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Opinião: Feito para durar?

Por Vicente Criscio

A semana se caracterizou como uma das mais entusiasmadas dos últimos anos pro palmeirense.

A vitória sobre o SPFC, da forma como aconteceu – irretocável – com direito a um gol fantástico, dentro de uma Arena que vai se ajustando ao jeito do palmeirense torcer (e vice-versa) trouxe uma outra motivação pro apaixonado torcedor.

Terminou com o jogo de despedida do Alex neste sábado e o reencontro com ídolos de um passado recente, quando éramos um time que ganhava títulos.

Aí pensando nesse artigo lembrei do livro Feitas para Durar (Built to last, Jim Collins & Jerry Porras, Ed. Rocco 1994). Fala sobre empresas que vencem a concorrência com soluções inovadoras.

Não! Não vejo nada inovador no Palmeiras de hoje. Calma… ainda tomo os mesmos remédios.

Mas a certa altura do livro, o autor afirma que uma empresa que persiste na estratégia correta, em certo momento, faz as coisas encaixarem. É como ouvir um “cleque” onde as engrenagens encaixam. E começa a funcionar.

Aí neste momento o leitor mais atento vai pensar: o Criscio endoidou. Dois parágrafos atrás fala que não há nada de inovador. E no parágrafo seguinte fala que a estratégia está correta.

A estratégia adotada em 2015 por essa gestão (Paulo Nobre no comando) está correta. Montou-se um elenco melhor que 2014 e com condições de – se reforçado adequadamente ainda esse ano – ser competitivo a ponto de disputar o título brasileiro, nossa grande ambição. Trouxe bons jogadores (Arouca, Cleiton Xavier), experientes (Zé Roberto) e promessas (Robinho, Dudu, Gabriel, etc).  Acertou a mão com um palmeirense fanático e finalmente conseguiu gerar receitas na camisa. O Avanti chegou aos 100 mil. A Arena parece ser um grande gerador de receitas, se bem gerida, e se pararem com essa birra pessoal com a WTorre. Ou seja, está entrando no círculo virtuoso que queríamos. Faltava ganhar jogos importantes. Ganhou um. Tem tudo prá crescer.

“CLEQUE”. Ouviu? Parece que encaixou. Parabéns ao PN e seus diretores.

Inovador? Não. Nada disso é inovador. Isso é o básico. Até porque há dúvidas (e não são só minhas) de que o Avanti com esse modelo de desconto é o melhor pro Palmeiras. Tese que também defendo há tempos. O sócio-torcedor tem que ter direito a voto e outros benefícios, e não ser calcado absolutamente em desconto no ingresso. Tema prá outra coluna, qualquer dia.

Mas para mim, inovador é aquele samba de uma nota só que venho falando há tempos. É preciso ser corajoso e quebrar os vínculos com as estruturas políticas vigentes e separar o clube social do futebol. Será bom para todos. Para o clube porque terá uma gestão adequada a ele. Independente, com o conceito de condomínio que defendo há anos. E será muito bom para o futebol, com uma separação de verdade, gerido por um conselho (Board, pros que gostam de anglicismos) com tamanho adequado e representando todas as partes interessadas, inclusive o torcedor. E uma diretoria profissional. Com governança e transparência para gerir o dinheiro que entra e sai. E metas. Como qualquer grande empresa.

Aí sim seremos dignos de dizer que estamos sendo inovadores, e construindo uma instituição feita para durar e destruir seus concorrentes.

No artigo da última sexta-feira de Luis Tredinnick – É hora de mudar? – o autor provoca exatamente esse tema. Se estamos entrando em um círculo virtuoso, por que não?

Fica aqui meu samba de uma nota só. É hora sim prá mudar! E ao contrário do que tentam vender, a liderança dessa mudança tem que vir do Presidente, que tem que promover ESSA inovação. Muitos ganhariam! Poucos perderiam. E quem perderia é absolutamente desnecessário para nossa centenária instituição.

***

E como eu não sei bater na ferradura apenas, vai uma no cravo. Comemoramos muito uma vitória sobre um rival em um clássico. No passado isso era comum e quase nem comemorávamos esse tipo de resultado. Era trivial. Temos que transformar essas vitórias em algo mais rotineiro. E temos que ter pés no chão. O time ainda precisa de reforços para disputar o título brasileiro. Ou não? Deixe sua opinião, mas daquele jeito né…

Saudações Alviverdes!

 

25 respostas em “Opinião: Feito para durar?”

Criscio, muito se cobra sobre mudanças, ex: separação do Social e Futebol. Para que isso ocorra basta o presidente assinar para que isto ocorra, sim ou não?
Ou mudar o estatuto mas, para que isso ocorra tem que ir a votação e neste caso quem tem maioria?
Quem realmente tem poder de permitir a aprovação..
Temos um time melhor do que os últimos quinze anos, hoje temos bons jogadores se vai dar certo é outra coisa. Em minha opinião muitos discordam, mas isso é para tumultuar, jamais será unanimidade. Eu não gosto de política, alias detesto em todas as esferas. Nesse meio todos visam poder um puxando o tapete do outro, enquanto isso a entidade que se lasque.
Ideal seria união em prol do futebol. Minha opinião isso jamais acontecerá.

Com respeito a todos os comentarios mas dizer que INOVAR é manter o planejamento inicial é coisa “de louco”. O planejamento inicial nos arrebentou em pleno centenario deixando-nos a marca de um rebaixamento moral no futebol. Que planejamento é esse???? Arrumou as finanças??? Colocou do bolso mais de 100milhoes e isso é arrumar as finanças?? Que gestão financeira é essa??? Ficamos dois anos sem patrocinio master e agora os temos graças a um PALMEIRENSE fanatico que resolveu investir no clube. Otimo. Mas foi fruto do PLANEJAMENTO ou “sorte” nossa de ter um torcedor em condiçoes de fazer o investimento. E mesmo em 2015 que planejamento é esse que contrata 20 jogadores, mantem o Valdivia ganhando 500 mil por mes sem jogar e contrata uma comissão tecnica meia boca para reerguer o futebol? Reforma do estatuto nem pensar. Separar a gestão do futebol da parte social nao faz parte da pauta. Que planejamento é esse??? PROFISSIONALIZAÇAO E MODERNIZAÇAO da gestao do PALMEIRAS são sinonimos de golpismo. Que profissionalizaçao é essa???? Com todo respeito, cada um escolhe o que acha melhor. Mas tem um ditado caboclo, usado pelos matutos como eu, que diz…. ” Cavalo arisco se ajunta” . A minha tropa não é essa.

Pena que essa mudança, c/ essa diretoria atual e c/ seus apoiadores (que tanto mal fazem ao clube), nunca sairá.

Quando ouço ou leio algo no sentido que o PN quer mais uma gestão as palavras PODER ( PUDER para alguns) e CONTINUISMO ferem os meus ouvidos. Conheço esse filme de cabo a rabo. Nao da certo. Nunca deu. Modificar o estatuto? Nao isso é rasgar o estatuto e dar um “tapa na cara” da torcida. Dito isto vou ao ponto colocado pelo Criscio, com a elegancia e fundamentaçao precisa como sempre, para dizer que essa é a SAIDA para o PALMEIRAS. Da para fazer? Obvio que sim. Se nao sabem fazer é outra conversa. O CRISCIO sabe. Mas o que quero pontuar é…. O PN quer mudar, DE VERDADE, o PALMEIRAS? Tenho minhas duvidas. Para finalizar quero registrar que , na minha opinião, estamos longe de ter um elenco que nos represente dentro dos padroes que a torcida e o clube merecem. Somos o time de domingo e não o de quarta feira. Infelizmente.

Acho que o medo do PN, e um medo válido, é mudar, perder o poder (pois quem elege ali dentro ainda são os que não querem mudança, grande minoria, mas ainda detém o poder), e que o próximo desfaça todas as mudanças e progressos dele. Temos que vestir os sapatos de PN para ver essa situação. Não se enganem, não sou nenhum Nobrete. Acho o PN um péssimo presidente para o futebol, e acho também que ele enfim admitiu isso dando plenos poderes do futebol ao Mattos, luxo que Brunoro nunca teve (isso se chama PROGRESSO do PN, aprendeu). Mas PN arrumou a casa, as finanças. Manteve todo o planejamento que em 2013-2014 parecia extremamente falho, mesmo com todas as críticas do mundo, quase ninguém aprovava seu mandato. Mas ele mostrou que estava certo, e que ao médio prazo seu planejamento era a solução. Por isso eu, que obviamente queria sua cabeça em 2014, hoje o apoio e admito que estava errado. Muitas vezes, principalmente no futebol brasileiro, INOVAR é manter o planejamento inicial, mesmo com resultados negativos no começo. A norma aqui é desespero depois de cada derrota, tudo tem que mudar. Que bom que temos um presidente menos radical e “momentista”.

Vicente, mais uma vez parabéns!! Outro dia um cara postou um texto e ele é bem agressivo para um colunista. Reclamava disso, não ganhar clássicos e tals. Eu disse exatamente o que você falou, agora que estamos entrando no ciclo virtuoso o cara quer dizer que tá tudo errado? Ele não me respondeu, mas concordo com a sua opinião. Vamos devagar que o Santo ainda é de barro.

Perfeito. Mas acho que PN não tem força nem interesse para isso. Vai tentar provavelmente ser reeleito após mudar estatuto! A a parmerada continuará, cegamente, a aplaudir nosso Messias moderninho!

As mudanças estruturais, sugeridas pelo V. Criscio, deveriam se implementadas o mais cedo possível. Se o Nobre encaminhar estas mudanças. caminharemos rapidamente para um futuro brilhante. Agora, se o atual presidente não cumprir as promessas feitas quando da eleição para o biênio 2013/2014, só vejo uma solução para não recuarmos no processo de modernização do Palmeiras, CRISCIO para presidente!!!!!

Hj começa mais uma perseguição homéria a um jogador da S.E. Palmeiras…… depois de Arnaldo Rabbtt taxar Valdívia de cai-cai…..da bambipress esteriotipar Kleber como “violento”…………….agora é a vez de….Dudu….o “provocador”…………….os mesmos caras que reclamam das faltas no Neymar, são os mesmos que dizem que contra nossos jogadores não foi nada ou só uma “força desproporcional”, nada demais…….Apenas observem como funciona a máquina para degenerar nossos jogadores.

Penso que o time precise ainda de um lateral direito incontestável assim como um centro avante, mas vai que esse time encaixa da maneira que está?

Eu gosto do Cristaldo. Acho que precisamos de um LD de seleção. E um meia do mesmo nível técnico do Valdivia, mas que jogue. Com essas duas peças penso que seja possível montar um bom elenco. Ter Valdivia como reserva, que tal? O Valdivia é tão bom, mas tão bom que se ele jogar só 25 min em jogos em casa ou importantes, já vale o salário alto dele. E pro ano que vem é só trocar peças. 1 bom por 1 excelente. Não vai precisar de mudanças drásticas.

Precisamos de um centroavante de porte, com caracteriísticas de goleador (por exemplo: o pirata Barcos), do Valdivia e de outro armador de porte. Lateral esquerdo, resolvido. Acabamos de contratar Egídio para revezar com o Zé Roberto. Quanto ao lateral direito., ainda cabe uma boa chance para o João Pedro, para ver como segue. De qualquer modo, o plantel é bom e deve ser melhorado. As mudanças estruturais, sugeridas pelo V. Criscio, deveriam se implementadas o mais cedo possível. Se o Nobre encaminhar estas mudanças. camunharemos firme para um futuro brilhante.

Estava esperando a tempestade passar pra poder perguntar (não é ironia):
Pq tem q separar? Não da pras duas andarem juntas? É possível estruturar o clube social e o futebol ou a partir do futebol? Podemos pensar em uma SEP forte em outros esportes como vôlei, basquete, demais esportes olímpicos, etc.?
Penso que o futebol bem gerido possa gerar receita para iniciar o ciclo virtuoso também em outros esportes.
Gostaria de um melhor esclarecimento sobre essa necessidade de separação e pode ser através de links q tratam do assunto pois o pouco q li por aqui tratam de um futebol forte mas deixam de lado os outros esportes.

Bruno hoje a estrutura que faz a gestão do futebol é a mesma que faz do clube social. Um Presidente e 4 vices que foram eleitos em 1o turno num filtro de 300 conselheiros e num 2o turno por cerca de 4500 sócios. O Conselho Deliberativo tem 300 conselheiros (148 vagas para vitalícios e 152 eleitos por cerca de 40 mil sócios). Tem ainda o COF, 15 conselheiros eleitos mais 7 suplentes (eleitos por esses 300 conselheiros).

Essa estrutura “gere” o futebol e o clube social. O Mattos, por exemplo (ou o Brunoro, que era chamado de CEO), não podem comprar uma caneta sem a aprovação do gestor político (uso político aqui num sentido literal, eleito politicamente, sem cargo remunerado, e não no sentido pejorativo).

A lógica que rege o clube social é o condomínio. Um grupo de associados pagam uma mensalidade e recebem serviços. Não há paixão aqui. É uma relação de troca. Me dá piscina, campo de futebol, sauna, quadra de tênis, bocha, e eu te dou uma contribuição. Alguns clubes já bem resolvidos possuem uma estrutura profissional, mas a grande maioria tem uma estrutura de gestão de “amadores”. São lá mais de 100 diretorias para acomodar desde a Sede, a bocha, a ginástica, a patinação, e tudo mais.

E o futebol? Esse tem uma lógica diferente. É paixão e negócios. Faturamento 10 ou 20x maior que o clube social.

O problema: o modelo do clube social permeia o futebol. O estatuto é o mesmo, os poderes são os mesmos, a (pouca) transparência é a mesma. Governança nenhuma. Então o que acontece? troca-se a gestão troca-se tudo. O novo gestor não quer aceitar que o antecessor fez algo de bom e destrói as coisas boas.

A separação seria boa pro futebol e pro clube. Não se trata de acabar com o clube. Ele está lá e não há como fazer isso, nem seria o caso. E separar não significa acabar com os esportes competitivos. A separação se trata de dar governança, evitar eventureiros e usurpadores, promover a eficiência e meritocracia, abrir politicamente aos 15 milhões de palmeirenses para participarem disso. Como? longo debate.Mas lhe garanto que é possíve. E que não é sonho.”

Abraços.

Também acho isso. Concordo que o futebol é a prioridade, mas não precisamos tratar o clube social como um vilão. Eu torço pelos Palmeiras, mas nada impede que outra (se bem gerida) ganhe espaço e cresça. O nosso Basquete ta aí. Somos uma Sociedade esportiva. Cabe sim o clube. Acho sim, que o futebol não deve colocar dinheiro em outras modalidades, assim também o inverso. Mas a marca Palmeiras é grande o suficiente pra ter diversas modalidades. Porque não sermos campeões na Natação, MMA, Futsal entre outros?? Não sei porque dessa briga. Acho até cabivel ter um presidente pro futebol e outro pro clube, mas os dois sempre caminhando juntos.

Deixo umas perguntas aos amigos… Ano passado nitidamente a diretoria nao jogava com a torcida, nao trabalhava com a mesma, esse ano EU vejo diferença, concordam comigo? Em termos desde escalação pra jogos até entrevistas… E acho que, assim como qualquer instituição em construção/mudança, o Palmeiras está dando um grande passo esse ano, muito carregado pelas artimanhas da direção e muito carregado nas costas pela torcida que canta e vibra, concordam também, ou estou iludido?

Mais uma vez, uma boa reflexão do Criscio.
Creio que o momento de implementar as mudanças necessário no clube é agora. Até porque, a separação do futebol do clube social era um discurso do Nobre.
Abraço

Não sei se o Nobre separará o futebol do social, mas desconfio que no ano que vem, e só no ano que vem, estrategicamente, tentará dar o direito ao voto aos sócios-torcedores para que ele próprio concorra – especialmente se o Palmeiras nesse período tenha tido conquistas dentro de campo, porque fora de campo já está arrasando – e então seja um candidato imbatível.

Nãoprecisa separar o futebol do social. Apenas fazer com que o futebol não sustente outras modalidades. O clube é tudo Palmeiras. Não precisa separar.

Mateus, leia novamente o texto, procure saber o que se passa nos bastidores do clube e tente rever seus conceitos. O clube é o Palmeiras, e o local acomoda entre outras dependências o Allianz Park. Quem frequenta o clube (piscinas, quadras de tênis, bocha etc) não tem necessariamente vínculo com o time de futebol. Quem frequenta o estádio tem. E isso faz toda diferença.

Criscio, bom dia, como sempre mais um texto muito bom. Parabéns, e como sempre concordo em grau, gênero e número com você. Que bom que temos conselheiros como você dentro do Palmeiras para defender estas ideias.

Parabéns Criscio, poucas pessoas têm a consciência e a coragem de dizer que e o que ainda precisamos mudar, mesmo na hora que tudo está dando tudo certo! E com certeza precisamos de mais uma ou duas peças, mas tem que trazer jogadores prontos e de qualificação bem acima da média, um meia armador e um centro avante nove, nove!

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