Opinião: Avanti… mas devagar que eu tenho pressa.

Por Vicente Criscio

Belicosos alviverdes… essa é a marca do colunista Alberto Cunio, meu amigo, e que essa semana bateu o recorde de comentários em um post falando sobre o Avanti e sua possibilidade de se transformar uma plataforma política importante para o Presidente em um futuro próximo. Voou sapatada prá todo lado. Lendo os comentários depois, com calma, eu até consigo rir…

Na paralela a sede do Avanti era destruída por torcedores. Aí não tem graça nenhuma. O motivo? o mesmo que dá sustentação ao discurso da importância do Avanti: priorizar o torcedor na compra de ingresso. Faltou ingresso, alguém disse que viu um moto boy saindo com pacote de sei lá o quê, e o pau cantou. Enorme erro. Lamentável!

Minha opinião, para não deixar o “Corneta” falar sobre o banquinho sozinho prá multidão: nessa discussão estão todos certos (menos os violentos). E todos errados.

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Programa de fidelidade

Desde que alguém percebeu que relacionamento é importante, os programas de fidelidade surgiram e com ele benefícios para quem for um cliente recorrente e de valor. Passar esse conceito para o futebol foi simples. O Inter e o Grêmio fizeram isso – num modelo de sócio do clube com direito a ingresso – e acho que de forma pioneira no Brasil. E fizeram bem. O Palmeiras tinha o um programa antigo que nunca decolou. Veio o Avanti cheio de problemas (isso lá em 2009) e foi sendo reestruturado com o tempo. Em 2012 – gestão Tirone – arrumaram o programa. Colocaram a Futebolcard para administrar. Parece que chegou a 18 mil sócios – na época da Copa do Brasil – e depois voltou para menos de 10 mil.

Nobre pegou o programa e melhorou mais. E viu uma oportunidade de receitas recorrentes. Transformou o programa na prioridade número 1 no marketing. Eu já tenho uma opinião mais crítica: acho que o presidente transformou o programa na sua ÚNICA prioridade no marketing. Mas segue o jogo.

O programa é bom. Beneficia principalmente quem vai muito a jogos. O sistema de rating não está funcionando direito, mas será legal quando totalmente implementado. Portanto minha opinião: nota 10 pro Programa. Vale a pena. E dar benefícios aos associados do programa é correto. Há problemas operacionais ainda, mas acredito que de fácil correção.

Então qual o problema? A diferença do remédio curar e matar o paciente, é o tamanho da dose. Ou a velocidade em que se aplica.

Veja o torcedor como CLIENTE. O torcedor palmeirense é um CLIENTE por todo o Brasil (e fora dele). Esse cliente CONSOME o Palmeiras. Camisa, merchandising, PPV, audiência (que gera valor para patrocínio). E ingresso de jogo. Essas são as receitas tradicionais. Outros times no mundo têm muito mais: produtos financeiros por exemplo; plano de saúde; e alguns são mais que CLIENTES: são ACIONISTAS.

O erro no remédio: ao invés de dar benefícios ao ST, dar malefícios ao NÃO ST. Existem outros tipos de torcedores além dos AVANTI, e TODOS ELES geram valor. TODOS! Os não Avanti, os desorganizados, aqueles que ficam fora da cidade de São Paulo, não têm interesse ou capacidade financeira para se tornarem sócios, ou são ORGANIZADOS.

Programa de fidelidade é para dar benefícios a quem está no Programa. E não dar malefícios a quem não está. Hoje o mundo parece que se divide entre QUEM É AVANTI e QUEM NÃO É. Convenhamos, para 15-18 milhões de palmeirenses, é uma miopia grande.

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Sobre a violência na Sede

Deve ser repudiada e os culpados encontrados. Não pode haver tolerância para esse tipo de coisa.

Ponto!

Agora, será que não dá prá todos – inclusive esta diretoria – baixarem as armas? Não dá prá dialogarem?

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Espírito belicoso

Qualquer processo de implantação de uma ideia é tão ou mais importante do que a ideia em si. O Avanti tem que ser implantado e chegar aos 100 mil (ou mais, acho essa meta pequena para a paixão do torcedor) mas não pode gerar a divisão da torcida.

O Avanti tem que ser visto como algo desejado pelos “organizados” e “não organizados”. Tem que se transformar num objeto de desejo. Mas não vai sê-lo criando-se uma “rivalidade” entre torcidas. Hoje claramente o torcedor que mora na baixada santista (e que não é Avanti) está frustrado porque não poderá assistir ao jogo. O torcedor da capital também não. Dizer simplesmente “torne-se Avanti” não vai resolver. Pior – pode causar rejeição ao Programa.

Mais ainda: o time é líder do Paulistão, tem uma chance real de ser campeão paulista, no ano do seu centenário, está num bom momento. Por que a diretoria não usa esse movimento positivo para unir? Há uma diretoria de torcidas. Que seja menos política e mais técnica. Que chame os torcedores e seus representantes – organizadas inclusive – e abra o diálogo. Acho que parte do palmeirense aplaude essa guerra contra as organizadas. Eu não. Vejo brigas – WTorre, inauguração da nova Arena, sindicâncias, revanchismo político, organizadas – e acho que estamos passando 2014 falando mais de uma agenda de conflitos do que de construção.

O que não dá é ficarmos com esse espírito de guerra de todos os lados. Não é bom. Não funciona. As Organizadas têm suas deformações, mas não vão sumir da noite pro dia. Estarão lá, com todas as suas idiossincrasias. Querer negar isso é – usando a imagem de um grande amigo – lutar contra moinhos de vento.

Concordo que também não se pode dar regalias nem tolerar violência. Então que se sentem à mesa e discutam. Que não haja palmeirense mais importante do que outro.

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E o que tudo isso tem a ver com política?

Quem anda nas alamedas sabe muito bem que o sócio-torcedor (talvez esse Avanti aí, talvez outro) será eleitor.

No limite, quem sabe daqui a 5 anos, esse torcedor estará votando.

Que belo capital político terá aquele que abraçar esse sócio-torcedor, não é mesmo?

Esse é o ponto da coluna do meu amigo palestrino Alberto Cunio na última semana. Há um projeto em incubação para que esse sócio-torcedor vote. Daqui a alguns anos. Provavelmente coincidindo com as eleição de 2016 (ou 2017 se vingar o aumento de um ano do próximo mandatário palestrino, que deve ser Nobre).  Tudo isso não é especulação. É fato. Logo, esse ST terá poderes políticos. Num outro modelo, num outro formato.

Só isso. Tudo isso. Não querer ver a oportunidade de usar esse capital político é ingenuidade demais…

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Então opine. Mas na boa. Pode discordar, concordar, achar que está tudo certo ou errado. Mas se entrar com ofensas ou com conversinha de oposição política, nem perca tempo. Vá prá outro site. A tolerância aqui para esse tipo de conversinha é a mesma que deveria ser com violência na sede do Avanti: ZERO.

Boa semana.