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Queremos o direito de sonhar

Por Anônimo Torcedor

O torcedor palmeirense terminou (ou iniciou?) a semana em estado de depressão. Também pudera: numa tacada só, a diretoria de um time rival tirou da imensa maioria de nós as esperanças de um bom ano. Para muitos de nós, Um ídolo. Na sequência tivermos que aguentar duas derrotas em seguida para os cariocas. Uma em casa, outra no Maracanã.

Vida dura…

Mas mais que perder duas seguidas, o pior parece ser perder ídolos. Não, não… tem algo pior. Perder a esperança de cultivar ídolos.

Explico: para boa parte da torcida, principalmente aquela porção mais distante da realidade, distante da Turiassu ou da Marquês de São Vicente, distante dos grupos políticos, dos bastidores, do cotidiano, todos são ídolos! A começar pelo nosso Presidente.

É …. é verdade. O Presidente do Palmeiras – qualquer um – passa no início a ser um ídolo. Um observador mais atento perceberia facilmente que, durante a campanha na vergonhosa série B, Paulo Nobre e sua comitiva eram aplaudidos por onde passassem. Pois o torcedor comum é assim. Tira foto até com o roupeiro! Imagina então o nosso presidente, fama de vanguardista super trabalhada! A modernidade a serviço do Palmeiras. Um homem de posses, e do mercado. Um visionário! Ladeado por gente também competente, como o Brunoro (veja, o Palmeiras tem um CEO). Depois do desastre que foram Tirone/Frizzo, agora temos gente com imagem positiva a nos guiar. Aclamados pela mídia, até! Um orgulho do anônimo torcedor!

Pois é… gostamos de ídolos.

E com AK-14 não foi diferente. Alan Kardec ganhou a torcida desde cedo. Com seus gols, sua serenidade, suas entrevistas. Achávamos que usava a camisa 14 numa alusão ao seu papel neste ano tão importante. Quantos de nós nos emocionamos, choramos até, ao ouvir “… que exista um Evair em cada Alan Kardec….”! Era compromissado com o Palmeiras e com o grupo.

E agora? Para alguns, virou um mercenário! Já ouvimos… “Nem era tão bom assim! E vai conhecer a força da “praga” da nossa torcida!. E viva Henrique!”

Será que esse consolo é suficiente? Criamos um outro tipo de torcedor? Aquele que torce contra os ex-jogadores da SEP?

Pois para boa parte dos palestrinos, mesmo que Kardec seja o 5o reserva do Osvaldo por lá, o que interessa, mesmo, é quem vai fazer os gols por aqui.

E depois de mais esta lambança – já tivemos outras; quantos garotos palmeirenses ainda comemoram o gol tampando um olho com a mão? – o que acertou em cheio a grande maioria dos Palmeirenses foi a percepção clara de que este caminho está errado. De que o Palmeiras precisa ser visto e tratado de outra maneira. De que, gigantes que somos, precisamos nos mostrar e agir como gigantes. Com maiores ambições. Numa semana só ouvir do Brunoro que não temos que ser campeões e perder o Alan Kardec para um rival é demais para nosso orgulho.

Agora, muitos que diziam que ele era imprescindível e que o presidente nunca faria a loucura de perdê-lo, tentam por aí ver apenas o lado anti-ético do rival e do staff do jogador (que realmente existiu). Palmeirenses mais tristes, desacorçoados, são acusados de não serem torcedores de verdade! Modinhas, é a palavra da moda.

E a vida segue. Do lado do torcedor, a esperança (mesmo que pequena) que tamanha pancada seguida pela derrota em tom deprê neste domingo tenha doído MUITO no  gigantesco ego de nossos dirigentes, e que estes percebam a mancada, partam para uma mudança de postura, enxergando e corrigindo as inúmeras limitações de nosso elenco e o caminho errado que adotaram 15 meses atrás. Que nos deem um pouco mais esperança. E que tenhamos ídolos de verdade em nossas fileiras! Ainda dá tempo!

Ficam, para quem não leu, as palavras de um blogueiro. Essa é fácil de entender, até para quem não quer (ou não pode) criticar a atual gestão:

“Não é o caminho correto. Em 2008, alguns executivos do Barcelona visitaram o Corinthians e trocaram experiências com Andrés Sanches. O Barcelona havia vivido uma crise imensa há alguns anos, como a que o Corinthians atravessava então. E o conselho dado foi o seguinte: pense nas finanças, mas nunca esqueça o futebol. Time forte traz auto estima à torcida. Faz o torcedor se transformar em parceiro, em cúmplice de um projeto. E isso significa dinheiro.”

De minha parte, ganhei hoje a camisa nova, assim como meus filhos. Presente da vó! Está simplesmente linda. Pena que seja tão maltratada e tão pouco valorizada.

Arregacem as mangas. Queremos um time forte! Queremos ídolos duradouros! Queremos o direito de sonhar com títulos!

***

Anônimo torcedor é uma nova coluna no 3VV. 

Tenta mostrar a visão do torcedor comum, aquele que desorganizado que é, sem avanti nem carteirinha da Turiassu, pensa apenas naquilo: um time de futebol vencedor. Para ele, e para os filhos. 

63 respostas em “Queremos o direito de sonhar”

se a diretoria tiver êxito no processo de desestruturação da equipe no centenário e continuar com o kleina, vai ficar assim no brasileirão: prass (quando voltar), juninho, lúcio, m. oliveira (?), wendel, josimar, eguren, marquinhos gabriel, bernardo, leandro e henrique… não sei se tem muito o que fazer aí, no banco ficaria o mendieta… o time vai ficar muito fraco depois da Copa, acho que vamos brigar pelo meio da tabela, sul-americana, se tudo der certo…

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