BR-2015: números de uma campanha bipolar

 

Por Rodrigo Barneschi  

O Palmeiras sofreu neste domingo a sua primeira derrota (em absurdas 10!) no Brasileirão/2015 por mais de um gol de diferença. Tal situação, por sinal, não ocorria desde a fase classificatória do Paulista, em um horrendo 0-2 para o Red Bull em Campinas. O fato de termos sofrido antes nove derrotas pela diferença mínima (0-1 ou 1-2, sempre) não tira o peso de tais insucessos. Afinal, é difícil afirmar qual das derrotas sofridas neste Brasileiro/2015 foi a mais irritante: se os dois tropeços diante de pequenos em casa, se o apagão em Goiânia, se o fato de termos ressuscitado Cruzeiro e Coritiba em partidas apáticas, se os fracassos grotescos diante dos catarinenses…

Fácil é constatar que, em que pesem todas as evoluções registradas neste ano, temos ainda um time pouco confiável e que corre riscos em demasia (conseguimos sair de campo sem levar gol apenas uma vez nos últimos 19 jogos). Temos um time capaz de vitórias grandiosas (superamos todos os grandes, à exceção do Atlético/MG, neste 2015) e de vexames absurdos quase que na mesma medida. Temos um time que oscila entre partidas de superação absoluta e atuações modorrentas. Temos um time que constrói capítulos marcantes de nossa história contra outros grandes, mas que não consegue se impor diante dos pequenos.

Daí então que parece inevitável olhar para esta campanha irregular no Brasileiro/2015 (29j-13v-6e-10d) e ficar com a sensação de que o grupo que aí está conseguiu jogar no lixo muitos dos momentos marcantes que foram construídos ao longo da competição.

Bem ao contrário do que é do meu feitio, não seguirei dando minha opinião sobre o que estamos vivendo. Vou apenas deixar alguns números para apreciação e análise de cada um de vocês. São estatísticas que eu vou atualizando jogo após jogo e que me parecem relevantes para entendermos o momento atual. Acompanhem e tirem suas próprias conclusões:

***

Campanha em casa
14j-9v-3e-2d (71,4%)
Campanha fora de casa
15j-4v-3e-8d (33,3%)

 

Contra times do eixo Rio-SP
10j-8v-2e-0d (83,3%)
Contra times de todos os outros estados
19j-5v-4e-10d (42,2%)

 

Nos clássicos estaduais
5j-3v-2e-0d (73,3%)
Contra cariocas
4j-4v-0e-0d (100%)

Jogando no Sul do país (RS, SC e PR)
6j-0v-1e*-5d (5,5%)
*o solitário empate foi obtido em um jogo com portões fechados

 

Jogando fora do eixo Rio-SP (como visitante*)
10j-0v-2e-8d (6,6%)
*exclui-se, pois, o jogo contra a Ponte em Cuiabá/MT

 

Contra outros grandes (10 clubes)
15j-8v-4e-3d (62,2%)
Contra os pequenos (9 clubes)
14j-5v-2e-7d (40,4%)

 

Contra os times do 1º ao 10º lugar
14j-7v-4e-3d (59,5%)
Contra os times do 11º ao 20º lugar
15j-6v-2e-7d (44,4%)

Contra os times de SC como mandante
4j-4v-0e-0d (100%)
Contra os times de SC como visitante
3j-0v-1e-2d (11,1%)

 

As derrotas sofridas neste BR/2015
Palmeiras 0-1 Goiás/GO
Figueirense/SC 2-1 Palmeiras
Grêmio/RS 1-0 Palmeiras
Palmeiras 0-1 Atlético/PR
Cruzeiro/MG 2-1 Palmeiras
Coritiba/PR 2-1 Palmeiras
Atlético/MG 2-1 Palmeiras
Goiás/GO 1-0 Palmeiras
Internacional/RS 1-0 Palmeiras
Chapecoense/SC 5-1 Palmeiras

 

As vitórias como visitante
SCCP/SP 0-2 Palmeiras
Ponte Preta/SP 0-2 Palmeiras (fomos um visitante com 98% da torcida)
Vasco/RJ 1-4 Palmeiras
Fluminense/RJ 1-4 Palmeiras

 

Campanha no Palestra Italia em 2015
30j-22v-4e-4d* (77,7%)
*todas as derrotas em casa foram sofridas pelo mesmo placar (0-1)
**se acrescido o jogo contra o Grêmio, no Pacaembu, o aproveitamento chega a 78,4%

 

***

Há muito o que se depreender dos números acima – alguns são bem assustadores. Mas, por ora, eu gostaria apenas de contrapor alguns cifrões – porque há entre os nossos quem só consiga entender essa linguagem:

Rodada 29
SPFW e SFC jogaram em casa, venceram e ultrapassaram o Palmeiras na tabela de classificação. O SFC tomou nosso lugar no G4; o SPFW nos jogou para a sexta colocação.

Aos cifrões:
Média de renda do Palmeiras como mandante no BR/2015: R$ 2.167.955,00 (ticket médio: R$ 67)
Renda do SPFW na rodada 29: R$ 287.345 (ticket médio: R$ 25,96)
Renda do SFC na rodada 29: R$ 298.780 (ticket médio: 39,88)

Peço que ignorem os fatos de o SPFW viver uma crise aparentemente indissolúvel desde o início do BR/2015 ou de o SFC ter iniciado a competição como candidato ao rebaixamento. Mas tomem os números acima como um bom referencial para a próxima vez que um canalha aparecer na sua frente querendo apontar uma relação direta entre ingresso caro e time bom.

Falácias são combatidas assim.

 

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