Opinião: caminhando com as pernas de quem?

 

Por V. Criscio

Na sexta-feira passada uma notícia do UOL Esporte publicada às 11:48hs chamou minha atenção: depois de uma vibrante vitória sobre o Grêmio por 4×3 na 5a feira a noite, os jornalistas Eduardo Ohata e Edgar José de Matos publicam matéria sobre mais uma atitude (na visão deles) do mecenato do Presidente palmeirense: ele investiu nas contratações de Roger Guedes (destaque da partida na noite anterior). Clique aqui e leia.

Por mais bem intencionado, por mais palmeirense e abnegado pelo Palmeiras, por mais que ele queira queimar dinheiro, não faz o menor sentido um Presidente dentro de qualquer grande clube de futebol, investir em jogador de futebol. Em qualquer situação. Mesmo com a pseudo explicação que a transação não gera lucro para o Presidente. Aliás essa justificativa (gerar lucro é do Palmeiras, gerar prejuízo é do Presidente) é  contraditória. Porque ela fala em busca de lucro na venda do jogador. Isso é absurdo! Não somos a Ponte Preta! Somos os Palmeiras. Uma instituição como o Palmeiras não pode e não deve se preocupar em ter lucro na venda de um jogador. Isso é cabeça de time pequeno. Jogador de futebol deve gerar títulos. Então a justificativa em si é absolutamente fora de sentido. Se os deuses do futebol assim o permitirem, Roger Guedes deveria se tornar ídolo, jogar no Palmeiras até se aposentar e ganhar títulos e títulos. Brasileiros, libertadores, mundiais…. esse é o resultado que se espera. Eu não espero lucro na venda do Roger Guedes. Você espera? Eu não! Eu espero títulos!

E mais: futebol é um lugar onde não pode existir meio termo nem exceções. Qualquer um com um mínimo de apego a governança e profissionalismo percebe que a médio prazo existe para o clube risco de dependência ou de conveniência perigosa nesse tipo de investimento. Continuando com essa prática, que vem desde 2013, estamos nos afastando de qualquer processo de governança, profissionalização e planejamento.

Se hoje no Palmeiras há lucro (ou geração de caixa) como se alega, então não há necessidade de dinheiro de presidente para aquisição de jogador. Simples assim. Por outro lado, se não há lucro (ou geração de caixa), não é recomendável dinheiro de um presidente. Ponto.

No início da temporada de 2016 o Presidente afirmou que não queria ajuda da Crefisa para contratar jogadores porque o Palmeiras tinha que caminhar com as próprias pernas. A Crefisa, parceira, maior investidora de patrocínio em camisa do futebol brasileiro, com uma visão de negócios (e também apaixonada de seu principal sócio) não poderia investir. Então de quem são essas pernas que o presidente se referia?

Saudações Alviverdes. Que venha uma vitória hoje e que Roger Guedes jogue muito. Não prá se valorizar: prá nos ajudar a ganhar um título que estamos há muito tempo sem comemorar.

PS: comentários com ofensas a dirigentes da SEP ou a comentaristas/colunista não serão publicados.