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Opinião: Precisamos falar sobre Kelvin…. e Oswaldo

 

Por Luis Conti 

Não é a sessão “3VV indica”, mas há um filme que todos precisam ver (e não é o relacionado com o titulo do texto). Chama-se “Navigator, uma odisseia no tempo”. O filme neozelandês trata de uma pequena vila medieval na Inglaterra,

assolada pela “peste negra”. Seus habitantes acreditam que a salvação de seu povo seria colocar uma cruz no alto da catedral de uma cidade distante vista no sonho de um garoto. Em uma noite, o garoto e cinco homens iniciam uma jornada que os levará através do tempo e do espaço até o centro de Auckland, grande metrópole neozelandesa, em pleno século XX. A grande odisseia do grupo medieval através das ruas movimentadas da metrópole faz de Navigator um filme interessantíssimo e surpreendente.

O anacronismo na vida real, entretanto, raramente é tão divertido ou produtivo. Trazer coisas do passado normalmente só funciona se acompanhada a uma alma saudosa e dirigida a públicos específicos e normalmente carregada de elementos modernos (O Mini Cooper e que está ai para provar). No futebol, especificamente, o passado é coisa do passado e deve rechear nossos DVDs e nossa memória, mas não nossa realidade.

O futebol mudou muito a partir dos anos 2000 e não é mais um jogo de somatórias de individualidades como já foi no século XX, mas verdadeiramente um esporte de preenchimento de espaços e de ação coletiva (vamos deixar o Messi fora dessa conversa). Quem vê campeonatos europeus ou viu com atenção as ultimas copas do mundo sabe que cada vez mais as referencias individuais estão sendo suplantadas por uma massa coletiva compacta e objetiva. Não há mais grande espaço para dribles ou firulas. O importante hoje é passe, compactação e velocidade.

O espaço deixado entre o centro avante e o Zagueiro nunca pode ser menor do que 25 ou 30 metros tanto com posse de bola quanto quando a equipe adversária ataca. Não importa o quanto se esteja no campo. Os 10 jogadores precisam montar uma faixa de “sufocamento”. E assim no mundo todo. Veja um caso típico. Coloco no “Youtube” um jogo qualquer da UEFA Champions League ou de algum campeonato europeu. No exemplo abaixo, tirado de um jogo aleatório (Manchester x Chelsea) vemos um tiro de meta cobrado pelo goleiro e o posicionamento dos times.

premier-league-3vv

 

Agora vejamos outro tiro de meta, desta vez cobrado pelo goleiro do ASA contra o Palmeiras no Allianz Parque.

sepxasa

Não é preciso dizer mais nada não é?! Acontece que um time treina e estabelece um esquema de jogo “vintage” como este, não conseguirá jogar como o futebol moderno que exige passes rápidos, muita movimentação e abertura de espaços por ação objetiva e coletiva. No futebol do Oswaldo de Oliveira, do Canhoteiro, do Ademir Da Guia, do Heleno de Freitas, do Gerson, o espaço significava o palco do talento significava a passarela de exposição do craque, bonito, lindo; mas hoje isso não existe mais. Hoje o futebol é um jogo de velocidade e absolutamente coletivo em que a individualidade conta relativamente pouco. Quem se adapta sobrevive, quem se ancora na naftalina do passado perece na competição Darwinista do esporte.

Oswaldo vive nos anos 50, com o tal centro avante fixo lá na frente, dois volantes de marcação, um “maestro” no meio dois zagueirões botinudos la atrás. Só falta botar um João Gilberto na vitrola, sentar numa lambreta e ir tomar um Guaraná Garoto no Macaense conversando sobre o Broto que é a Marta Rocha! E assim vamos, como uma trupe medieval caminhando na modernidade do Allianz Parque.

23 respostas em “Opinião: Precisamos falar sobre Kelvin…. e Oswaldo”

Caro caio…

Você tem razão, falha minha. O futebol exigem espaços compactos e a distância entre o zagueiro e o atacante nunca é MAIOR do que 30 metros

Ótimo texto. Mas tenho uma dúvida (perdoem uma eventual limitação intelectual de minha parte): no trecho ” O espaço deixado entre o centro avante e o Zagueiro nunca pode ser menor do que 25 ou 30 metros tanto com posse de bola quanto quando a equipe adversária ataca. ” , o correto não seria ‘ nunca pode ser MAIOR’?.
É por questões como essa, pela necessidade de treinador mais antenado com a realidade, que defendo há tempos que o Palmeiras deve ter treinador estrangeiro, pois os treinadores brasileiros,principalmente os tais medalhões, são umas bestas anacrônicas, mimadas e arrogantes.

Ótimo texto, mas uma dúvida (perdoem uma eventual limitação de minha parte): no trecho sobre o espaço entre o centroavante e o zagueiro, que obviamente se refere aos jogadores em questão do mesmo time, o correto não seria ” nunca pode ser MAIOR do que 25 ou 30 metros tanto com posse de bola quanto quando a equipe adversária ataca.”

Texto nota 10!! Como eu já tinha avisado a um certo tempo. Já estamos quase no meio do ano e ainda o seu Oswaldo de Oliveira não deu um padrão tático ao time, portanto nunca foi treinador a altura das tradições do Palmeiras. A saída desse estagiário de técnico seria a melhor solução para o Palmeiras nesse momento.

Realmente absurda a diferença de disposição das equipes. Vocês podem perceber que quando o Palmeiras perde a bola no ataque o Valdivia reclama e fica andando ou parado. O jogadores não voltam correndo pra reagrupar a marcação, e os time tomam a bola e saem jogando na boa, pois não vêm pressão dos nosso atacantes e meias ofensivos.

Bingoooo, esse é o real problema, fica sempre doía zagueiros e o Gabriel se matando contra o mesmo número de jogadores de ataque do adversário. Nosso problema não é defesa, mto menos elenco. É padrão tático!

Analise perfeita,e não é so o Oswaldo tem vários outros técnicos medalhões ultrapassados,mas desde do começo já sabia que esse técnico não vai longe,tomara que a direção do Palmeiras acorde logo

Uma vitória sobre o Gambá, pode ser muito enganosa !! porque vão deixar tudo como está e pode vir a ser um terrivél golpe no final do campeonato !! Nossos amadores vão se sentir o maximo e continuarão enganando com a mediocridade de O.O e seus mediocres !!!!

Entao o mais triste que pelas caracteristicas do nosso elenco na minha modesta opinião, temos como melhorar muito nosso jogo com um técnico que esteja afim de trabalhar. Não é o caso do Oswaldo. Um time compactado exige um meio de campo técnico, e depois de 200 anos , finalmente hoje temos jogadores técnicos no meio de campo (Arouca, Valdivia, Cleiton, Zé Roberto, Allan Patrick…

Mas, mas, com o O.O. não vai dar…

Mais um texto (excelente por sinal) como muitos outros já publicados que escancara que o nosso problema é muito mais de comando do que de elenco. Parece que todos já perceberam isso, menos o nosso Nobre Presidente………..

Atenção Mattos, para de dar ouvido ao Patinhas Nobre e traz o MARCELO OLIVEIRA. O Cruzeiro quer levar o Luxa e vocês vão esperar perder para os gambás para mandar o OO essa caricatura de técnico embora.
Junto com ele manda os doi Vitor (perebas), João Paulo, Leandro Calapsita, Rafa do coração do OO, Cristaldo etc.
Precisamos de dois zagueiros, um volante (depois que o Robinho fez aquele golaço contra as meninas acabou seu futebol), um 10 e um 9
FORA OSVALDO DE OLIVEIRA morto.

O maior problema ….. e defeito do Palmeiras desde 2008 é a falta de chutes ao gol adversário. Há anos pecamos nisso. Só quem arrisca mais e tenta constantemente chutes ao gol, tem chances de fazê-lo. É a tática mais simples e efetiva.

Simples e certeiro, estava comentando com meu pai, que o problema do palmeiras não eh tanto a tática em si, 4141, 442, 4231, etc, mas sim a compactação. Primeiro que nem conseguimos manter as linhas organizadas, a linha de 4 defensiva fica toda desalinhada, dando espaços perigosos para os adversários. E a compactação, eh essa monstruosidade aí da foto do tiro de meta do Asa. Eh por isso, que mesmo um timeco estapafúrdio como esse, consegue vir tocando bola no nosso meio de campo até a intermediária, sem ser incomodado, fruto dos espaços deixados pela não compactação. Mas para ser justo: não vejo um técnico no país, disponível, que trabalhe da forma desejada. O unico que conseguiu fazer isso, eh tecnico dos gambas, o cara de defunto.

Talvez a melhor coisa que já li nesse espaço. Simplesmente matador!!!! Parabéns, Conti.

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