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OPINIÃO: apequenando expectativas

 

Por Vicente Criscio

Na reta final do Brasileirão e da disputa eleitoral para Presidente eu vejo um cenário perturbador pro Palmeirense: estamos apequenando nossas expectativas?

Vamos ao post. Esse é longo… os capítulos 1, 2 e 3 contextualizam a situação. O último capítulo responde a pergunta acima.

PRIMEIRO: O (ANTI) CASE ATLÉTICO MG

A pergunta tem a seguinte razão. A derrota para o Atlético MG neste sábado foi a quarta no ano pros mineiros. Perdemos duas vezes na Copa do Brasil (0x1 em casa e 0x2 com o Galo com um time reserva) e no Brasileirão (0x2 ontem contra os reservas mineiros e 1x2em BH).

O Galo estava creio que na 6a posição no início da R33. Disputa a final da Copa do Brasil depois de eliminar o Corinthians e o Flamengo de forma dramática.

Demontracao-Do-Resultado

Tem méritos. E deméritos.

Com uma enorme dívida com o Governo Federal (R$ 270 MM), o Galo entrou no REFIS esse ano. Usou parte da receita que teve com a venda do atacante Bernard para pagar uma parte da dívida. E refinanciou o restante em 15 anos (alguém vai chegar à conclusão que é melhor dever pro Governo do que pro Presidente… clique aqui e leia). Com isso parece ter equacionado o atraso de salários do ano.

Claramente o Atlético MG do folclórico presidente Kalil não é um case de gestão administrativa e financeira. Com dívidas, Kalil vai pedalando a bicicleta. E ganhando títulos. E chegando em finais. E mostrando um Atlético MG vencedor. Kalil na sua forma troglodita faz o que o torcedor quer. Monta times fortes e mostra que é grande. Conscientemente ou não, trilha o caminho de que, time forte atrai torcida e receita. Time fraco entra no círculo vicioso.

Kalil teria vendido Bernard por R$ 77 MM se pensasse pequeno? Teria sido campeão da Libertadores em 2013 se se acovardasse diante das dificuldades financeiras?

Claro que não.

Comparando o quadro ao lado das receitas do Galo entre 2012 e 2013, percebam a diferença. A única linha que reduz em 2013 foi a de receitas de transmissão, provavelmente porque contabilizou como receita as luvas por assinar o contrato com a Globo em 2012 (esse tipo de receita o Palmeiras informa como dívida, e vai diferindo ano a ano, prejudicando assim a demonstração de seu resultado; coisas de Palmeiras e sua política).

Antes que alguém diga que estou defendendo a esbórnia financeira, já aviso: não estou. Acho que Kalil poderia ter sido mais eficiente na gestão das suas despesas. Não sei como, nem me interessa. Mas ele adotou uma estratégia.

E nós? Nossa estratégia nos últimos 12 meses foi de austeridade financeira (mito completamente destruído aqui no 3VV, leia a seguir) e apequenamento da nossa marca e história. Isso é resultado?

 

SEGUNDO: ONDE ESTÁ O DINHEIRO?

E as receitas do Palmeiras? Sugiro lerem a brilhante coluna de Luis Fernando Tredinnick. Na séria “As Finanças do Palmeiras” Tredinnick explica os números palmeirenses. A conclusão: nosso buraco financeiro aumenta (leia o último post da coluna futebol com números clicando aqui. E leia os posts da série As Finanças do Palmeiras clicando aqui).

Mais um pouco: além da grana que entrou (R$ 177 MM em 2013, sem venda de jogadores; o único grande ativo que tínhamos era Barcos, doado ao Grêmio), Nobre teria colocado mais de R$ 100 MM. Onde foi parar o dinheiro? Seguramente parte dele foi para comprar os direitos federativos de Leandro. Os empresários do atacante agradecem. A torcida sobre. O caixa sangra. A dívida aumenta.

E o discurso de austeridade financeira?

No futebol isso não existe. Time forte e que disputa títulos, gera exposição, receitas de bilheteria, de tv e de patrocínio. Quando a atual gestão perceber isso já terá transformado o Palmeiras na Portuguesa. Há que se ter coragem (como teve Kalil?) e há que se arriscar. Algumas vezes vai dar errado. Mas na maioria das vezes dá certo. O time montado será forte e disputará títulos. E entraremos no círculo virtuoso.

Mas precisa ter capacidade de gerar receitas. E isso não é prá amadores…

TERCEIRO: E OS OUTROS?

Ou seja, enquanto estamos dinamitando nossas finanças com o “bom e barato” e avisando ao mercado da bola que teremos times medianos (ou mediocres, como queiram), os adversários se armam.

Alguns com fórmula hoje demonizadas pela atual gestão:

São Paulo contrata Kardec com antecipação de receitas da Globo – Abr-2014;

São Paulo tenta e consegue antecipação de receitas – Set-2014;

O Santos consegue antecipar receitas da Globo – Out-2014;

Nem falo sobre Corinthians, Inter, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio (que trouxe recentemente Felipão e “investiu” em Barcos em 2013).

Em comum: todos com problemas financeiras, maiores que os nossos. Todos se reforçaram.Todos (exceto Flamento) brigando pela Libertadores faltando 5 rodadas pro final do Brasileiro.

Quem ficou prá trás dentre os grandes? Botafogo (vai cair) e Palmeiras. Os dois aumentando sua dívida e sem encontrar o equilíbrio financeiro.

A antecipação de receitas da Globo é um sinal de desequilíbrio financeiro. Essa é uma bicicleta pedalada há tempos pela maioria dos clubes brasileiros, Palmeiras inclusive. Agora pergunto: qual a diferença entre antecipar receitas e pedir dinheiro emprestado ao Presidente (além do natural conflito de interesses de um Presidente que também é credor do clube)?

E qual a efetividade?

QUARTO: ESTAMOS APEQUENANDO NOSSAS EXPECTATIVAS?

Um grande amigo – vou preservar sua identidade – contou-me que foi ao jogo neste sábado. O Palmeiras perdia de 1×0 e parte da torcida criticava a atual gestão. Exceto três jovens torcedores, que elogiavam Nobre, diziam que as contas agora estavam equilibradas e que essa situação era culpa de Belluzzo (Presidente entre 2009 e 2010!!!).

Quase saíram no braço. Felizmente não!

Mas os três jovens torcedores – e tantos outros que hoje batem palma para falsas informações de equilíbrio financeiro – parecem ter apequenado suas expectativas quanto ao Palmeiras. Este meu “jovem” amigo tem perto da minha idade (cinquentão). Viu muitos Palmeiras. Da década de 70, vencedor. Da década de 80, anos de chumbo, mas ainda assim com ídolos. Da década de 90, Parmalat e campeão. E dos anos 2000 – quando a única fase boa foi 2008 a 2010, quando ainda disputávamos títulos.

Nosso inconformismo – dessa minha geração – contrasta com o CONFORMISMO de uma torcida mais jovem e que se acostumou com a mediocridade. Comprou o discurso (falso) de gestão moderna e austera, e que um dia trará resultados. Admite numa boa estarmos em 13o lugar na tabela. Olha a planilha (mas olha errado, sem capacidade crítica) “achando” que os números são bons.

Essa gestão e sua eficiente assessoria de imprensa (eficiente para o discurso defensivo e derrotado do Presidente, e não para sua principal função) está conseguindo “baixar” a barra de expectativa de parte de nossa torcida e destruir a capacidade de indignação de jovens torcedores.

Ou o torcedor Palmeirense acorda para aquilo que é o Palmeiras – vencedor, com uma história de protagonista do futebol brasileiro, e não de coadjuvante – ou realmente será muito difícil sairmos dessa.

Que fique a reflexão. E que a rodada deste domingo nos ajude…

Saudações Alviverdes!

PS: e para não dizer que não falei das flores, já falei algo parecido UM ANO ATRÁS. Como eu odeio ter razão nesses casos… clique aqui e leia.

97 respostas em “OPINIÃO: apequenando expectativas”

Belíssimo texto, Vicente. Uma pena a nossa situação. Tenho 25 anos e vejo muitas pessoas da minha idade conformadas com o time, a posição na tabela, enfim, com o nosso praticamente consolidado papel de coadjuvante. Eu sou filhote da Parmalat. Metade da minha vida vi esquadrões e na outra esses lixos que ano após ano os dirigentes insistem em montar pra jogar com a nossa camisa. A fórmula inicial é muito simples: é preciso montar um bom time. E acabou. Não tem mágica. Não tem essa de montar time mais ou menos e ficar rezando pra acertar na loteria. O resto vem naturalmente: bilheteria, premiações, elevação dos valores de patrocínio e das cotas, valorização dos nossos ativos, etc. Partindo desse princípio, de formar um bom time, que todos os palmeirenses durmam com esse barulho: a espinha dorsal é esta daí. Além disso, Wesley e Valdivia (ilhas de alguma qualidade técnica no elenco) têm seus contratos encerrados na próxima temporada, assim como Prass. Já sabemos como são arrastadas e geralmente fracassadas as tentativas de renovação dessa gestão, então já podemos nos preparar para redução da escassa qualidade do elenco para 2015. Pergunto: onde queremos chegar? Obrigado a quem leu até aqui.

Mais um ótimo texto Vicente. Na minha percepção, cada ano que passa vai piorando a situação da SEP. O discurso inicial do PN passa de longe de suas atitudes, pra mim é a pior Gestão da SEP disparado. Imagino que seja difícil mesmo quem se acostumou a ver academias, craques e mais craques em campo, hoje ter que engolir times ruins de dar pena. Triste demais ver o Palmeiras nessa situação lastimável.

Meu Deus Nobre já está agindo, CHICÃO vem aí.
Nossa defesa será Baiano, Chicão, Lúcio e Juninho Pampers.
E o Gabriel do sub-17, alguém sabe de algo?
E ainda vão votar no Nobre novamente.

Austeridade financeira é a maior balela dessa diretoria!!! O Palmeiras, além da base, só tem como destaques do time o Valdivia, Wesley (mesmo dormindo sabe jogar bola) e o Prass. Enfim, todos jogadores que não foram contratados pelo PN. O tal do PN e de seu acecla Brunoro só contrataram porcaria, jogadores que só servem para série B. O úncio jogador contratado pelo PN que deu algum caldo foi o AK que saiu por falta de comprometimento desta diretoria pelo clube e por sua torcida!!!
Enfim: em dois anos essa diretoria não trouxe um jogador descente, a exceção do AK, para jogar no Palmeiras. Vou tentar lembra de alguns: Weldinho, William Matheus, Marquinhos Gabriel, Eguren, Leandro, Charles, Rondinelly, Mendieta, Lúcio, Henrique, Diogo, André Luís, Felipe Meneses, Bernardo, Vitorino, Marcelo Oliveira, Ananias, Jaílson, Washington, Vilson, Tiago Alves, Tiago Martins, Paulo Henrique, Léo Gago, França, Josimar, Bruninho, Ronny, Kléber, Rodolfo, França, Serginho, Leandro e Bruno César. Faltou também os 4 argentinos que são apenas razoáveis. Enfim, quase 40 jogadores contratados que não resolveram nada, não resolvem e não resolverão. Dinheiro jogado na latrina mesmo que só se pagasse um cachorro quente de salário para esses caras. Esta é gestão PN, papo bonito e apequenamento do clube.

Affff quanto lixo… tem nomes que nem lembrava mais que estava no Palmeiras. Lamentável.

Criscio, vc acha que o conselho de notáveis proposto pelo Pescarmona, de fato, vai ser ativo, ou eleito, o Pescarmona centralizará as decisões e o conselho será para inglês ver?

Imaginei que o time que mais venceu títulos nacionais, que conquistou pelo menos uma vez toda competição nacional que já existiu ou ainda existe, que o primeiro campeão mundial interclubes (oficialize ou não a dona FIFA) inauguraria seu tão sonhado novo estádio num jogo festivo, talvez contra a Juventus de Turim, em memória à final da Taça Rio de 1951, quem sabe contra o Deportivo Cali, nosso adversário na final da Libertadores de 1999, ou mesmo convidando o carrasco Manchester United, que hoje tem craques como Di Maria, Falcão Garcia, Van Persie e Rooney. O apequenamento e o oportunismo eleitoreiro nos proporcionarão uma estreia diante de um adversário do nosso nível atual, num jogo normal de campeonato no qual estarão em jogo os famigerados “seis pontos” já que a única disputa realmente válida será a fuga do rebaixamento. Mais uma linha triste na efeméride maldita da gestão Nobre. E será esse senhor que os sócios do clube reelegerão no próximo dia 29, afinal além do “não temos dinheiro” o que essa administração mais alardeia é que o clube social é a razão de ser da centenária Sociedade Esportiva Palmeiras. Preparem-se para sentir ainda mais saudades dos anos 80.

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