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Por onde anda?

Por onde anda? Pena

Por Ricardo Fragoso

Será difícil encontrar um palmeirense crescido que nunca tenha ouvido pelo menos um trocadilho com o apelido de infância de Renivaldo Pereira de Jesus, o Pena, durante sua passagem pelo Palmeiras. “Ruim de dar pena” talvez seja a bissociação mais marcante e propagada naqueles tempos, os derradeiros da parceria Palmeiras-Parmalat.

Nascido em 19 de fevereiro de 1974, em Vitória da Conquista, município do Estado da Bahia, Pena iniciou sua carreira no clube da cidade, o Serrano Sport Club. Antes disso, porém, ainda jovem trabalhou em uma fábrica de sabão para ajudar o pai, o ‘Seu’ Antônio Damião Jesus, que era pintor e sozinho não podia arcar com o sustento dos seis filhos.

A família dos “Rês”, como é conhecida na cidade, em virtude dos nomes dos irmãos: Renivaldo, Reinaldo, Renilton, Renildo, Renilda e Liana, desde cedo incentivou a carreira do irmão mais talentoso com a bola nos pés.

Seguindo o sonho de milhares, Pena debutou profissionalmente aos 19 anos na vitória do Serrano contra o Poções, mas acabaria por ver o próprio Poções se sagrar campeão da segundona do campeonato baiano naquele ano de 1993.

A seguir, viraria a casaca, trocando o Serrano pelo rival local Vitória da Conquista, clube pelo qual seria campeão baiano da 2ª divisão em 1995. Em 1996, o Tigre de Americana estava à caça nas zonas prosaicas do futebol brasileiro, e por pouco mais de dez mil reais, à barganha trouxe Pena ao futebol paulista.

O início de Pena no Décio Vitta foi complicado. Poucos meses após deixar sua cidade natal, a mãe do jogador faleceu na Bahia. Além disso, Pena vivia constantemente às fardas com o presidente do Rio Branco.

Sem se firmar de pronto e com desavenças com a diretiva do clube, após curto período na Paraguaçuense/SP, acabou sendo emprestado ao Ceará em 1998, onde foi campeão cearense. Seguiu à Europa, testado e aprovado no Grasshopper da Suíça, acabou recusando a oportunidade pelo frio, climático e cultural.

Retornou ao Rio Branco e começou a firmar seu nome no futebol. O Rio Branco disputaria o Campeonato Paulista e havia montado um elenco com nomes interessantes: Marcos Sena, Sandro Hiroshi, Pena e Osmar Cambalhota integravam o plantel do Tigre naquele ano de 1999.

Depois de bela campanha no Paulistão, que conduziu o clube ao quinto posto na classificação final, Pena chegou ao Palmeiras a pedido de Luiz Felipe Scolari, por R$ 1 milhão, sendo o passe dividido entre três donos: Palmeiras 25%, Parmalar 25% e um empresário espanhol 50%.

Estreou em setembro, diante do Sport no Palestra Itália, substituindo o centroavante Oséas. O primeiro gol de Pena, no entanto, saiu apenas em sua quinta partida, na goleada por 6×0 sobre o combalido Botafogo. Este foi o único gol do avante pelo Palmeiras em 1999.

Foi Pena quem fez o primeiro gol da Sociedade Esportiva Palmeiras no novo milênio. Após os dois gols na estreia do Rio-SP, o jogador reclamou publicamente do salário que recebia no clube. Os dirigentes justificaram que o atacante estava pedindo uma remuneração acima dos novos padrões estabelecidos pelo Palmeiras com a iminência do término da relação com a Parmalat. Luiz Felipe Scolari intercedeu junto à diretoria e o jogador obteve um pequeno reajuste.

As atuações de Pena no início do ano o credenciaram à titularidade, compondo a ofensiva por vezes com Euller ou Basílio. O jogador também chegou a jogar improvisado no meio-campo, durante as ausências de Alex.

Em março, o Palmeiras se sagrou o primeiro pentacampeão do Torneio Rio-SP, em cima do badalado Vasco da Gama, ao impor um 4×0 no Morumbi. Pena iniciou os trabalhos naquela noite com uma ‘tijolada’ da entrada da área – seu principal atributo – sem chances para o goleiro Hélton.

Cansado de ser confundido pelos torcedores em campo, que gritavam ‘Asprilla’ cada vez que Pena tocava na bola, o jogador adotou um estilo capilar único para a época: o cogumelo ou bomba-atômica, Pena raspava as laterais da cabeça, deixando um volume no topo. A descrição visual vem colada abaixo.

Durante a campanha da Copa Libertadores da América de 2000, Pena marcou cinco gols, incluindo um no primeiro jogo da final diante do Boca Juniors em La Bombonera e se destacou no cenário internacional.

Antes do jogo de volta, Pena novamente reclamou publicamente de seu contrato, ameaçando deixar o clube caso não houvesse uma valorização.

Com a perda do título, a multinacional italiana começou a desintegrar o elenco: Roque Júnior foi vendido para o Milan-ITA e seguiram Euller e Alex durante a ‘liquidação de inverno’.

Em julho, o Palmeiras venceu a Copa dos Campeões, competição de tiro curto disputada no nordeste do país. Pena foi expulso na semifinal diante do Flamengo, e acusou o apitador Márcio Rezende de Freitas de favorecer os cariocas, saindo escoltado pela PM de campo.

O início de Campeonato Brasileiro foi tenebroso para o Palmeiras e para Pena. Desmontado e já sob a filosofia do “bom & barato”, o Palmeiras acumulou sete partidas sem vitória e amargava a zona de descenso.

Durante a goleada do Internacional de Porto Alegre no Palestra Itália e no empate com a Universidad Católica-CHI pela Mercosul, Pena foi duramente hostilizado pela principal organizada do clube, que bramava sua saída: “Ah que bom seria, se o Pena voltasse pra Bahia”. O jogador respondeu com gestos obscenos e iniciava-se o capítulo de sua saída do clube.

Após o episódio, o jogador abandonou o clube à revelia e foi à Espanha negociar sua transferência. Após duas semanas de impasse, o Palmeiras aceitou a proposta do Porto-POR, por US$ 2,5 milhões, segundo noticiou a imprensa.

Ao todo, foram 50 jogos com a camisa alviverde, 15 gols marcados e algumas confusões.

Aos 27 anos, Pena teve uma história de altos e baixos no Porto. Logo na primeira temporada, ao lado de Deco e com a incumbência de substituir o renomado Jardel (vim, vi, não joguei), Pena marcou 29 gols com a camisa 31 do FC Porto, estrelando como o segundo jogador com mais gols em toda a Europa, somente atrás de Shevchenko. O sucesso foi tremendo, Pena marcou gols em nove partidas seguidas, um recorde em Portugal. Afirma o jogador, que à época, Felipão solicitou seus serviços à Seleção Brasileira, mas não pôde atender a convocação em virtude de uma pubalgia.

Na temporada seguinte, porém, o declínio veio tão rápido quanto o sucesso.

Prontamente, as manchetes passaram de “Valeu a Pena” ou “FC Porto sem Pena do Sporting” para “Até dá Pena” ou “FC Porto pena para empatar”. O Estádio das Antas, que na temporada anterior delirava com a fartura de gols do atacante, agora sofria com a baciada de gols perdidos pelo jogador.

Em meados de 2002, José Mourinho assumiu o time e prontamente renegou Pena ao exílio. Acabou emprestado ao Strasbourg da França, após especulação no Flamengo. No ano seguinte, jogou emprestado ao Sporting Braga, assistindo o FC Porto levantar o caneco da Europa pelo televisor. Em seu último ano de contrato, disputou o campeonato português pelo Marítimo.

Quando, aos 31 anos, acertou com o Botafogo-RJ, já restava claro que a carreira de Pena havia atingido o pico e começava o declínio. Pena conquistou o Cariocão de 2006, mas praticamente sem jogar. Na segunda metade do ano, acertou com o Paulista de Jundiaí.

A partir de 2007, Pena começou a perambular pelo nordeste, quando defendeu o Confiança-SE e o Serrano-BA, antes de chegar ao Madre de Deus-BA em 2009. Aos 35 anos e apesar do condicionamento físico longe do ideal, Pena marcou seis gols no campeonato baiano de 2009, evitando o descenso do caçula Madre de Deus.

Depois de tantas andanças, Pena retornou ao clube ‘do coração’ em 2010 para ajudar a recolocar o Serrano-BA na elite do futebol baiano. Permaneceu no clube em 2011, já praticamente vivendo a vida de jogador-cartola. Acima do peso e convivendo com lesões, Pena colaborou na campanha que levou o Serrano às semifinais do campeonato baiano, perdendo a vaga na final para o futuro campeão Bahia de Feira de Santana, saindo do time devido às dívidas trabalhistas.

Atualmente, aos 40 anos de idade, o aposentado Pena raciona seu tempo em Vitória da Conquista entre partidas de confraternizações e a administração de seus investimentos imobiliários na cidade.

Tanto no Palmeiras quanto no Porto, – os dois clubes mais proeminentes da carreira do jogador – Pena vivenciou conjunturas parecidas. Chegou desconhecido, marcou gols, agradou, envolveu-se em confusões, o rendimento caiu para lá de pífio e ficou marcado pelo apelido.

Dotado de um faro de gol bipolar, Pena era carente tecnicamente. Seus pés eram verdadeiros tijolos, dada a prontidão e rudeza com que a bola era por eles expelida; por vezes ela estalava o fundo da rede, mas, na grande maioria, a redonda se perdia pela atmosfera. Talvez a verdade seja que Pena passou ao lado de uma grande carreira. Uma pena.

Saudações Palestrinas!

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Cabelo cogumelo

PenaPortoCABELO

Fim de carreira no Serrano

Pena-Serrano-2011

 

Pena Atualmente

PenaConfraternizacao40anos

 

18 respostas em “Por onde anda? Pena”

Me lembro bem de um jogo no Morumbi contra os gambás – Brasileirão de 1999, se não me engano – que o Felipão escalou o Pena de forma surpreendente. Sua função – única, por sinal – era anular Freddy Rincón, na ocasião o grande destaque do meio campo dos trastes da Marginal sem número. E, bingo! Como a função era simples, Pena a executou com maestria e o primeiro tempo terminou com um sonoro 3 a 0 para o Verdão. Na segunda etapa, o Palmeiras tirou o pé e o placar final foi 4 a 1. Impossível não lembrar da cara dos curicas que não conseguiam entender o que estava acontecendo…

Eu vi o primeiro gol do Pena com a camisa do Verdão. Estava no Parque Antártica no sábado em que goleou o Botafogo por seis a zero.

Tenho boas lembranças dele tinha faro de gols desde a época do Rio Branco.
Oportunista dentro da área e rápido quando atuava aberto nas pontas foi uma lastima ser interesseiro e querer ganhar mais não lembrava disso.
Tenho boa lembrança dele hoje seria titular absoluto

Pena foi um dos atacantes que mais me deu alegrias. O gol dele na Bombonera foi sensacional e o que mais me fazia gostar dele era o fato de que não tinha medo de nada.

Lembro dele fazendo alguns gols e lembro também que foi quando começou a jogar como titular que surgiu a politica mais destruidora na sociedade esportiva palmeiras, o tal BOM E BARATO, que até hoje só deu e continua a dar prejuizos, e que parece não ter fim, pois a cada que entra para presidir, a conversar é a mesma: não temos dinheiro para grandes investimentos, não faremos grandes contratações, mas montaremos um time competitivo! E a competição é para não cair e nunca por títulos, a não ser que seja de série B!

Para mim, um bom jogador e era uma boa promessa no Palmeiras, fez ótimas paridas no então extinto Torneio Rio-SP, foi bem também na Libertadores inclusive jogando bem contra os gambás!!!

A pena é ver um jogador promissor não saber organizar a sua carreira. Poderia ter sido um grande jogador no Palmeiras, mas logo que começou a despontar, já pediu dinheiro. Mercenário e interesseiro. Jogador que pensa só no dinheiro é uma porcaria.

Indicação do Capataz Caduco. Esse FDP que fez o Palmeiras pagar 7 milhões pelo Luan, indicou Diney, Fernandão, Rivado. Pedro Carmona, Gerley e outros. Treinador safado.

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