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Por onde anda?

Por onde anda? Osmar Cambalhota

Por Ricardo Fragoso.

Como no caso de tantos outros jogadores, não fossem os gols marcados contra o Palmeiras, Osmar Aparecido de Azevedo seria mais um regular jogador desconhecido do interior paulista.

Nascido no dia 27 de março de 1980, em Marília/SP, cidade próxima da querida Oriente, Osmar engatinharia no futebol nos juniores do Rio Branco de Americana, onde se profissionalizaria aos 20 anos de idade no ano 2000.

Os gols do baixinho atacante (1,73m) logo despertaram a cobiça do União São João da cidade de Araras. Antes de desembarcar na terra natal de Velloso e Luan, Osmar passou rapidamente pelo União de Mogi das Cruzes, sem sucesso.

Em Araras, Osmar conquistou a torcida do Ararinha. Muito pelos gols e dedicação, somados ao estilo ‘boa-praça’ do avante, e, sobretudo também, por levar a equipe ao vice-campeonato do Paulistão de 2002, em campeonato realizado sem a participação dos “grandes” do Estado.

Logo, porém, começou a derrocada do time das cores da cana e do açúcar, despromoções se sucederam e Osmar partiu ao ABC Paulista para defender a camisa Santo André em 2004.

Naquela temporada, o Ramalhão seria a sensação do futebol nacional. Formando dupla de ataque com o experiente Sandro Gaúcho, o Santo André deixaria Novo Horizonte, Atlético Mineiro e Guarani pelo caminho na Copa do Brasil até defrontar o Palmeiras às quartas de final.

No jogo de ida, em partida eletrizante realizada no Estádio Bruno José Daniel, Santo André e Palmeiras empataram por 3×3, com Osmar deixando tento dele nas redes de Marcos. No jogo de volta, o mais improvável aconteceu, e o Palmeiras foi eliminado pelos gols fora, quando a partida terminou 4×4, com Osmar novamente anotando o dele.

O Santo André continuou e se sagrou campeão da Copa do Brasil em cima do Flamengo, em mais um Maracanazzo para a história, mas os louros da vitória recaíram sobre os ombros do veteraníssimo Sandro Gaúcho.

Naquela época de vacas magras, o recém promovido Palmeiras buscava um sucessor para Vágner Love que havia sido negociado com o futebol russo após a eliminação na Copa do Brasil.

O treinador Estevam Soares, apelidado de Fred Flintstone pela aparência, apostou no oportunista e sossegado atacante Osmar para herdar a órfã camisa nove alviverde. Então, o outrora algoz Osmar, aos 24 anos, assinou com o Palmeiras em agosto de 2004.

O tímido atacante estreou pelo Palmeiras contra o Fluminense no Palestra Itália e de cara anotou dois gols, comemorando com cambalhotas os tentos marcados, caindo nas graças da carente torcida alviverde. Daí surgiu o apelido de Osmar ‘Cambalhota’ ou Osmar ‘Daiane’, pois era ano de Olimpíadas e a elástica ginasta Daiane dos Santos era a maior esperança de ouro para o Brasil com seu ‘twist-duplo-carpado’.

As boas atuações logo renderam assédio da imprensa. Soube-se que o simpático atacante era filho de pai palmeirense e cultivava o jeito ‘caipira’ de ser, inclusive, arranhava músicas sertanejas no violão, com Marcão no vocal.

Em 2004, Osmar virou presença habitual no ataque palestrino, somando 11 gols em 19 partidas e virou o ano em boa fase. Porém, a retórica não foi a mesma em 2005.

Já no início do Paulista, Estevam Soares caiu após o episódio da substituição do Diego Souza. Candinho assumiu e Osmar, oportunista como sempre, seguiu anotando valiosos gols.

Porém, quando Paulo Bonamigo assumiu a diretoria técnica, o jogador perdeu espaço. Eventualmente, foi emprestado ao Grêmio de Porto Alegre, que disputaria a Série B naquele ano. Osmar, porém, mal jogou no Grêmio. Isto porque havia uma cláusula liberando o jogador em caso de proposta do exterior, e o Monarcas Morelia do México veio buscar o acachapado centroavante.

Como no México é mais fácil virar lenda (vide os casos de Itamar, Robert ‘Saravadá’ e Kleber Pereira, o Pelé moderno dos mexicanos), Osmar cambalhotou e piruetou muito pelos ares de Michoacán.

Em 2006, seduzido pelos ienes japoneses, Osmar atravessou o oceano pacifico para jogar no Oita Trinita da J. League. Ainda passou pelo Fortaleza no final do ano.

No ano seguinte, Osmar voltou para o Palmeiras sem muitas perspectivas. O jovem treinador Caio Júnior, considerado muitos até hoje como um estagiário da bola, tinha um elenco inchado de atacantes: Edmundo, Cristiano (argh!), William ‘Coração’ e os hoje falecidos Alemão e Florentín.

Mas foi Osmar que aos poucos foi se firmando no ataque. Ao lado de Edmundo, e municiado por Valdivia, Osmar marcos dois gols no Clássico da Saudade pelo Paulistão, e a seguir, o ‘V voador’ alviverde aprontou de novo, desta vez no Derby da Capital: 3×0 no Morumbi, com Osmar marcando o dele, de canela, inclusive.

Nada badalado, Osmar seguiu como titular e marcando gol ‘jogo sim jogo não’, até o fatídico prélio contra o Flamengo no Maracanã, quando lesionou os ligamentos do joelho esquerdo. À época, muitos relacionaram a lesão às cambalhotas do jogador, que após o incidente aboliu a característica celebração, também por recomendação médica.

Recolhido ao Departamento Médico, durante participação em um ‘link’ ao vivo, Osmar seriamente declarou que travaria uma “competição sadia” com o também lesionado Alemão no DM para ver quem retornaria primeiro aos gramados, arrancando risadas dos entrevistadores. Osmar também ganhou um livro intitulado “Força, Osmar” com duas mil mensagens de apoio de torcedores que se solidarizaram com lesão do atacante.

E assim acabou a história de Golsmar com a maglia palestrina. Ainda com anos de contrato por cumprir, Osmar acabou sendo emprestado ao Ipatinga e Vitória da Bahia, sem maiores feitos.

Em 2010, acertou com o time de sua terra, o Marília-SP. Mas em 2011, retornou ao União São João de Araras. Entre idas e vindas no União, já em ritmo de final samba, Osmar recentemente acertou com a Santacruzense de Santa Cruz do Rio Pardo para disputa da Séria A3 no Paulista.

Em elenco comandado pelo ex-goleiro Gleguer, Osmar, aos 33 anos, busca um último respingo de glória na carreira, quem sabe com o almejado acesso para segundona do futebol paulista.

Osmar Cambalhota, apesar das limitações técnicas, possui uma excelência média de gols com a camisa do Palmeiras. Foram 30 gols em 66 partidas, uma média de quase meio gol por jogo.

Baixo, tímido e pouco imponente, Osmar compensava no oportunismo, no posicionamento e na boa finalização, sem jamais despertar a total confiança da torcida alviverde, no entanto. Talvez por estar acostumada com ‘matadores’, Osmar nunca deixou de ser contestado pela arquibancada.

Apesar da limitação de Osmar, justiça seja feita, é importante reconhecer que o atacante foi útil e proveitoso em uma época de times constrangedores.

Saudações Palestrinas!

 

Osmar livro

Figura 2 Osmar Homenageado

 

osmar.stoandre

Figura 3 Osmar campeão no Maracanã

28 respostas em “Por onde anda? Osmar Cambalhota”

Hoje ele está na reserva da Inter de Limeira (aquela).

Não achava ele ruim não, deu azar de ter contundido faltou marketing JOGAVA BEM NOS CLÁSSICOS toda sorte para a sequencia da carreira

Ouso dizer que com essa média de gols, inclusive gols importantes em clássicos, ele passa longe da mediocridade geral que tomou conta dos nossos gramados. Realmente, marketing é tudo! Parabéns Ricardo, por nos lembrar como reclamávamos ‘de barriga cheia’!

Eu gostava do Osmar, me cativou depois que contou a história do seu pai Palmeirense que sonhava em ver o filho jogando no alviverde, mas faleceu antes de realizar seu sonho. Eu estava naquele dia no maraca e fiquei triste com o ocorrido, qto ao marketing, uma pena que hoje os mais valorizados são os que usam roupa da moda ou escutam a musica da moda (muitas merdas cheias de dancinhas).

Eu gostava do Osmmmmmmaaaarrrrr caaaamisa 9, ele era meio estabanado, tipo um Barcos “brasileiro”, que aliás os dois são do mesmo nível, diga-se de passagem. Ele metia gol em time grande e time pequeno, não fugia do pau, na estreia do BR2007 contra o Flalido, ele e o Edmundo estavam deitando naquela defesa (terminou 4×2), mas ele se contundiu e realmente terminou o ano pra ele. Seu substituto era Derlis Florentin (finado) e do meio pra frente foi o RODRIGAAAAAAOOOOO da hortência, sinceridade preferia o Osmar. Se ele tivesse com aquela fase dele no elenco atual, bancária Leandro pois ele não era displicente, pelo contrário batia muito bem na bola.

Muito dedicado em campo e os números falam por si só: média de centroavante goleador – ao menos no Palmeiras.

Pra um cara que jogava com Marcinho Guerreiro, Alceu, Élson, Baiano, André Cunha, Lúcio “Vagabundo”, Daniel, entre outros, o cara meteu gol pra caramba. Espero que tenha feito um pé de meia pra ter um pós-carreira tranquilo. A lesão acabou com a carreira dele, verdade seja dita.

Que uniforme lindo esse da primeira foto. Quem possui camisas antigas (anteriores a 1980) sabe que esse é o verdadeiro tom de verde do Palmeiras. Lamentávelmente a Adidas apenas repetiu esse tom no uniforme de 2007/08 e depois nunca mais. E hoje em dia ainda temos que aguentar essa quantidade estúpida de patrocínios que estragam a camisa e a história do clube.

Vou mais além… depois de Alex Mineiro, Kardec, Tamoxunto e Love (o de 2003/2004), foi nosso melhor centroavante desde 2000… Média de 0,5 gol por jogo com aqueles times horrorosos do começo da década de 2000 não é pra qualquer um não…

Osmar Cambalhota honrou nossa camisa, marcou vários gols e merece todo nosso respeito. Sucesso na vida prá ele.

Interessante que esses dias ele se apresentou aqui em Sta Cruz do Rio Pardo e agora coincide de sair essa matéria

Eu lembro do jogo Verdão x Gambás, 3 x 0 pra nós, que ele e o Edmundo fizeram gols. Foi sensacional, especialmente pelo gol do Edmundo de bate-pronto com cruzamento do Valdívia…

De todos os atacantes ruins que passaram no Palmeiras que só preenchiam as CAÇAMBAS, os bem menos ruim era o Osmar, também se não fosse também as contusões no joelho poderia ser um bom jogador. Mas com pessoa e como ser humano é uma pessoa humilde e merece todo o nosso respeito, apesar que como jogador não sinto nenhuma saudade.

A falta que o marketing faz em um jogador de futebol… a gente nem lembra do Osmar e ele poderia ter sido mais marcante, não só no Palmeiras mas em outros clubes…

O osmar é craque perto de Ricardo Bueno, Betinho, Cristiano e cia… fazia um feijão com arroz humilde que enchia a barriga as vezes mas não sinto nehuma saudade dele….

Lembro-me de um jogo contra o Santos no Parque Antártica que ele marcou dois gols. Abrimos 2 x 0, o Caio Jr. o substituiu para tentar segurar o resultado e tomamos o empate. Um comentarista fez a seguinte crítica ao Caio Jr.: “Atacante que marca dois gols em um clássico, só deve ser substituído se tiver uma fratura exposta.”

Eu gostava dele! Se pegar os elencos com quem ele jogou até que foi muito bem…é o tipo de cara que merecia a sorte que caras como o Betinho tiveram, de chegar a uma final de Copa do Brasil e anotar gol. Faltou só ganhar título para ter maior reconhecimento.

O texto resumiu bem, foi útil em um época de times vergonhosos… Quando vinha bem em 2007, zuou o joelho e acabou pro futebol… boa sorte na sta cruzense

É interessante perceber que pessoas assim simples de verdade passam pelo futebol quase desapercebidos. Não lembro desse Osmar, mas que Deus ilumine ele e consiga ter uma vida boa, pois é uma das figuras sinceras, humildes e dedicadas do futebol. Deus te Abençoe Osmar “Cambalhota”!!!

De todos atacantes “ruins”, que passaram pelo Verdão recentemente, ele foi o menos pior.

Dos atacantes ruins que passaram aqui, ele é quem fazia os gols. Os outros nem isso. =P

O problema é que era o Osmar. Gostaria, se possivel, vcs tem acesso a dados do Palmeiras que fizessem uma matéria dos “grandes” atacantes que passaram pelo Verdão e suas médias de gols. Aposto q o Cambalhota iria atropelar um monte de “idolos”. Valeu Cambalhota. Temos q aprender a valorizar pessoas humildes q não ficam fazendo materinhas no Globo Esporte para se alavancar com a torcida.

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