Opinião: por que choram?

Terça-feira, 4 de abril, 25% do ano de 2017 já foi embora, Palmeiras reconhecido como o melhor elenco do Brasil, time em primeiro no grupo da Libertadores, praticamente nas semi-finais do Paulistão, ídolos jogando, contas em dia, maior receita entre os clubes brasileiros, Allianz Parque bombando, Justin Bieber vestindo nossa camisa no meio do show, clube relativamente pacificado, Presidente com sua diretoria quase montada, tá tudo certo, certo?

Pra alguns não.

Há um grito indignado nas redes sociais daqueles poucos que perderam os cargos de diretores – em sua imensa maioria ligados à gestão do ex-Presidente Paulo Nobre – que surpreende até o mais desatento torcedor para esses temas chatos de política palestrina. Digo poucos em comparação com a enorme massa de torcedores palmeirenses pelo mundo.

Mas por que surpreende tamanha gritaria?

Porque em tese, a ex-gestão clama que dentre outros benefícios na sua performance, trouxe uma profissionalização ao clube. Eu tenho enormes críticas a essa tal profissionalização onde ninguém pode assinar nada, só presidente e diretor nomeado, mas enfim, há executivos lá no Palmeiras trabalhando. E quem participou da gestão dos últimos dois anos clama que dentre outras coisas profissionalizou o clube. Analistas, supervisores, gerentes. Então qual a importância que esses que perderam a carteirinha dão tanto ao cargo de diretor estatutário da SEP?

Noto que alguns carregam isso no seu próprio Linkedin ou mesmo em seu perfil no Facebook. Ou carregavam. Então pode haver um tema ligado ao ego de cada um. Natural na maioria dos seres humanos. Outros diriam que é por causa dos acessos a camarotes, vestiários, academia e ingressos, sempre muito sedutor para certas pessoas. Isso pareceria pouco republicano, então me recuso a acreditar que o motivo seja tão mesquinho.

Ah não é isso. É porque essa diretoria foi predominantemente indicada pelo ex-Presidente Mustafá Contursi. Ué, mas não foi assim nos três últimos mandatos? De Tirone a Paulo Nobre? Agora Mustafá é ruim? Antes era “player”?

Só que não!

O problema que vejo é que o Palmeiras pode hoje ter todas as coisas boas que cito no primeiro parágrafo desse post – e tem mesmo – mas ainda não mudou um tema fundamental: é extremamente político em suas entranhas. Por melhor que o clube esteja ou pareça estar, há sempre uma ala descontente, geralmente aquela que perdeu o poder. E isso incomoda. E torna o ambiente político mais denso. E assim gera todo o risco de que qualquer sucesso não seja perene. Até porque, para o Presidente ter mais tranquilidade (ou menos ruído) precisa também trazer pra perto de si (leia: nomear aliados) pessoas que dão sustentabilidade política. Então justificam-se nomeações políticas às vezes em detrimento de indicações técnicas. E é claro que isso também tem seus efeitos colaterais.

Então o que fazer?

Implementar uma governança de verdade, que deixe os profissionais trabalharem. Desconcentrar o poder. Despolitizar a gestão, de uma forma estatutariamente válida e sustentável do ponto de vista administrativo tanto pro clube quanto pro futebol.

O Palmeiras será cada vez melhor e mais perene em seu ciclo virtuoso que está NESSE MOMENTO passando na medida que existir menos políticos nos cargos estratégicos e mais profissionais com metas, processos e regras de conduta. E que sejam (bem) remunerados para isso, desde que atinjam as metas.

Pra isso ainda falta a última milha. A mudança necessária. Só que ninguém está ainda olhando pra ela. Ou apenas poucos olham.

Saudações Alviverdes!