Bruno Cesar e Valdivia, Kardec e Diogo (Leandro) não é uma seleção mas não nem de longe o pior time de SP….

Um único reparo no seu comentário: realmente um elenco forte tem mais chances de ganhar títulos e consequentemente maior remuneração. Mas elenco forte pressupõe jogadores bons, e esses não estão aceitando o contrato por produtividade porque têm outros clubes interessados sem o tal contrato. Portanto, como acho certíssimo o acordo de produtividade, e também acho que os jogadores, na maioria, se equivalem – o que diferencia é a “vontade” dos boleiros. Com um bom contrato amarrado a resultados, vamos ter esses vagabundos correndo mais e fazendo frente aos “bons” jogadores (vagabundos também, mas com “grife”, e sem ter que correr pra ganhar mais).

Espero não ofender ninguém com meu comentário. Só não entende esse tipo de contrato quem nunca trabalhou por produtividade, ou quem é muito alienado a ponto de não perceber os detalhes, mesmo não sendo divulgado. Alguém aqui acha que os vendedores das grandes lojas ganham salário fixo (ou se o ganham esses são altos)? Acham que eles apenas ganham um percentual sobre a venda? ou só recebem se atingirem a meta de vendas? Meu deus gente, é muito simples: estabelece-se a meta (títulos/classificação/vitórias/etc), e os ganhos serão proporcionais a meta alcançada. Ninguém é besta de colocar algo do tipo “olha, ganhe o título paulista que vc recebe 200% de salário, mas se não vencer vc não ganha nada”… Imagino que as metas serão estabelecidas por etapas, por exemplo, o Paulista seja separado entre classificação para final e conquista do título. A Copa do Brasil seja estabelecido para cada avanço de fase com um bônus maior pelo título. E o Brasileirão seja separado por turnos ou quantidade de jogos, tipo estabelecendo metas de X pontos a cada X jogos, com bônus para classificação na Liberta e outro bônus maior para o título. Enfim, não dá pra criticar um sistema de remuneração que funciona muito bem em todos os setores do mundo, sem antes ver como será na prática. Dá um tempo né…

Concordo.
As metas fixadas não devem ser tão difíceis de ser alcançadas.
Aliás, a meta não deve ser congelada, tipo se ganhar o título recebe mais, se não, não recebe.
Creio que há prêmios para cada etapa de cada competição. Creio ainda que devem incluir também o número de jogos que o atleta participar.
Por fim, insisto. Não é só o Palmeiras que está reclamando. Há declarações generalizadas de vários dirigentes sobre as dificuldades de contratar e manter jogadores com altíssimos salários. A ficha está caindo. O modelo Beluzzo/Cipullo/Tirone/Frizzo também não dá certo.

Eu acho que os tais contratos de produtividade foram implantados no Palmeiras em função do aperto financeiro do clube.
Agora, estou vendo algumas notícias pipocando na mídia esportiva dando conta de que Corinthians, Grêmio, SPFC, Botafogo, entre outros, já começaram a reclamar e muito dos altos salários pedidos pelos jogadores que estão no mercado.
Acredito que com a ampliação do número de jogadores estrangeiros que podem ser utilizados e e as constantes pressões financeiras que o clubes começarão a sofrer neste ano, farão com que os absurdos salários de alguns jogadores sejam drasticamente reduzidos.
Em breve, não veremos mais qualquer jogador recebendo R$ 600 mil mensais de salários no Brasil.

Não é somente o equívoco da hora Luís F. Tredinnick, sempre trabalhei na área comercial e isso é comum desde a 20 anos atras, mas não pode ser implantado do dia pra noite, tem que ser gradativo, começando inicialmente com alguns jogadores ao mesmo tem po que outros, mesmo que o contrato esteja vencendo, ainda deve-se faze-lo da forma tradicional por no maximo mais 1 ano, e só no segundo termino do contrato implanta-lo a estes. Esta é melhor forma de não perder algumas peças importantes e fundamentais na estrtura do time, se começar a perder essas chaves, perde-se a base e o consequente trabalho de 2013. Haja visto o caso de Vilson e Leandro.

Pode até ser, meu caro Marcos.

Mas, veja: O Vilson estava pedindo R$ 200 mil mensais e acertou com o Cruzeiro por R$ 150 mil. O Leandro está pedindo R$ 150 mil e o Palmeiras chegou até R$ 90 mil. Leandro estava recebendo R$ 40 mil.
Eu sinceramente não acho que esses jogadores estão a altura dos salários exorbitantes que estão pedindo.
Eu até entendo que a política do baratinho não é a melhor, mas também sair pagando salários milionários para jogadores apenas razoáveis é temerário. Nos últimos dias aumentaram e muito as reclamações sobre os altos valores salariais de jogadores. E não é só o Palmeiras que está reclamando. O Grêmio que está na Libertadores, está abandonando modelo Beluzzo/Cipullo e implantando uma política salaria mais realista, pois o clube está afundado em dívidas e atrasos de salariais.
Abraço.

Totally agree! Não podemos ficar nas mãos de jogadores medíocres que querem ganhar salários de craques…. O Palmeiras está certo. E tem mais, entre Leandro e Vinicius não vejo muita diferença, entre Vilson e Tiago (zagueiro reserva) não vejo diferença…são todos medíocres… todos.

Tocou exatamente no ponto que considero um entrave pra essa política, mas que ainda não havia visto ninguém comentar a respeito. Com um time formado por grandes jogadores e candidato a títulos fica fácil convencer alguém a vir ganhar por produtividade. Num time que vai entrar como franco atirador o negócio é diferente. Só veteranos que tentam prolongar sua carreira, como é o caso de Lúcio, pra aceitarem mesmo. Ainda assim, se for bem esse ano e resolver jogar mais um, duvido que aceite renovar nesses moldes.
Outro ponto que acho importante discutir: os profissionais administrativos contratados por Nobre também ganham por produtividade?

Certo ….concordo com este contrato de produtividade mas corremos sérios riscos de não contratar nenhum craque por conta deste tipo de contrato em hora errada …

Concordo inteiramente com você. Quando vencer os contratos de Henrique, Prass, Valdívia, eles aceitarão redução de salários, contrato por produtividade? Se produtividade se aplicasse ao Valdívia, ele teria que devolver dinheiro ao Palmeiras.

Luís Fernando, concordo com você, alguns post atrás fiz um comentário dizendo que este primero ano do modelo proposto será o mais difícil, e que só viriam jogadores, que realmente têm vontade mostrar/recuperar o seu futebol. Falando somente do Palmeiras dentro de campo, neste final e início de ano, eu estava preocupado, porém estou vendo com bons olhos as dispensas e as contratações, caso venham todos os jogadores anunciados. Eu acho que o ano de 2015 pode ser bem melhor do que o de 2014, vai depender de como o time se comportar em todos os campeonatos e pela visibilidade que teremos neste ano de centenário.

Rodolfo. “… jogadores, que realmente têm vontade mostrar/recuperar o seu futebol…..”
Frase bem interessante. Desculpe o palpite, eu traduziria esta frase como: “… jogadores inexpressivos, jovens promessas duvidosas e/ou jogadores veteranos sem mercado (tipo Lúcio)…”. Estamos ferrados!!!!

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