Opinião: relevante mas não muito

Por Vicente Criscio

Abro um espaço na agenda profissional (apertada) para escrever hoje.

Fiz questão de colocar esse texto antes do clássico contra o SPFC.

Em tempo: acho esse o mais emocionante clássico para os palmeirenses. Como palestrino que sou há mais de 50 anos, sofro mais de ansiedade nesse jogo do que no dérbi. Se ganhamos, é uma sensação enorme de alívio. Se perdemos, difícil dormir na primeira noite. Sempre foi assim… Freud explica! Tenho memórias positivas e negativas. A mais positiva: SEP 2×0 em 2008, num Palestra Itália lotado, na companhia dos meus amigos e filhos no Setor Visa. O fecha-conta do Valdívia e a luz “caindo” no final da partida fizeram parte de um grande enredo que começou no 1o jogo do gol de mão e apelos ao pai-de-santo mais próximo. A mais negativa: 1978 e um gol de cabeça de Serginho na prorrogação. Não dormi por umas 3 ou 4 noites com pesadelos daquele jogo.

Mas eu dizia: o que esse clássico tem a ver com o momento atual do Palmeiras? Olhando o iceberg na ponta, parece ter tudo a ver. Uma vitória dará ao palmeirense a certeza que estamos no caminho certo. A venda de Henrique foi acertada. Esse time decolou e seremos campeões paulista e quiçá brasileiro. Valeu a pena a “política de austeridade” de 2013, pois agora sim temos time (e gestão).

Se perdermos: nossa bipolaridade fará com que acreditemos que está tudo errado. “Quem mandou vender Henrique logo nessa semana?” perguntaremos! Pensamento pequeno. Falta de patrocínio. Tudo isso e mais um pouco!

E é claro que – como em tudo na vida – a verdade estará entre os dois extremos. Onde? não importa! Talvez mais prá cá, talvez mais prá lá. A eventual derrota não significará que tudo (em termos de time de futebol) está ruim. Da mesma forma que a eventual (e esperada) vitória não significará que tudo (em termos de time de futebol) está ótimo.

O que eu venho criticando há tempos e continuo criticando é o modelo. E esse não mudou e não mudará. A única diferença que temos hoje é uma gestão que se julga (talvez até seja) melhor ou mais honesta ou mais competente que as outras. Mas operando no modelo antigo. Do século passado.

Continuamos sendo administrados como um clube social com um time de futebol. Ainda temos amadores gerindo os principais departamentos do clube (não me venham falar nas siglas CEO, CMO, CFO, que não têm poder para comprar uma caneta). E não há um projeto de separação verdadeira do clube social (que é condomínio, que tem piscina-tênis-bocha, que vive de arrecadação social, que tem 300 conselheiros) do futebol (que é negócio, é gestão profissional, não cabe incompetência nem conselheiro/diretor incompetente e bajulador). O resto é anglicismo para fazer o que faziam antes. Com algumas coisas boas e outras não tão boas. Simples assim.

Ou seja, o mais importante dos clássicos (para mim) será no dia de hoje apenas mais um clássico. Seu resultado não dirá nada. Da mesma forma que 2014 (e provavelmente em 2015 e 2016) Paulo Nobre poderá trazer um ou outro título. Mas não trará a mudança que o palmeirense quer e o Palmeiras precisa: a ampla, total e completa separação de fato e de direito do futebol em relação ao clube social. A completa profissionalização.

Enquanto isso teremos reuniões pífias de conselho, decisões políticas de sindicância contra ex-Presidentes, conselheiros elogiando os cabelos do Presidente, pequenos poderes, e mais do mesmo.

***

Para alegria de muitos e tristeza de poucos estarei fora do Brasil a trabalho por algumas semanas, com restrições de tempo para acompanhar as coisas alvi-verdes. Isso vai diminuir ainda mais minha interação no 3VV.  E infelizmente quando o jogo de hoje estiver acabando eu estarei num aeroporto previsivelmente abafado e cheio de ansiedade no ar. Mas confiante que hoje ganharemos! Meu palpite? 2×0. E o seu?

Mas não desaparecerei.

Enquanto isso vamos tocar nosso barco verde e branco.

Saudações Alviverdes! e deixe seu comentário, sempre naquele estilo. Respeitando as divergências de opiniões. Senão…