Sessenta anos esta tarde

 

 

Por Jota Christianini

jota_1955Imaginem a emoção de um menino de 7 anos quando ouviu: “Vamos ao campo do Palmeiras ver o jogo!” Hoje? “Agora! e anda logo que o jogo já vai começar”.

Meu tio Roque, meu pai, meu irmão, dois primos, todos correndo em direção a Rua Guaicurus para pegar o bonde. Criança não pagava e meu pai e tio também não porque eram sócios – como mudaram as coisas hein? Afinal o jogo era às 15:00 e já passavam das 14:30. Era a primeira vez que veria aquilo que então só imaginava pela narração do Pedro Luís na Rádio Panamericana – quase sintonia fixa na minha casa – e pelas fotos dos jornais do dia seguinte. Era emoção demais, eu veria Humberto Tozzi; mal sabia que logo ao chegar ampliaria os meus ídolos e colocaria Liminha no panteão dos grandes que honraram a camisa alvi-verde.

Lá se vão 60 anos, mas confesso a vocês que parece que foi ontem. No fundo eu gostaria que tudo tivesse acontecido ontem. Não tinha a noção que veria jogadores que depois seriam lendas na história palestrina. Eu os vi, ao vivo e em cores. Coisa inimaginável para os meninos da época. Na volta comemorando a vitória e depois, muitos dias, contando a emoção e sensação de ter visto aquelas camisas verdes, tom imperial, que já faziam e continuariam a fazer tremer os adversários. O amor já existia, nesse dia firmou-se para sempre.

1º de outubro de 1955: primeira vez que entrei em Palestra Italia para ver um jogo de futebol.

E que jogo! Já contei no 3VV inúmeras vezes que ao entrar Liminha fez um gol e veio em minha direção – eu cheguei com o jogo em  andamento.

Sempre disse que ele marcou o gol porque me viu chegar.

A irmã dele – Liminha faleceu há mais de 20 anos –  confirmou o fato dizendo que o irmão sempre dizia que marcara aquele gol por ter visto eu chegar.

Entrei pela Turiassu, então um portãozinho, e vi Valdemar Fiume, Jair Rosa Pinto, Liminha, Rodrigues e não vi o Mário Travaglini jogar de beque, pois sentiu contusão nos vestiários e não entrou. Também jogou Lima, o Garoto de Ouro do Palmeiras, que após 16 anos de Palestra estreava, naquela tarde de sábado, no Jabaquara.

Mal sabia que aquela ida ao Palestra era só o começo de um longa história marcada por alegrias muitas, tristeza – não lembro, esqueci – mas com certeza pela emoção de ser palmeirense e isso, como disse o Joelmir “não se explica mesmo porque quem não é não vai entender “

Como a primeira vez ninguem esquece e após 60 anos eu posso, com justa razão, dizer essa: Meninos, eu vi!

jair-rosa-pinto

Jair da Rosa Pinto faz o quinto gol