Editorial Parabéns Palmeiras: 102 anos de lutas e glórias

 

O Palmeiras completa neste dia 102 anos de vida.

Desnecessário falar sobre a história do Palestra Italia até a Arrancada Heroica e a mudança de nome para Sociedade Esportiva Palmeiras. O Palmeirense mais ligado conhece, e quem não conhece a web está repleta de informações. Se podemos resumir aqui, essa primeira fase da história palmeirense destacou-se pelo nascimento da SEP, a loucura do século 20 com a compra do Parque Antarctica, e a sua consolidação como um grande time do futebol brasileiro. Mas essa ousadia de nossos antepassados teve um preço: a 2a Guerra Mundial quase nos fez sumir do mapa, mudou nosso nome, e nos colocou no canto dos discriminados – junto com outros times e torcedores. Mas o que seria o princípio do fim significou um renascimento. O primeiro.

E como os deuses do futebol são irônicos coube ao antigo Palestra Italia dos italianinhos dar uma pequena alegria esportiva pós Maracanazo de 1950. Claro que falo do Mundial de 51, tão menosprezado por alguns, mas motivo de orgulho para nós. Um orgulho quase silencioso. Mas ele tá lá. Isso ninguém nos tira.

E não foi “só” isso. Teve muita história depois dessa grande conquista. As duas Academias. As finais épicas de Libertadores – que perdemos, é verdade – num tempo que jogar contra argentinos e uruguaios não era para chuteiras amarelas nem cabelos descoloridos. Naquele tempo ainda lembro eu e meu avô sofrendo com o roubo da arbitragem. Mas ainda assim algumas derrotas podem demonstrar grandeza.

Veio a década de 70, a máquina de jogar futebol de Oswaldo Brandão, o bi campeonato brasileiro, o campeonato paulista de 1974, quando naquela época o regional era uma obsessão. Tinha outro peso.

Ano sim ano não o Palmeiras era campeão. Você viveu isso? As crianças palmeirenses perguntavam aos mais velhos: por que não vamos comemorar nas ruas esse título? Porque ganhávamos sempre.

Até que entramos nos anos de chumbo, pós 1976. Fase que muitos amigos lembram como a era em que “fomos forjados na desgraça”. Palmeirenses crianças e adolescentes entre 1976 e 1993 sabem do que estamos falando.

Mas isso fortaleceu e lapidou o caráter do palmeirense. Somos o que somos hoje também por conta desses infortúnios. A Era Parmalat nos tirou disso e foi nosso segundo renascimento. Sem o drama e emoção de 1942, mas foi um renascimento para recuperar uma grandeza quase perdida em mais de 15 anos. De 1992 a 2001 ganhamos títulos e chegamos todos os anos a alguma final. Impressionante marca. Tivemos ídolos, que até hoje duram, casos de Marcos e Evair.

De 2002 para cá vivemos de altos e baixos. Dois títulos de Copa do Brasil – 2012 e 2014 – e um Paulista. Muito pouco prá toda essa história.

Mas sabemos que se esses 102 anos definiram como somos hoje, o futuro definirá o que seremos.

E o futuro começa agora. Que o Palmeiras e as pessoas que têm alguma influência no seu caminho – desde o seu comando até seus torcedores, os verdadeiros “proprietários” desta paixão – tenham bom senso, iluminação, e menos apego a mesquinharias e personalismo. As pessoas – todas elas – passam. Mas a instituição que é maior que tudo isso, fica. Os 102 anos estão aí para provar isso. Somos nada perante essa história que foi construída e a que virá.

Que o Palmeiras encontre seu caminho, com quem quer que seja em seu comando, mas que seja inserido no contexto mundial da gestão esportiva, ambição e grandeza. Que o nosso futuro seja mais brilhantes que o nosso passado. Afinal essa centenária instituição e principalmente sua torcida, merecem.

Parabéns Palmeiras! 102 anos de lutas e glórias!!!