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ARENAS – SABEM VENDER.

Por Claudio Baptista Jr.

Mais um exemplo americano de como se promove e rentabiliza o clube tendo foco no relacionamento com seu torcedor.

O clube de futebol americano São Francisco 49ers inaugurou este ano seu novo estádio e desde o início de 2014 anunciou a venda total dos ingressos para a atual temporada. A arrecadação de aproximadamente a metade do valor de investimento da construção, US$1,3 bilhão, é proveniente da venda das propriedades de direitos de lugar (seat licenses) que dão direito a compra dos pacotes de ingressos para temporada (season tickets).

Os poucos ingressos disponíveis para jogos separados, ou unitários, são colocados dentro de um programa de relacionamento mais abrangente, cujos valores não são tão caros como aqueles disponibilizados no mercado através de revenda pelos compradores da propriedade de seat licenses e pacotes de season tickets.

Claro que vocês já perceberam algumas diferenças com o que se faz no Brasil através dos programas de sócios torcedores tendo como lastro o desconto e prioridades de ingressos, tornando estes programas bem limitados e pouco atrativos quando pensamos em toda a torcida.

Não temos apenas o exemplo dos 49ers que desde 1982 consegue este desempenho. Outras equipes de diferentes modalidades esportivas também apresentam esse sucesso de vendas.

Agora, como se consegue vender com tanta eficiência?

A resposta passa obrigatoriamente por estrutura profissional real separada da politicagem.

Esses exemplos americanos e de outros lugares no mundo demonstram a necessidades de se modificar radicalmente os modelos amadores ou profissionalizados de mentirinha instalados por aqui e que impossibilitam a geração de um circulo virtuoso.

O 3VV esta semana volta novamente, e de forma insistente, a tocar nesse assunto no Drops de 06/10.

DROPS 3VV → COMEÇA A CORRIDA… E CUIDADO COM AS PESQUISAS

Vocês já imaginaram um clube como o 49ers ou qualquer outro que conseguiu se profissionalizar de fato não ter definição antecipada de como vai entrar na nova casa e oferecer as alternativas a sua torcida? Com uma equipe muito abaixo das suas tradições? Brigando com quem deveria ser parceiro e que mesmo buscando o que se considera ser seu direito, não encontrar soluções e apresentar apenas justificativas, perdendo assim oportunidades, dinheiro e desvalorizando sua marca perante o mercado? E ainda mais no ano do seu centenário?

Como diria uma propaganda de tubos e conexões, muita gente seria “descontinuada, desprosseguida…”.

MERCURY NEWS → 49ers sell out Levi’s Stadium — few single-game tickets coming

Abraço,
Claudio.

16 respostas em “ARENAS – SABEM VENDER.”

No Allianz Parque poderia ser adotado um sistema híbrido. As cadeiras especiais para season, as demais, vendas avulsas, com preferência para os sócios-torcedores. Aliás, eu passaria a administração do Avanti para a AEG.

O Palmeiras, se fosse dirigido por gente centrada e séria, seria um dos 10 maiores clubes de futebol no mundo em arrecadação e renda. Nossa torcida, nossa marca, nossa Arena e nossa história dá respaldo para isso. E uma única coisa consegue jogar tudo isso na lama: nossa política.

Claudio, uma dúvida sobre o Allianz Parque: o que seria aquela parte de concreto (sem cadeiras) atrás do gol da ferradura, na parte de baixo do anel inferior?? É a área para cadeirantes? Abraços

Daniel, como aquele parte faz parte do anfiteatro, penso que aquele espaço deve ser destinado a algum tipo de recurso para os eventos naquele local como mesas ou equipamentos.
Abraço.

Já escrevi aqui em outras oportunidades que a venda dos “carnês” para a temporada poderia ser implementada na SEP tranquilamente, desde que, obviamente, tivéssemos um time minimamente decente para a temporada.
Nosso estádio terá capacidade para 43.000 pessoas em dias de jogos. Pois bem, vamos arredondar para 40.000, por conta da torcida adversária, separação de torcida, etc…
A SEP poderia vender 30.000 carnês a um preço médio de 50 reais por jogo. Logo seriam 1,5 milhão por jogo garantido. Pegando os 19 jogos do brasileiro seriam 28,5 milhões por temporada. E ainda sobrariam 10 mil ingressos para serem vendidos conforme a procura. Com um time na ponta da tabela, poderíamos imaginar um ticket médio de 80 reais e seriam mais 800 mil por jogo, ou 15 milhões no campeonato brasileiro. Arrecadação total de 43 milhões, sendo no mínimo 28 milhões certos durante o campeonato brasileiro.
É claro que, como escreveu o Maurizio anteriormente, a falta de planejamento do calendário, com alterações de horários, perda de mando de jogos, etc. complica na hora de vender os “carnês”, mas acho que é uma opção muito melhor do que a do sócio torcedor, que poderia ser direcionado para outra área, a de relacionamento.
Eu, morando em Londrina, me associei ao Avanti (meu certificado veio assinado pelo imbecil do PN) no plano prata, pensando em ajudar o clube e assistir a um jogo a cada dois meses ou três. Enfim, acho que o caminho tomado pelos clubes brasileiros equivocados.

Opa, os caras conseguem mesmo vender. E o ponto chave disso é a profissionalização e a competitividade mantida nas ligas, além de um público ávido por quaisquer atividades esportivas. O draft mantido pelas ligas profissionais permitem equalizar o nível técnico entre os times. Não há um superfavorito em todas as temporadas, e sempre há uma boa surpresa. E sobre as lotações, apenas um parênteses, Winnipeg, capital de Manitoba, no Canadá, recebeu há três anos a volta do seu time na NHL (liga de hóckey) e vendeu todos os 15.500 ingressos, em apenas dois dias, para as duas temporadas seguintes, criando uma fila de interessados para comprar ingressos somente 3 anos depois. Isso que estou falando de uma cidade de 700 mil habitantes, menor que Campinas!

Não, o PN não é Gambá. Ele pode ter errado muito na presidência, mas isso, com certeza, ele não é. Lembre que ele sempre levou a marca Palmeiras para todo os lugares onde correu de rally. Quanto ao Mumu, não coloco minha mão no fogo.

Somente os cegos e surdos que dirigem o Palmeiras não enxergaram (e não enxergam) a oportunidade de parceria que se apresentou desde o início da construção da nova arena. Mentes podres que acham que irão se tornar o centro dos puxa-sacos comprando briga com quem deveria estar de mãos dadas.

Confesso que queria a vitoria do Nobre em 2013. Errei. Hoje, porém, sou obrigado a dizer que quem deseja a continuidade dele, das duas, uma: ou é alienado ou mustafista.

Claudio, posso estar completamente engado, mas penso que para se implementar um season com sucesso, primeiro deve se ter um calendário de jogos com dia e horários definidos. Compro o season, sabendo que a SEP vai jogar de quarta as 21:00 e domingo as 16:00, p. ex,. Assim, consigo me programar e assistir aos jogos. Mas aqui, metem jogo 19:30 no meio da semana. É um inferno, para quem não mora nas proximidades do estádio. Realmente o season é muito interessante, mas cabe acertar esse pequeno detalhe.

Maurizio, dependendo da setorizacao do estádio, variadas opções de ingressos podem ser disponibilizados.
O modelo americano esta consolidado. Aqui pode ser integrado dentro de um plano com outras opções. A SEP parece enxergar poucas.
Abraço

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