Opinião: encruzilhada

Por Vicente Criscio

A saída de Gilson Kleina obriga essa gestão a tomar uma decisão que tem impactos no seu discurso e na tentativa do modelo de “custo baixo”.

Mais importante que julgar “por que renovou com Kleina em dezembro” e “por que mandou embora agora”, a decisão sobre o novo treinador pode significar uma mudança na política de “austeridade financeira” (também conhecida como a política do bom e barato) da atual gestão.

Por quê? Vejamos os cenários prováveis:

1. Contratar um treinador “like Kleina”: jovem, que tope um contrato de produtividade, que tenha fome de crescer e mostrar resultado. Poderia ser Cantinflas (flagrado assistindo o jogo nas cadeiras do Pacaembu); poderia ser Doriva; Arce… mas seria uma aposta. Com 6 pontos ganhos em 12 disputados o Palmeiras ainda está uma panela de pressão. Um treinador novo seguraria a pressão?

2. Contratar um treinador “top”. Tite seria um nome para mostrar que aqui é Palmeiras! Dorival Jr. vem de resultados ruins, mas pode (ainda) ser considerado treinador de ponta. Ney Franco também pode ser considerado “top”. Já dirigiu grandes clubes, já foi campeão no SPFC; com apetite poderíamos ir lá, tirar o treinador de seu clube e trazê-lo num contrato de três anos e montar um elenco de verdade para o Palmeiras. E temos Luxemburgo. Tá certo que os resultados mais recentes mostram o treinador em decadência. Mas é cascudo, e faria o Palmeiras jogar bola. Podemos criticar o profexô fora das quarto linhas mas dentro delas, ele ainda entende. O problema é o legado que vai deixar…

Qualquer cenário tem prós e contras: no cenário 1, as finanças continuariam preservadas e um treinador “barato” não ia incomodar Mustafá Contursi. Mas o risco é grande. Imaginem 5 ou 6 partidas pós Copa e o time com (digamos Doriva, mas vale qualquer um do mesmo naipe) não engrena e se mantém numa posição perigosa na tabela. Vai mandar de novo embora?  Alto risco!

No cenário 2, um treinador de ponta tem mais chances de fazer o time jogar. E ganhar pontos. Subir na tabela em um campeonato nivelado por baixo daria até a possibilidade de sonhar com uma Libertadores (desde que venham os reforços esperados, coisa que um treinador de ponta vai exigir). Mas vai custar a grana que Nobre não quer gastar. Vai botar mais pressão no marketing e no patrocínio master. E vai bater de frente com Contursi e o COF.

O que fazer?

Cada escolha uma renúncia. A história e tradição do Palmeiras indica o caminho de trazer um grande treinador, reforçar o time adequadamente na janela da Copa, não perder Valdívia e Wesley e buscar pelo menos a Libertadores. Seria a saída honrosa para esse final de gestão de Paulo Nobre. E sua chance de brigar pela sonhada reeleição. Apostar em um treinador novato é risco maior. Pode dar certo, pode não dar. Quem tem peito para apostar? Qual o principal risco se der errado?

O que não pode ser feito: contratar um treinador “tampão” tipo Renato Gaúcho ou Joel Santana. Aí é assinar o atestado da completa falta de planejamento para o futebol. Ou assumir que o modelo, qualquer que seja ele, fracassou.

Torço para que a escolha seja adequada ao tamanho do Palmeiras.

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Mas que fique claro, o mais importante ainda não vi e sei que não verei esse ano: a reforma estatutária que efetivamente transformará o Palmeiras. Aquela que separa de fato e de direito o clube social do futebol. Aquele que vai depender menos de políticos e mais de profissionais com poderes, direitos e deveres (de novo, desafio alguém provar que Brunoro manda alguma coisa na SEP). E que tenha Governança. Que não fique sujeita aos caprichos, desejos e mágoas de políticos.

Esse é o assunto mais importante. O resto é conversa de botequim.

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Aproveito para desejar um feliz dia das mães para todas as mamães de palestrinos ou não. Um domingo bem família a todos.

Beijos e vamos em frente!