Opinião: que a Conmebol seja razoável

O fim de semana prolongado sem futebol pro palmeirense serviu para assentar as preocupações e começar a ver o cenário com menos emoção e de forma mais pragmática.

Preocupações com a briga de Montevideo que rendeu preventivamente uma suspensão de três jogos para Felipe Melo e outros três jogadores do Peñarol, além da denúncia da entidade de Palmeiras e Peñarol como responsáveis pelos incidentes.

Nem vamos gastar digitação desnecessária aqui. Sabemos o que aconteceu e como aconteceu.

A diretoria palmeirense espera uma batalha jurídica. Na mídia estamos lendo que vídeos e imagens serão usados na defesa. Nesta terça-feira, os presidentes do Santos e Flamengo irão juntos com o Presidente Mauricio Galiotte para o Paraguai para ter uma reunião com dirigentes da Conmebol. Espera-se que cobrem que o Peñarol seja exemplarmente punido além de exigir que a Conmebol não tolere esse tipo de selvageria – comum na Libertadores do século passado mas que não combina com o futebol do século XXI.

Nos bastidores a Diretoria afirma que está preparada para a batalha. Na redação do 3VV, a turma reconhece que se o julgamento for razoável, Felipe Melo tomará 2 jogos de suspensão e voltará nas oitavas de final. Sem penalidade para o Palmeiras.

Mas podemos esperar que a Conmebol seja razoável?

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E se?

A Libertadores virou obsessão há algum tempo. Não apenas para o palmeirense, mas para qualquer time sul-americano. O primeiro pela grana: o campeão embolsa R$ 25 milhões. Depois, porque o campeão disputa o Mundial no final do ano com os vencedores das outras Copas continentais, seja no Japão, seja em terras árabes.

Mas vale aqui uma reflexão: os clubes brasileiros hoje possuem um orçamento muito acima dos seus competidores continentais. Esses mesmos clubes brasileiros vão disputar partidas em campos que parecem a Rua Javari – com todo o respeito à Javari -, em altitudes inadequadas para o futebol e para o atleta, e ainda correndo risco de apanhar do time adversário, torcedores, jornalistas, seguranças, etc, em tocaias como essa que armaram (remember o gás pimenta na partida Boca x River pela Libertadores em 2016 ou 2015).

E se a grana é boa, ela é nada comparada com a Champions League. A Conmebol distribui R$ 175 milhões em prêmio para todos os clubes (25 para o Campeão). A Champions League premia 1,3 bilhão de euros para todos os times, R$ 4,5 bilhões. Só pro campeão, são 200 milhões de reais.

Refletiu? Ok, agora a provocação: os dirigentes brasileiros – presidentes dos clubes e dirigentes da CBF – não deveriam cobrar da Dona Conmebol mais seriedade nisso? Árbitros mais preparados? Tolerância zero para o ocorrido em Montevideo. Parece que é isso que vão fazer nessa terça-feira.

Mas alguém na Redação sugeriu que deveriam também começar a pensar nos “parceiros” mexicanos e norte americanos. Uma Liga entre Brasil, México, Estados Unidos, Canadá (e quem mais estiver cansado desse futebol das cavernas) poderia ganhar a relevância e gerar a grana que compensaria inclusive por alguns anos não ir para Dubai ou Japão. Bem organizado, essa liga não geraria mais do que os R$ 175 milhões que a Conmebol gera?

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Ok ok…. por enquanto vamos apenas torcer pra Conmebol ser razoável nesse julgamento.