Decidindo por penais

Por Luciano Pasqualini

O Palmeiras disputou 56 decisões por penalidades ao longo de sua história, vencendo 28 e perdendo 28. Se considerarmos apenas jogos oficiais(*), são 20 decisões, com 10 vitórias e 10 derrotas. Por fim, houve 11 decisões em finalíssima, com 6 vitórias e 5 derrotas. Absoluto equilibrio, mas antes de detalhar um pouco mais estas decisões, vamos contar um pouco da história fascinante dos penais. Voce sabia que até os anos 60 não havia decisão por penais e tivemos várias decisões importantíssimas no cara-ou-coroa? vamos à história.

O Pênalti

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Tudo começa em 1891, na Inglaterra, quando no último minuto de um jogo decisivo o atacante chutou mas o zagueiro impediu com a mão, em cima da risca. Depois de muita reclamação, o juiz determinou a cobrança de tiro direto mas o adversário colocou os 11 defensores na linha e impediu o empate. Nos dias seguintes foi criado o “penalty”, com a marca dos 7 metros e sem nenhum adversário no caminho entre o atacante e o goleiro.

Graças a esta regra, o Palestra não foi prejudicado na sua estréia, naquela tarde de 1915 em Votorantim contra o Savóia. O anti-jogo do adversário por duas vezes impediu o gol com bola rolando, mas foram marcadas penalidades máximas anotadas por Bianco e Alegretti.

 

Decisões por Cara ou Coroa 

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Hoje soa absurdo, mas até os anos 60 em caso de empate as decisões ocorriam por “cara-ou-coroa” (!!). Sente na cadeira e veja com os próprios olhos este absurdo: 1964, jogo decisivo na Copa dos Campeões da Europa, o campeão alemão (Colonia) jogando em casa contra o campeão inglês (Liverpool), depois de dois empates, estádio lotado, o juiz chama os dois capitães para fazer o cara-ou-coroa, tensão, o juiz joga a moeda que cai de pé (!!) tudo gravado pelas TVs. Na sequência joga de novo e o Liverpool elimina o Colonia, por uma decisão de cara-ou-coroa (!!).

https://www.youtube.com/watch?v=PsUlTd0rJQY

Em 1967 na Taça Brasil, o Atlético MG lotou o Mineirão para uma partida decisiva contra o Botafogo de Garrincha. Revertida a derrota na primeira partida a decisão foi para a moedinha, e até hoje ninguém sabe como caiu a moeda. Fato que quando Armando Marques jogou a moeda, os jogadores do Atlético sairam comemorando com os 100.000 atleticanos e o capitão botafoguense não conseguiu contestar. Veja o vídeo incrivel da confusão toda.

https://www.youtube.com/watch?v=-MtVTzTEagE

Pra fechar, em 1968 com 70.000 pagantes no Estádio San Paolo, Italia e União Soviética empataram a semi-final da Eurocopa e a decisão também foi para o cara-ou-coroa (!!) e a Lira italiana fez a festa da casa, com a Italia indo para a final.

http://www.tempi.it/san-gennaro-il-calcio-in-bianco-e-nero-e-una-monetina-sospesa-tra-italia-e-urss#.VUP9DflViko

 

Decisões por Pênaltis

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Realmente um absurdo, e assim no início dos anos 60 Espanha e Italia começaram a testar um modelo de decisão por pênaltis. A moda chegou por aqui e em 1965, exatos 50 anos atrás, o Palmeiras faria sua primeira decisão de campeonato por penais, uma das primeiras do Brasil, pela Taça Internacional IV Centenário do Rio de Janeiro. Após golear a Seleção do Paraguai por 5 a 2 o Palmeiras pegou na final o Penarol, um timaço que era base da seleção uruguaia. Com o empate, os organizadores haviam proposto em regulamento uma decisão por penais, mas o formato ainda não era o atual. Cada time indicava um único batedor, que tinha a missão de bater 3 vezes seguidas. O Penarol indicou o craque Pedro Rocha, mas o Palmeiras tinha Valdir Joaquim de Morais. Rocha bateu o primeiro e Valdir pegou. Bateu o segundo e Valdir pegou novamente. Só não pegou o terceiro porque Rocha bateu pra fora. Aí ficou tudo mais fácil para Rinaldo, que mesmo diante do monstro Mazurkiewicz, foi lá e converteu o primeiro garantindo o título para o Palmeiras.

Em 1969 o Palmeiras teve sua segunda experiência de penais, contra o Atlético de Madrid na disputa da Taça Carranza. O modelo já havia evoluido para 5 batedores diferentes, mas ainda era com um time batendo primeiro, no caso do Atlético. Dos 5 o Atlético converteu apenas 1. Chicão pegou 3 penais e 1 foi para fora. Os palmeirenses foram mais tranquilos e técnicos. Cardoso marcou o primeiro e Cesar o segundo, dispensando os demais. Palmeiras eliminava o Atletico de Madrid e venceria o Real Madrid dois dias depois conquistando a Taça. No ano seguinte, a FIFA formalizou a regra de 5 pênaltis alternados.

 

Decisões Históricas do Palmeiras

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1972 – Na semi-final do Torneio Laudo Natel o Palmeiras eliminou o São Paulo nos pênaltis. A curiosidade é que Leão resolveu bater o pênalti decisivo (o SPFC havia perdido um), bastava marcar, mas perdeu. A sequencia continuou e Leão se redimiu pegando chute de Samuel e o Palmeiras eliminou o São Paulo.

1988 – Valendo pelo Brasileiro, Palmeiras contra o Flamengo no Maracanã, nos minutos finais Bebeto entrou maldosamente e quebrou o goleiro Zetti. O centro-avante Gaucho foi para o gol e não conseguiu evitar o empate, que veio logo a seguir, mas o regulamento previa uma disputa de penais valendo um ponto adicional e Gaucho fez história, defendendo chutes de Aldair e Zinho.

1999 – Pela Libertadores, eliminação do Corinthians nos pênaltis, levando o Palmeiras à semi-final com o River, e depois na final quando vencemos o Deportivo Cali também nos pênaltis.

2000 – Novamente pela Libertadores, desta vez na semi-final, eliminação do Corinthians nos penais, depois de ter eliminado anteriormente o Penarol da mesma forma nas oitavas.

2001 – Pelo Paulista, em jogo contra a Internacional de Limeira, o regulamento previa que em jogos empatados haveria disputa de penais. A curiosidade é que neste dia o goleirão Marcos teve sua chance, bateu e converteu.

2001 – Libertadores novamente, o Palmeiras avançou através de disputa de penais nas oitavas, contra o São Caetano, e nas quartas, eliminando o Cruzeiro no Mineirão, mas acabou caindo na semi-final também nos penais, contra o Boca.

2009 – Libertadores, eliminamos o Sport em decisão de penais nas oitavas. No total foram 9 disputas de penais em Libertadores, e vencemos 7 delas.

2015 – Eliminação do Corinthians pela semi-final do Paulista, primeira decisão importante deles no Itaquerão.

 

Estatísticas

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56 disputas de pênaltis na história. 28 vitórias, 28 derrotas.

20 disputas de pênaltis em jogos oficiais. 10 vitórias, 10 derrotas.

11 disputas de pênaltis em finais. 6 vitórias, 5 derrotas.

09 disputas de pênaltis em Libertadores. 7 vitórias, 2 derrotas.

04 disputas de pênaltis contra o Flamengo, 4 vitórias. Maior freguês.

(*) considerando como jogos oficiais Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil, Copa dos Campeões, Rio-SP, Paulista. Não considerados os Torneios amadores, nem Torneio Início.

7 respostas em “Decidindo por penais”

Eu estava no Palestra nesse dia que o Marcão teve que bater. Outra curiosidade desse dia: todos os jogadores bateram e o empate persistia, então teve que repetir batedores depois do Marcos, e o Tuta, que já havia perdido sua primeira chance, perdeu a segunda e nós perdemos o ponto extra nesse jogo.

Post legal, muito interessante saber esses dados de nossa história. Espero, no entanto, que o Palmeiras consiga pelo menos empatar a partida, para não termos que sofrer na decisão por penaltis de novo. Mas, se tiver que ser campeão na disputa de penaltis, que seja, então.

Grande Professor Luciano Pasqualini!!!!!

Parabéns pelo brilhante texto e pela aula de história.

Amanhã não vamos alterar essa estatística pois venceremos no tempo normal!!!

Grande abraço!!!!

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