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Opinião: nadando contra a corrente

 

Por Vicente Criscio

A semana de aniversário de 101 anos do Palmeiras foi marcada pela expressiva vitória do Verdão sobre o Cruzeiro lá no Mineirão, o que carimbou o passaporte do time para as 4as de final da Copa do Brasil.

Além disso a sexta e sábado foram recheadas de notícias contra a WTorre. Folha, UOL, Globoesporte.com e ESPN.com publicaram quase em sintonia – e para quem é do jornalismo, diria, com uma coincidência que parecia orquestrada – divulgaram dossiês, notas fiscais, relatos de dívidas, etc.

Alegam que a construtora está quebrada e com isso a AEG ou mesmo o Palmeiras/Crefisa estariam dispostos a comprar o contrato de uso de 30 anos.

Pronto: bastou para torcedores adversários esquecerem suas crises e soltarem notinhas nos inúmeros grupos de whatsapp contra a SEP. Outro tiro no nosso pé.

Do lado desta coluna, não sei e não tenho interesse em saber da situação financeira da construtora. Intuitivamente posso imaginar que com a crise econômica que o país vive, junto com os desdobramentos da operação Lava Jato, que prendeu (apenas) os principais executivos das construtoras e alguns peixes pequenos, o setor de construção brasileiro vive uma situação dramática. Apenas no segundo tri desse ano o PIB do setor de construção caiu 8% !! Sem precedentes.

Os bancos estão mesmo segurando o crédito para todo mundo. As matérias são tendenciosas e malandras quando afirmam que a Construtora não tem crédito. Quem não tem crédito é o SETOR! Ou seja, mesmo para quem não está envolvido na operação Lava Jato, o dinheiro sumiu do mercado.

O modelo de negócios da WTorre é baseado em alta alavancagem. Ou seja, em endividamento. Desenvolve empreendimentos, coloca muito caixa antes e realiza depois. É portanto baseado em muito caixa inicial e depois contratos de longo prazo para realizar o retorno. Esse caixa inicial é baseado não só em capital próprio, mas em empréstimos. Se o crédito secou, a empresa deve sofrer.

Ponto! É até onde um observador de fora pode analisar. Por chute eu diria que sim estão com constrangimento de caixa, e esperam a chuva passar. Assim poderiam vender alguns ativos e o negócio da Arena é um deles. Mas duvido que venderiam por menos dos R$ 650 MM já investidos MAIS a expectativa de resultado futuro. R$ 1 BI poderia ser o número. A AEG poderia ser um dos interessados porque tem caixa e entende do negócio. Mais ninguém. Nem mesmo o Palmeiras que faria uma enorme besteira se arrumasse caixa para comprar o que é seu. Durante 30 anos não precisa se preocupar com a gestão e receberá muito dinheiro com isso, dê ou não dê lucro.

Mas eu acho que esse papo todo de compra e venda é pura especulação. A construtora colocou nota e desmentiu o caso e ainda deu alfinetada. Dizia parte da nota:

A WTorre tem total interesse no negócio e por isso permanece realizando os investimentos necessários para aprimorar continuamente o que já se mostrou ser um empreendimento vencedor e querido pela Torcida palmeirense e pelo público em geral – em que pese a indisposição que alguns membros do próprio clube nutrem em relação à nossa empresa e ao empreendimento.

Endemoniada por muitos, é importante o Palmeirense entender que o Palmeiras hoje só tem algum alívio financeiro porque tem uma Arena que atrai público e Avantis. O estádio elevou a auto-estima e serviu para nos colocar no cenário novamente. Bastou um mínimo de bom senso da diretoria e trazer um bom diretor de futebol e um treinador competente (esse apenas no meio do ano) para junto com a Arena sermos um dos times de destaque no país, em que pese estarmos na 6a posição do Brasileiro mais de 10 pontos distante do líder. Um desempenho INDIGNO para as tradições do campeão do século.

Eu da minha parte não me preocupo com a construtora. Seus problemas que sejam resolvidos por ela. Mas me surpreendo com a matéria, quando quem está preso são os presidentes das outras construtoras, inclusive com sérios impactos para Itaquerão e arena do Grêmio. Disso eu procuro na mesma Folha, UOL, ESPN e não encontro. Curioso né?

Mas continuo afirmando que temos o melhor contrato de arena do futebol brasileiro. Temos uma plataforma que nos permitiria – se houvesse menos indisposição de alguns membros do clube contra o empreendimento – crescer em projetos junto com os parceiros de negócios que estão no entorno da Arena (sim meus queridos, WTorre, AEG e Allianz são parceiros de negócio com interesses comuns, e não inimigos).

Enquanto alguns torcem prá WT quebrar – o que nos levaria para um limbo de contrato e gestão da Arena – eu continuo torcendo pelo empreendimento e para que Palmeiras, WT e outros parceiros se entendam. Isso seria o melhor prá instituição.

***

Outro assunto, rápido. Leio que o SPFC, afundado em grande crise, quer mudar estatuto e mudar a forma de gestão, separando o futebol do clube social.

Seria cômico, não fosse triste. Nós falando sobre isso desde 2013 (ou antes) e o adversário sair na nossa frente.

Enquanto isso, do lado da reforma estatutária que vem aí no Palmeiras, nada de reforma. Apenas perfumaria, depois de mais de dois anos esperando. E assim vamos passando de mão em mão, de políticos em políticos, nem time de futebol nem clube social entram no século XXI. Uma pena.

***

Concorda com a coluna? Discorda? Deixe seu comentário, sempre respeitando as regras.

Saudações Alviverdes!

33 respostas em “Opinião: nadando contra a corrente”

Vicente,sou um mero torcedor do interior de SP,se puder me responda,ou se já tiver algum texto seu,por favor me indique.

É possível essa separação do clube social?Como seria isso?O que tem de ser feito?

Outra coisa,não sei se você também está ligado a ela mas há tempos não consigo curtir,nem comentar nada na págida da “Pró-Palmeiras” no facebook,já mandei e-mail falando sobre isso mas segue na mesma.Obrigado.

Concordo, sem tirar nem por. O problema é que o Palmeiras não tem tato para negociar e não tem astucia para engambelar. A maldita pendência das cadeiras – são 10 mil, são 40 mil – deveria ter sido negociada. Talvez cedendo um pouco tivesse resolvido as pendencias e hoje o desgaste com o parceiro seria unica e exclusivamente com o estado do gramado e nada mais. Dai estamos bem, lotando o estádio, mas há um limbo no qual não avançamos nas receitas. Principio não se negocia, mas tratar birra como principio e, com isso, abrir mão de lucros e ainda ter inimizades já vira burrice.

Olá Criscio,

Você acerta muito no seu texto, mas permita-me discordar em alguns pontos. Até onde sei, a questão mais crucial da relação entre Palmeiras e WTorre é a disputa entre as cadeiras do Estádio. O Palmeiras considera que detém cerca de 33 mil assentos e 10 mil são da parceira. A WTorre considera que todos são dela. Eu sou sócio do clube e me lembro bem – aliás, fomos nós que aprovamos este contrato -, que havia claramente a separação disso implícita, e era sabido que apenas as 10 mil cadeiras eram da WT. A questão é que de repente o acordado e re-ratificado ainda na gestão Tirone, passou a não valer mais. Estranho. Ainda mais os diversos problemas com as entregas e prazos. Não vejo o Palmeiras errado em nenhum momento. Vejo gente querendo o que é de direito do clube. Aliás, para WTorre o awareness gerado a cada discussão, ou realização positiva do empreendimento, a WT não calculava. Me parece um negócio absolutamente complexo de ser gerido, e o contrato, se respeitado como todos nós vimos/lemos entre 2007 a 2010, é um grande negócio para SEP e apenas razoável para a parceira. Obviamente, eles se deram conta disso bastante tempo depois, e aí que moram todos os problemas.

Abraços.

Criscio, mais uma vez você mandou na veia. Uma tradução cristalina das alamedas que gera reação negativa na tendenciosa imprensinha, um círculo vicioso a ser quebrado.

Parabéns e vamos a luta pelo alviverde com novos sobrenomes.

Ah e só mais um comentário meu antes de virar a página. Eu não estou do lado da WT versus o Palmeiras. Eu estou do lado da legitimação do contrato. Só não vê quem não quer ou quem quer politizar minha posição com medo das próximas eleições. Mais uma! Eu não apoiei o candidato Pescarmona – de novo, a política suja e que está acabando com o Palmeiras, inclusive trazendo torcedores ingênuos para esta arena – tenta colar meu nome ao de Pescarmona. Eu sei, eles sabem e alguns comentaristas e leitores daqui sabem muito bem porque eles tentam fazer isso. Mas nao caiam nessa. É apenas uma tentativa de minar meu nome para qualquer eventual improvável mas possível candidatura futura. Só isso. Abs

Parece discurso da Dilma a última frase…”qualquer eventual improvável mas possível candidatura futura…” hahahahahahahah

kkkkk…. verdade…. mas é sério…. eventual, porque pode ser como pode não ser; improvável, porque é pouco provável; possível porque está habilitado estatutariamente. Abraços.

Luiz veja o texto:

De acordo com informações de bastidores não confirmadas, uma discussão aconteceu para confirmar o racha entre os dois.

Totalmente furado. “Informações de bastidores não confirmadas” já diz a que veio. Quem conversa com o ex-Presidente sabe que ele usa a primeira pessoa do plural prá falar da atual gestão: “nós conseguimos isso”, “nós estamos no caminho certo”, “nós fizemos aquilo”.

Na boa, acho uma deselegância da assessoria do atual presidente plantar esse tipo de notícia prá desqualificar um relacionamento com o ex-presidente. A essa altura do campeonato, 3 anos depois de mandato e com todo o apoio desde então, vai negar a aliança agora? Só rindo mesmo.

Abraços…

A única coisa que separará o Mustapha e a SEP será a morte, esqueçam jogos e conhavos políticos, esqueçam mudanças e segregação do futebol e social. Puro cabide político. Hoje li a noticia que o FUTEBOL da SEP deu lucro, mas o clube fechou no prejuizo trazendo o resultado final do balanço foi um prejuizo de R$ 3 milhões. Portanto, por mais dinheiro que o Futebol ganhar, o Palmeiras não vai decolar, vai arrastar essa pedra na cauda do cometa.

Concordo com boa parte do texto, o que me incomoda um pouco no discurso é passar a ideia que, no que diz respeito à WTorre e o Palmeiras, a construtora está sempre certa e o clube sempre errado. Tudo o que o clube faz é prejudicial à parceria, tiro no próprio pé e tudo mais, agora a construtora cutucar o clube numa nota dirigida à imprensa tá tudo certo. Os dois lados vacilam demais nessa história de disputa na justiça, um querendo se sobressair ao outro ao invés de dar as mãos e caminharem juntos. Não existe o lado bom e o lado mal nessa caso, cada um está unica e exclusivamente vendo o seu lado.

Amigo, a cutucada se deveu pelo fato da diretoria distribuir na imprensa (várias delas), a noticia falsa sobre a WTorre.
É fato que Palmeiras não tem condições de gerir a arena, mesmo comprando-a.
Muito melhor ter a WTorre cuidando de tudo, o Palmeiras não gastando nada por isso e ainda por cima, ficando com Toda a renda.

Felipe concordo com você. E ao contrário do que muitos afirmam não defendo a WT. Defendo o CONTRATO. Defendo o MODELO que foi desenhado, discutido, inclusive com o atual Presidente, e aprovado. O que eu vejo hoje é muito revanchismo político e usam o maior e mais importante empreendimento do futebol brasileiro dos últimos anos, feito com dinheiro privado, como ferramenta política para destruir uma eventual oposição.

Sobre a arbitragem, qualquer uma das partes que se sentir lesada tem total direito de ir à arbitragem. O que me incomoda é que essa briga extrapolou arbitragem. Está na mídia, nas redes sociais, onde diretor do clube posta coisas abertas contra um “sócio” de negócios (prá não usar o termo “parceiro”) de 30 anos.

Concordo que os dois lados erram. Mas eu me coloco nos sapatos da WT e entendo a nota de esclarecimento. Principalmente porque ela tem outros negócios e não deve ser fácil ler na mídia que a empresa está quebrada, que está vendendo seu ativo, que não paga credores, etc.

Abs

Boa Vicente, pelo que sei também, é que foi tudo plantado. Lamentável a atitude, só não vê quem não quer. enquanto não formos todos para o mesmo lado, divergindo até, mas para o mesmo lado, vamos ficar nadando em círculos.

Vicente, cirurgicamente perfeito. A mídia brasileira é tão podre quanto os réus da Lava-Jato e outros envolvidos. Sobre o time do governo, eu afirmo que eles quando era para oscilar, perder pontos (igual os outros times do campeonato) os homens de preto (hj amarelo) operaram cirurgicamente seus oponentes. Pelo menos 6 pontos à menos na conta, estariam com 40 e neste campeonato tão acirrado, é o suficiente para dar o caneco!

Perfeito Criscio. Desde o dia em que se iniciou a nova Arena e os “exploradores” do cachorro-quente, do sorvete, da água, das carteiradas, do lanche na faixa, etc, etc, no nosso antigo e amado Palestra Itália perderam a fonte de renda, a ira dos mesmos já era esperada. Ao Sr. Walter e a WTorre só tenho palavras de carinho e gratidão. Desespero e terror me invadem a alma só de pensar na mínima possibilidade do controle da Arena voltar aos antigos “exploradores”.

Penso da mesma forma em relacao a Arena. Nao tem sentido o Palmeiras colocar dinheiro (ou perder) num negócio que é seu e é rentável para o clube nos moldes atuais. A Arena (obrigado Belluzzo) recolocou o Palmeiras na sala da grandeza.
Penso que qualquer problema da WT nao afetará o Palmeiras: o negócio Allianz Parque é bom e se o pior acontecer com a WT interessados nao faltarao.
Ótima explanacao Criscio!

Vicente gosto muito das suas ideias acho que o Palmeiras deveria ter um elenco forte pra brigar sempre pelo titulo brasileiro será que dá pra você passar seu e-mail pra gente bater um papo e trocar ideias sei que você viaja muito mas quando der agente conversa

Parabéns pelos esclarecimentos, sempre que o Palmeiras tem um período bom de resultados, aparece este tipo de matéria.
Não fico espantado.
O que me preocupa é a nossa torcida comprar a ideia.
Sobre a questão do estádio, há muita inveja e qualquer coisa que aparecer, virará munição de ataque ao Palmeiras.

Nos últimos dias o site ESPN/Uol publicou uma “matéria” sobre Romarinho (esquecido e largado em algum país do “mundo árabe”) gostar de zuar o Palmeiras. Numa semana em que o time preferido da mídia foi vergonhosamente eliminado de mais uma competição (quando o apito não assopra a favor, isso é rotina), soa como provocação alguém dar destaque a esse sujeito, sem qualquer pretexto. Pelos dirigentes que temos, pelo jornalismo esportivo parcial e nefasto, pelas falcatruas que rolam sem nem termos ideia, 7×1 foi pouco.

Mais um excelente artigo Vicente Criscio, parabéns. Quanto ao time do jardim Leonor, entre a ideia (separar o futebol do social) e a execução desta tem um longo caminho a percorrer, e acredite eles são em termos de política piores do que nós. Mas em uma coisa eu concordo com você, a pose de renovador do Paulo Nobre só vai até a página 2, porque suas alianças políticas são as mesmas de todos os outros, ou seja, podemos até ir melhor no futebol, mas fora dele nada mudou.

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