Opinião: a chance perdida

 

Por V. Criscio

Enquanto o Palmeiras avança de forma consistente na busca da liderança do Campeonato Brasileiro e o assunto “sinalizadores” já deu o que tinha que dar, volto os olhos para a Copa América e vejo Colômbia versus Peru, no lugar do Brasil, nas 4as de final.

O que isso tem a ver com o Palmeiras? Lá embaixo eu faço o link.

O futebol brasileiro depois dos 7×1 esperava que não passaria mais vexames. Pois passou mais um nessa Copa América. Dunga mais o ex-empresário Gilmar Rinaldi formavam a dupla que comandou tecnicamente a Seleção, com final previsível. As convocações seguiram à risca o esperado, onde talvez o mais emblemático seja o goleiro Alisson, que entrou como titular do Inter no final de 2014, jogou no time colorado entre 2015 até meados de 2016, foi convocado em 2015 após algumas partidas boas na campanha da Libertadores daquele ano (o Inter caiu nas 4as de final) e vendido recentemente ao Roma em 2016 por 7,5 milhões de euros. Chegou lá mas vai brigar pela posição de titular com o polonês Sczcesny, preferido pelo treinador Luciano Spaletti.

Mas esse é o menor problema do futebol brasileiro. Tite vai chegar e arrumar a seleção. Os primeiros sinais e prá desespero do palmeirense, será levar Fernando Prass. Tite assim deve classificar a seleção para a Russia, talvez até ganhe as Olimpíadas no Rio de Janeiro com Neymar em campo, e assim, ao que tudo indica, continuaremos com os mesmos problemas de base.

Quais?

Calendário inadequado, exagerado poder da Globo, falta de uma política para desenvolver a base, extrema politização na gestão do futebol brasileiro, CBF e seus gestores com problemas na polícia internacional. Alie isso a regionais falidos, ao loteamento dos clubes pequenos para empresários, e chegamos ao fato que falta uma reorganização completa no futebol brasileiro para voltar a ser competitivo frente aos grandes da Europa. 7×1 foi pouco. Peru foi aperitivo.

Pior que tudo isso: do jeito que está, a seleção brasileira não consegue competir nem mesmo contra a mesmice do futebol sul-americano. A Copa América taí prá provar isso.  Antes, bastava juntar 11 boleiros com alguma qualidade e pelo menos a Copa América a gente beliscava. E não se passava tanta vergonha na Copa do Mundo. Agora, nem mais isso…

A reinvenção do futebol brasileiro levará décadas, após iniciada. O problema é: quando vai começar?

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E o que isso tem a ver com o Palmeiras?

Não só com o nosso time, mas com todos os grandes. Os gestores dos grandes clubes do futebol brasileiro também são culpados por esse estado de coisas. Aceitam esse modelo arcaico e político de se gerir o futebol brasileiro. Admitem a falta de ordem no calendário – Copa América e Olimpíadas correndo e os clubes jogando sem seus principais atletas. Se enfraquecem perante CBF. Não querem se organizar em ligas para valorizar seu conteúdo. E vivem de passar o chapéu e pedir migalhas, desde o mais óbvio – uma arbitragem que não seja tendenciosa. Com isso o Palmeiras (e os outros) vão vendendo o Mickey Mouse para pagar salários e dívidas, ou com a desculpa de que não conseguem segurar o atleta. Se não, vejam Gabriel Jesus, que no auge dos seus 19 anos deve sair após as Olimpíadas e o Palmeiras vai ficar apenas com 30% dos direitos econômicos.

Os clubes de futebol, Palmeiras incluído, deveriam também se reorganizar. Com isso, poderiam cobrar da CBF a tal reestruturação do futebol brasileiro, desde o calendário, até a gestão da base, passando pelos torneios regionais, nacionais, etc. Ou então que se organizem em ligas e deem uma banana à CBF e à Globo. Quem tem o conteúdo, manda; quem não tem, paga!

Mas se nem nos clubes – os grandes – vemos essa movimentação, como esperar isso da CBF?

E dá-lhe 7×1, Peru, convocações convenientes, jogos dos regionais, transmissões às 10 da noite, dirigente com tornozeleira, e por aí vai.

A mudança começará nos clubes. Aquele que se organizar primeiro, se profissionalizar, transformar seu estatuto, vai sair na frente. Terá uma vantagem que permitirá dominar o futebol brasileiro por uma década, tamanha a incompetência dos rivais. Aí os outros seguirão. E esse movimento, um dia, mudará o futebol brasileiro.

O Palmeiras, poderia ser o primeiro a arrumar a sua casa, e aí não só teríamos os 10 anos de vantagem sobre os rivais, mas seríamos sem dúvida protagonistas na liderança da transformação do futebol brasileiro.

Mas não fazemos. Continuamos mais do mesmo. Uma pena. Uma enorme chance perdida.

 

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Em tempo e por falar em incompetência dos rivais: Corinthians com Cristovão Borges, SPFC e seus problemas, Atlético com MO, Cruzeiro caindo pelas beiradas, Santos com metade do campeonato sem seus principais titulares, significa que o Campeonato Brasileiro ficou entre três equipes: Inter, Grêmio e Palmeiras.

Não dá prá perder essa! É só não fazer bobagem.

Saudações Alviverdes!