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Opinião

Um voto pelo Palmeiras

 

Por Rodrigo Barneschi

Caros associados da S.E. Palmeiras,

Aproxima-se o dia em que, pela primeira vez na história, o presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras será escolhido não mais por um grupelho tão nocivo à instituição, mas sim pelo conjunto de todos os seus associados. Discorrer sobre a importância desta mudança no processo eleitoral me parece desnecessário, mas, em nome do futuro de um Palmeiras gigante como em tempos idos, é o caso de tomar partido na contenda vindoura.

Temos, pois, duas candidaturas postas. Falemos sobre elas.

Comecemos pelo atual ocupante do cargo, aquele que atende por Paulo de Almeida Nobre. O que dizer dele?

Bom, ocorre que Nobre, se dotado de algum traço de decência, jamais teria se candidatado ao segundo mandato, optando por se recolher depois de dois anos de um fracasso retumbante e permitindo ao Palmeiras seguir em frente. Em tendo se decidido por tamanha irresponsabilidade – como efetivamente fez –, bastaria-lhe um resquício de hombridade para que, ao se deparar com o cenário desolador a que nos levou, retirasse sua candidatura.

O fato de ir em frente com projeto tão nocivo ao clube – e de se portar de maneira omissa diante da crise eterna a que ele parece ter condenado o time de futebol profissional – diz muito a seu respeito. Se não, vejamos:

Paulo Nobre será lembrado, para todo o sempre, como aquele que, deliberadamente, arruinou o centenário do Campeão do Século XX. É a criatura que dizimou todas as nossas esperanças em um ano que deveria ser festivo. É o responsável por nos levar à beira do abismo logo no centésimo ano de uma história gloriosa. É aquele que quase impediu a nossa volta para casa e, ao final, fez dela uma noite de mais sofrimento nesta cansativa derrocada alviverde.

Nobre é o presidente dos dois anos sem patrocinador de camisa. É o mandatário que se escondeu atrás da falácia de austeridade para dilapidar as finanças do clube, asfixiando as fontes de receita e contraindo dívidas com um rentista que, no caso, é ele próprio. É o administrador (?) que jogou contra o patrimônio (o do clube, não o dele) ao insistir em um mantra derrotista (“não temos dinheiro, não temos dinheiro, não temos dinheiro”) desde o primeiro dia.

Nobre é o gestor (?) que se cercou de quadros tão questionáveis quanto possível – não nos esqueçamos, pois, dos bajuladores que ergueram nos braços o “#deusnobre” em mal explicada ida ao Mineirão durante a Copa do Mundo. É o sujeito que se deixou influenciar por uma corja de aduladores, que entregou a imagem do clube ao mais sujo dos inimigos, que assumiu compromisso com todos os erros possíveis e imagináveis. Fez isso não de maneira desavisada, pois alertas e ofertas de ajuda vieram de todas as partes, mas alternando doses cavalares de arrogância e covardia, quando não as duas juntas.

Nobre não é do ramo. Definitivamente. Para piorar, colocou como seu segundo um sujeito ultrapassado e que dedicou este último biênio a duas coisas apenas: amealhar uma fortuna mensal às nossas custas e presentear a nação palmeirense com suas risadinhas irônicas em pronunciamentos pós-derrotas.

Sua gestão foi ainda uma hecatombe do ponto de vista diplomático – na falta de termo melhor. Para além da reação bovina e subserviente diante das armações orquestradas por graúdos dirigentes rivais, faltou-lhe capacidade de relacionamento em todas as esferas: com a emissora de TV (no ano de seu centenário, o alviverde foi alijado da grade de transmissão), com a CBF, com a parceira que acaba de devolver o nosso estádio, com todo e qualquer ator envolvido no mundo e no submundo do futebol.

Não contente com isso, ele foi também o mandatário que mais fez pelos processos de elitização e segregação da torcida alviverde. Se o primeiro ponto se deve a uma política de precificação equivocada e desconectada da realidade, o segundo tem relação direta com seu ego se sobrepondo aos interesses de toda a coletividade palestrina.

O presidente deste biênio perdido (mais um!) passará para a história como o homem que conseguiu desmontar time atrás de time em curtos intervalos de tempo. Será o responsável por fazer o Palmeiras perder quase todos os bons jogadores que teve, de maneiras as mais amadoras possíveis: trocas nunca explicadas, vendas forçadas, renovações contratuais desastrosas – sem que isso servisse para sanar as despesas do clube. Será ainda o gestor que tentou colocar jogadores contra a torcida como forma de justificar negociações tão nebulosas quanto danosas. E será, por mesquinharia e teimosia, aquele que fez o nosso melhor centroavante em anos pular o muro por algumas migalhas.

Sob Nobre, o alviverde imponente virou motivo de piada para torcidas as mais inexpressivas. Derrotas vexatórias se acumulam, jornadas desastrosas empurram o time para o fim da tabela, recordes negativos são quebrados, marcas construídas ao longo de um século vão sendo solapadas, um passado glorioso vai sendo destroçado. Fracassos que antes seriam encarados como eventos catastróficos são agora rotineiros, esquecidos antes mesmo da rodada seguinte. E é então que o palmeirense se pega tendo de torcer para seus grandes rivais contra equipes insignificantes. Neste 2014 interminável, vejam os senhores, perdemos o direito até de torcer contra nossos inimigos.

A verdade, associados palmeirenses, é que Paulo Nobre mostra bem o seu nível ao defender que Paulo Nobre continue à frente do clube por mais dois anos. Se tivesse doses mínimas de vergonha na cara e apreço pela Sociedade Esportiva Palmeiras, não permitiria que a instituição corresse tamanho risco.

Seria agora o momento de escrever sobre Pescarmona, o opositor no pleito do próximo dia 29. Seria. Mas a candidatura de Nobre é tão acintosa, tão nociva e tão desrespeitosa ao Palmeiras que nem me parece o caso de entrar nos pormenores da chapa oposicionista.

O Palmeiras, gigante Campeão do Século XX, não aguenta mais dois anos de uma gestão amadora, omissa e comprometida com o erro. O Palmeiras, imponente que ele só, pode vencer todos os seus inimigos. Mas isso deve começar pelos inimigos de dentro.

“Vote 200!
Pelo Palmeiras de volta. Pelo Palmeiras gigante. Pelo Palmeiras.”

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