Opinião: nossas escolhas nos definem

 

“São as nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas habilidades” (Alvo Dumbledore em Rowling, J.K. Harry Potter e a Câmara Secreta, 2000).

Por V. Criscio

Nesta 2a feira, dia 23, o Conselho Deliberativo viveu creio eu, uma das suas noites mais tristes nos últimos, sei lá, muitos anos. Os conselheiros decidiram votar pela suspensão por um ano do ex-Presidente Luiz Gonzaga Belluzzo. Todos os outros sindicados (termo elegante para definir quem passou pela sindicância) foram inocentados (o ex vice-presidente Salvador Hugo Palaia, o também ex vice-presidente da gestão Belluzzo Gilberto Cipullo e o diretor financeiro da gestão Belluzzo em 2010, Francisco Busico). Na pauta ainda havia o julgamento da gestão Tirone, mas ela foi adiada a pedido do ex-Presidente.

Foram 119 votos pela suspensão de Belluzzo. E 70 contra ou com abstenções. Se eu entendi bem – não tive acesso ao relatório, logo não sei exatamente qual era a acusação – o relatório da sindicância indicava entre outras coisas empréstimos contraídos contra a orientação do COF, além de gastos exorbitantes na contratação de Valdivia. Foram sindicados por tomarem decisões que fizeram o clube perder dinheiro, muitas dessas decisões à revelia da orientação do COF ou sem poder para tal.

Não vou dizer aqui o que acho de tudo isso porque seguramente seria “sindicado” e poderia ter um fim parecido. Mas não posso deixar de dizer o que penso.

Belluzzo teve vários erros em sua gestão entre 2009 e 2010. Vários. Mas acertou mais que errou. Essa é minha opinião. Você pode discordar. O Conselho da SEP pode discordar. Deus pode discordar. Mas é minha opinião!

Mas mais que os acertos, Belluzzo buscou dar uma grandeza à SEP que tínhamos perdido no período de 2000 a 2006. Quando entrou em 2007, junto com muitos que hoje o queimaram na fogueira da sindicância, ele usava suas conexões, sua credibilidade, sua palestrinidade, em busca de um Palmeiras novamente grande. O maior legado desse período é o Allianz Parque, que muitos ainda insistem que é um mau negócio.

A escolha de parte do Conselho por suspender Belluzzo é mais do que punir uma gestão supostamente responsável por decisões erradas que levaram a perdas financeiras. Não se trata de impedir alguém que está no poder de continuar tomando decisões ruins. Trata-se de atingir alguém que hoje é inofensivo ao clube e à sua gestão. É punitiva, não é corretiva.

Um dos conselheiros, José Luis Portella, fez uma intervenção muito oportuna: dizia Portella que o Palmeiras tem que parar de ter ódio entre si. Podemos ter divergências de ideias. Aliás, isso é até saudável. Podemos discordar e criticar. Isso é bom, porque do contraditório pode surgir novos modelos, novas ideias.

Mas temos que acabar com o ódio. Adversário político hoje na SEP se transformou em inimigo que desperta ódio. E aí ninguém pára mais. No Conselho, nas alamedas, nas redes sociais. É vendetta sobre vendetta. Podemos imaginar onde isso iria parar? Podemos imaginar se uma gestão daqui a 2 ou 4 anos resolve enumerar as decisões erradas da atual gestão, e que fizeram o Palmeiras perdeu muito dinheiro? E ir atrás de diretores e presidentes do período?

Onde vamos parar?

Belluzzo deve ir na justiça comum contra a decisão e deve ganhar. Mas a noite de 23 de maio vai ficar marcada na SEP como a noite que muitos revelaram o que realmente são, não por suas habilidades ou capacitações, mas por suas escolhas de vida. E isso me deixa extremamente triste.