Paixão da torcida que canta e vibra

 

Por Erika Gimenez Barbuglio

São Paulo, novamente terra da garoa naquela terça-feira, com vento e frio. Por vezes, a garoa aperta, vira chuva mesmo. E já eram quase dez da noite…

Qual seria a motivação de aproximadamente 25 mil pessoas para enfrentar tudo isso, sem mencionar o trânsito e o cansaço do dia, para cantar e vibrar incansavelmente enquanto o Palmeiras entrava em campo para garantir-se na próxima fase da Copa do Brasil, jogando contra o Sampaio Corrêa?

Assim como pergunta-se o que teria motivado, na primeira rodada do Brasileirão, no sábado anterior, mais de 25 mil palmeirenses a prestigiarem a estreia do time, fazendo desse o jogo da maior público da rodada? – mesmo com protesto da torcida organizada pelo preço dos ingressos que, sabemos, não é barato.

O que move, o que tem movido esse exército verde? Como se instaurou tal aliança? Talvez fosse saudade de casa, que agora, renovada, nos recebe com tanta alegria. Mas há algo mais… Estamos comprometidos com um time que mostrou ser possível acreditar em vitórias e conquistas após um longo calvário de amargas derrotas e decepções. E, sabemos, ou deveríamos saber, que numa relação amorosa a paixão nos leva a fazer tudo para impressionar quem amamos – mesmo, ou principalmente, talvez, quando, em determinadas situações não tenhamos do outro a mesma entrega.

Mas agora é diferente. Estamos firmes, fortes, numa relação mais estável e de entrega mútua, em sintonia no amor. Não somos lá muito equilibrados, não creio que viveremos jamais uma relação pacífica, afinal, nossas raízes evidenciam nossa passionalidade. Podemos variar do riso ao pranto em minutos! Ontem, mesmo, por exemplo, fomos da atribulação às gargalhadas… Enlouquecemos com alguns episódios nítidos de imaturidade e infantilidade, para, em seguida, alcançarmos o sublime no grito daquele gol que custou a ser marcado, saindo apenas no segundo tempo, empurrado pelos 25 mil presentes em comunhão dentro e fora das quatro linhas. Gol esse que abriu caminho para os outros quatro. Assim como empurramos e marcamos junto o gol de empate nos segundos finais do jogo de sábado.

Sim, essa relação é forte, mas passional, nada tem de racional; afinal, para que mais racionalidade e frieza se nesse mundo é isso que mais encontramos? Não, ali, dentro e fora das quatro linhas, queremos emoção, paixão, vibração. Por vezes, encontramos dor e sofrimento, angústia e aflição. Concordo que encontramos mais emoção do que o esperado, por vezes, e nos perguntamos se era mesmo necessário, se não podia ter sido mais fácil… Mas não desistimos desse caso de amor, nunca. Porque nos projetamos nele, estamos ali, naquela torcida, naquela camisa, naqueles gritos, construímos ali parte de nossa história e vamos construindo a história desse time que sabe ser brasileiro, branco, preto, mulato, nordestino, japonês, italiano, de toda raça, todo sangue, confundindo-se com a história dessa cidade, terra da garoa.

A relação é conturbada, temos muito que amadurecer, ajustar a ansiedade, treinar as cobranças de falta, lateral e, por favor, de pênaltis. Mas que aprendamos também com a vitória, como sabiamente declarou Fernando Prass ao fim do jogo.

E essa nossa relação é tão notória e especial que perturba os adversários, desorienta, intriga. Ontem mesmo descobri um vizinho torcedor do Sampaio Corrêa em plena Vila Olímpia! Como vibrou quando tomamos o primeiro gol, foi surpreendente! Na sequência do jogo, os gritos de meu filho comemorando um, dois, três, quatro, cinco gols me fizeram dormir mais em paz.

A torcida abraçou o time, a paixão é real e está no auge, isso é fato. Longe de atuações impecáveis, tivemos após a final do Campeonato Paulista dois jogos que podem nos trazer muito aprendizado. Que aprendamos logo, pois a dureza do prélio não tarda.

 

24 respostas em “Paixão da torcida que canta e vibra”

É a paixão. Belo texto. Sou de Jundiaí-SP e sabia q teria q acordar as 4h da matina no dia seguinte por conta de um compromisso. Chegou a passar um breve pensamento de” vai ser foda amanhã e é um jogo gato no saco”, no entanto logo na sequência veio o argumento para encerrar “mas é Palmeiras”. Meia-noite e quarenta em casa (não arredo pé mais cedo do estádio nunca, sempre até o último segundo) mas feliz da vida e otimista para a tripla alegria do dia seguinte: real, spfw e gambá eliminados, que foi concretizada! Faltou só ganhar na mega, hahaha!

SER PALMEIRENSE é diferente mesmo. A Erika foi muito feliz e alinhavou com absoluta sabedoria o que somos e sentimos. O que eu gostaria é que nossa DIRETORIA fosse um pouco mais astuta e inteligente para ENTENDER o que SOMOS. E a OPORTUNIDADE que temos esse ano de sermos protagonistas novamente do futebol brasileiro é UNICA. Ou aproveita ou volta para o rally.

Moçada, com a eliminação dos gambás e bambis, tá na hora de abocanhar o Michel Bastos e o Guerrero, dar uma rasteira nos nossos maiores adversários e transformar o Palmeiras no maior time do Brasil!!!! Chupa bicharada, chupa gambazada!!!!

E o seu vizinho cantou de galo antes do tempo, azar dele. Aviso aos amigos, os moleques jogam no sábado, lá no clube. só a vitória interessa. To pensando inclusive a usar táticas feliponicas…hahahahahahahahaha

kkkkk…. mantém a gente informado…. e se fizer vídeo da mulecada posta em algum lugar pra eu mostrar pro meu muleque…saudações alviverdes!

Diogo, nós gravamos por conta própria, posso te mandar via e-mail se quiser…

e o Palmeiras no ardor da partida, transformando a lealdade em paixão. sabe sempre levar de vencida e mostrar, que de fato e campeão. Parabéns pelo texto. Terça-feria o tempo estava horroroso, os moleques saíram do treino e a Turiassu (ou palestra Itália) estava lotada.

Victor, looooonge de mim querer te corrigir, mas a letra correta do hino é “transformando a lealdade em padrão”, não paixão. Ambas palavras caem bem aí, aliás.
Ih! acabei te corrigindo, rs

hahahahaha você esta corretíssimo digitei errado, no problem. o que eu fico chateado é que no estádio cantam: quem sabe, e não que sabe. relaxa.

Muito bonito o texto mesmo. Parabéns. Expressou prefeitamente o que é ser palmeirense. Quanto ao clube, o Palmeiras está em clara vantagem competitiva em relação aos demais clubes e deve aproveitá-la o máximo possível. O SCCP e o SPFC eliminados ontem (kkkkkkkkkkk) estão com o pires na mão, tende a haver debandada em ambos, vão se enfraquecer e os clubes importantes dos outros estados também não serão páreo – financeiramente – ao Palmeiras. É a hora do Verdão se consolidar como o gigante que sempre foi.

VLM: Não é isso meu amigo, é que na minha opinião o OO não tem condições de ser nosso técnico.
Precisamos de um do tipo Abel Braga. E outra precisamos ainda de dois zagueiros, um camisa 10 e um centroavante tipo Jonas. Abraços palestrinos.

Abel Braga é a maior enganação, técnico retranqueiro com time sem padrão de jogo, ganhou os títulos que ganhou fundamentalmente pela individualidade do jogadores. No Inter por causa de um Rafael Sóbis iluminado no Morumbi e um lance de sorte contra o Barcelona e no Flu por causa de um Diego Cavalieri fechando o gol e Wellington Nem iluminado servindo o Fred.

“Após aprovação da PEC da Bengala, Rogério Ceni decide jogar até os 75 anos” (de José Simão, na ‘Folha’ – desce o pano). kakakakakaka

Estamos com o Valdívia errado, o certo está no Inter.
Cadêo 3, 6, 9 e 10???
Cadê o técnico?? Cadê o Mattos??
Chupa bambizada e gambazada. kakakakaka

Belas palavras. Tradução singular do momento que vivemos. Agora é torcer para essa diretoria sair da caverna e jogar um pouco de luz e inteligência sobre sua administração. Concordo com outro colega que publicou texto reforçando que vivemos uma oportunidade única de dar um salto no futuro se as atitudes corretas forem tomadas agora.

É muita alegria pra uma noite só! Gambás e Bambis eliminados da Libertadores no mesmo dia não tem preço. Chuuuuuuupa!

Pois é, Gustavo, vamos aproveitar que o 13 de maio deverá mesmo ser o dia mais feliz do palmeirense neste ano. Se não trouxerem os reforços necessários (e, com todo o respeito, não pararem de chegar ex-refugos do Botafogo) e continuarmos com nosso técnico alquimista, que resolve fazer testes durante as partidas, vai ser difícil conquistar algo mais que vaga na Sulamericana. Mas que a noite foi maravilhosa, isso foi.

Verdade, precisamos de reforços. Só que o Mattos tem que ver as posições em que o Palmeiras tem maior carência de qualidade. Não precisamos de goleiro, volante e segundo atacante. E sim, de zagueiros, laterais, um 10 e um 9. E nessas posições, não pode vir qualquer um, tem que ser jogador de qualidade, tem que vir os melhores.

Texto maravilhoso. Parabéns a autora. A descrição da relação paixão/emoção/raiva,/confiança que sentimos é perfeita. Parabéns.

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