Opinião: vamos vender o Mickey Mouse!

Por Vicente Criscio

Em mais um domingo de final sem o Palmeiras na agenda, volto-me para a discussão de elenco, despesa, receita e pego carona no tema brilhantemente abordado da coluna Futebol com Números da última sexta-feira.

Elias foi contratado pelo Corinthians por R$ 4 MM por 50% dos direitos econômicos. Tem 29 anos.

Alguns rapidamente criticaram: jogador de 29 anos? Quando o Corinthians vai conseguir vender esse jogador e recuperar esse investimento?

Os clubes – em sua enorme maioria – ainda não descobriram a pólvora: o Elias vem para o Corinthians para fazer o time ganhar dinheiro com destaque, vitórias, formando torcida, etc. Não vem para ser vendido.

Então tá errado contratar jovens jogadores?

Claro que não! O jogador jovem é importante porque deveria vir pagando-se um “prêmio” menor (já que não sabemos se vai vingar). Mas não para ser vendido. Contratar jogador de 19 anos e vender com 21 é bom para agente de futebol, empresário, intermediário e prá quem compra. Não para quem vende.

Digo isso porque me dói ver notícias de que Valdívia e Wesley podem tomar o caminho de Barcos e Henrique. Junto com Prass (e agora Kardec) eles formam as nossas pequenas pérolas num oceano desolador. Ora, mas isso é tão óbvio e muitos brilhantes dirigentes não percebem isso?

Parece que não. A atual administração acredita fortemente que consegue montar um bom time mais barato que os seus concorrentes e disputar títulos. Versão estilizada do BOM e BARATO.

Essa tese tem UMA ÚNICA VERDADE e INÚMERAS FALHAS.

A VERDADE:

– um time de futebol tem que ter saúde financeira; para isso precisa ter uma equação de DESPESA DE ELENCO / RECEITA DO FUTEBOL (em clubes ingleses, espanhóis e alemães esse índice fica entre 50%-80% da receita do futebol). Portanto seja consciente do ponto de vista orçamentário de que há um teto. Mas vá atrás de RECEITAS para subir o teto!!!

AS INÚMERAS FALHAS:

– não há time “bom” e “barato”. Peguem o caso do Ituano. Se ganhar o título hoje (E MESMO QUE NÃO GANHE) não será mais um time barato. Alguns clubes vão querer levar seus jogadores. Se o Ituano quiser ser competitivo vai ter que dar aumento de salário e reter seus talentos. Deixou de ser barato (na perspectiva do Ituano);

– o importante NÃO É ser barato e bom. O importante é TER ÍDOLOS, DISPUTAR TÍTULOS, GANHAR ALGUNS E PERDER OUTROS (porque isso faz parte do futebol) E ASSIM FAZER TORCIDA, VENDER PATROCÍNIO, GERAR RECEITAS DE MARKETING.

Não dá para se gerir um time de futebol da dimensão do Palmeiras pensando apenas na despesa. Não dá para se vender ídolos porque são caros (sem pensar se estão gerando torcida, trazendo valor). Não dá prá ser um time pequeno comprando leandros e pensando que daqui a dois anos vamos vender com um prêmio pelo valor pago sabe-se Deus por qual maluco. Ou se tem competência para gerar receitas cada ano maiores que no ano anterior ou vá prá casa.

Ah mas a culpa é das administrações anteriores… hum hum…

Falei num artigo há muito tempo: a lógica do BOM e BARATO (implantada pela atua gestão) se fosse aplicada na Disney, apontaria para a venda do Mickey Mouse. Eita Rato caro e complicado de se administrar!

Saudações Alviverdes!