Tia Rô

Por Anônimo Torcedor

Muitos de nós temos na família palmeirenses que nos influenciaram, nos pintaram de verde, nos fizeram palmeirenses. Um tio, um primo, pai, irmão. Tia Rosângela, para seus sobrinhos apenas tia Rô, é uma destas pessoas. Aquela tia que cada um de nós tem, ou gostaria muito de ter.

É dentista em Rio Preto, no interior de São Paulo. Oitava filha numa linha de dez. Sete mulheres e três homens. Não sei desde que idade lembro da tia Rô. Mas tudo que lembro dela tem o Palmeiras como pano de fundo. Palmeirense fanática, adorava o Leão, o Leivinha, o Luis Pereira! Viveu na adolescência e juventude os tempos de glória das duas academias. Sofreu depois, até a Era Parmalat!

Tia Rô é responsável pela catequização e conversão de muitos dos seus sobrinhos. Como sempre foi muito querida, espalhou por eles esta paixão que tem pelo Palmeiras. Mesmo na época das vacas magras, da triste década de oitenta, vibrava assustadoramente. Sim, mesmo com  aquele timeco. Tinha um rádio de 4 faixas, para poder ouvir no meio de chiados os jogos, numa era pré-pay-per-view. Seu rádio tinha até nome, Frederico se não me falha a memória.

Casou-se, e na lua-de-mel estava no Rio quando o Palmeiras de Telê enfiava sonoros 4 x 1 no Flamengo de Zico e Coutinho. Não foi levada ao jogo pelo recém-marido! Mesmo criança, lembro dela reclamando com ele deste pecado mortal.

Apesar de viver o Palmeiras intensamente, de corpo, mente e alma, nunca foi assídua frequentadora dos estádios. Como muitos de nós, mora longe. Até pouco tempo atrás não havia ido a jogo no Palestra Itália. É a prova, viva, do que representa ser torcedor do Palmeiras. Mesmo longe das bancadas.

Qualquer vitória do Palmeiras tia Rô está alegre. Nas derrotas, sofre, chora, briga de verdade com as pessoas, mesmo as queriadas. Todos lembram na família o dia em que abria uma garrafa de 2 litros de Coca-Cola, no exato momento em que o Palmeiras marcava um gol. Pulou tanto para comemorar que, quando caiu em si, pouco restava do refrigerante na garrafa. Agora, o teto, a sala, o chão, e a família…..

Teve três filhos, obviamente todos palmeirenses. Já tem 2 netos, também palmeirenses. Jovem de espírito, muitas vezes chama-os com um carinhoso “vem com a tia!”… até lembrar-se que é avó! Assina seus e-mails e mensagens com os inconfundíveis “beijos verdes”.

Dias atrás, em uma das inúmeras reuniões familiares que organiza, soltou solenemente:

Amo muito tudo na vida! Mas pela ordem:

1)   O Palmeiras

2)   Meus Netos

3)   Vocês todos.

Entre vocês todos, sobrinhos, amigos, genro, noras e, é claro, seus 3 filhos. Que não se importam. Pois sabem a mãe que têm!

PS. Recentemente recebo dela esta foto e mensagem. Dispensa explicação.

“Domingo antes do jogo Pedro chegou em casa com seus filhos para a partida. Lucas veio no meu colo e pela primeira vez falou baixinho no meu ouvido: Palmeiras. … e eu chorei. Olha só que lindo eles ficaram… Mil beijos verdes hoje e bom jogo. Junto com Felipe vou gritar gol por vc tambem. …”