Opinião: sobre parceiros e gratuidade

 

Por Vicente Criscio

Sem futebol e ainda devagar no tema contratações, o palmeirense procura avidamente notícias na internet querendo saber quem vem prá qual posição.

Nessa linha me atento para a entrevista que o Presidente da SEP Paulo Nobre deu ao Estadao.com publicado neste sábado 19 de dezembro.

Prá quem está de fora, é uma matéria quase sem novidades. O Palmeiras não deve trazer grandes reforços em 2016, a política de contratações sem trazer grandes nomes deve continuar, e nas entrelinhas o Presidente informa de forma até elegante e elogiando, que a Crefisa fique no seu lugar de patrocinador e ponto. “O Palmeiras tem que caminhar com as próprias pernas” avisa o Presidente.

Olhando o conceito, é uma frase com algumas mensagens implícitas, mas na essência o Presidente está certo. Patrocinador patrocina e recebe contra partidas para isso. A grana que entra é administrada pela instituição (quem me dera por profissionais, mas isso é aquele velho assunto manjado e não vou abordar hoje). Então até aí, está correto.

Porém, ah porém, o diabo está nos detalhes. Nas entrelinhas o Presidente está – aparentemente – dando um certo chega prá lá na Crefisa. Talvez devido aos últimos acontecimentos relatados pela imprensa. Uma relação que aparentemente ia muito bem, com a parceira enfiando – estima-se – R$ 100 milhões, com patrocínio, Barrios, obras na Academia, juras de amor… e pelo jeito azedou. No meio do caminho tinha uma pedra. E o discurso agora é o politicamente correto.

Aí erra. O Presidente pode estar 100% movido pelo conceito. Ou magoado com a entrevista da CEO da Crefisa. Seja de um lado ou de outro, quem quer um time forte prá ser campeão da Libertadores, precisará de jogador bom. Se o parceiro tem dinheiro e quer investir (e não emprestar, mas quer investir, participar na formação do time) por que não? Como Presidente do Palmeiras, se alguma empresa quer colocar dinheiro no clube de maneira honesta e coerente com as necessidades do Palmeiras, o Presidente deve aceitar. Se não aceita, ele que diga de onde tirará o mesmo montante para reforçar o time do Palmeiras. Mas vir com conceitos corretos e desprezar uma grana em um ano onde todos estão suando sangue para conseguir investimento, me parece um erro.

Além do mais, mandar mensagem a um parceiro desse nível por entrevista no jornal, não parece ser a forma mais adequada de lidar com parceiros. Enfim…
Enquanto isso teve até torcedor no twitter cobrando os reforços da parceira, ao invés de cobrar do Presidente. Tremenda inversão de papeis.

Por enquanto sigamos observando… acho que o que o Palmeirense mais quer é uma relação positiva, profissional, e de valor entre Crefisa e Palmeiras. E time forte. Muito forte. Prá ser campeão.
E todos têm a ganhar. Que entendam isso!

***

Mas o que me chamou atenção mais do que esse tema da parceria, foi a parte do texto em que o jornalista pergunta sobre cobrar de crianças com menos de 5 anos prá entrar no estádio.

Em certa parte diz o Presidente: “Se o pai quer levar o filho em campo, não podemos proibir, mas não vamos incentivar. O que acontecia no Pacaembu é um absurdo, pois tinha dois, três mil entradas gratuitas. A lei obriga a dar gratuidade para tanta gente e quem tem que pagar isso é o Palmeiras. Sei que esse assunto gera discussão, mas o Palmeiras não cresce com torcedores de estádio. O que precisa ter é um time competitivo, que orgulhe os mais de 16 milhões de torcedores.” 

Tema denso também. É de se entender que a gratuidade é um problema. E tá certo que é time forte que forma torcida. Por outro lado dizer que o Palmeiras não cresce com torcedores de estádio, pode dar uma interpretação muito negativa sobre essa frase.

O Palmeiras teve no Campeonato Brasileiro média de 29.633 pagantes (clique aqui e veja as estatísticas de público no Brasileirão 2015). Se podemos colocar 40 mil pagantes no Allianz, poderíamos ter pelo menos 10 mil torcedores a mais no estádio. Em 19 jogos que mandamos, 190 mil pessoas.

Agora vamos pensar fora da caixa. Imagine, apenas imagine, se a gente conseguisse trazer pelo menos metade disso de palmeirenses (pais, filhos, netos) do Brasil todo a custo zero para eles. Ingresso grátis. Teríamos dado uma experiência incrível a umas 85 mil pessoas de todo o Brasil. Do Oiapoque ao Chuí. De Analândia a Porto Velho. Com um investimento marginal. Sem perder a receita.

Qual o valor dessa ação?

Claro… são ideias. Sem compromisso (ainda) com a operacionalização. Mas o que quero ilustrar de forma quase sonhadora é que é possível, transformar a experiência de usar a presença do torcedor no estádio em um experiência inesquecível. Tanto prá quem vive perto ou longe do Allianz, mas não tem acesso ao seu time do coração por não ter a devida grana ou acesso. E que esse tipo de ação pode sim gerar valor pro clube, mesmo sem gerar caixa naquele momento.

Vamos pensar fora da caixa.

Saudações Alviverdes!

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