Balanço Brasileiro 2017 R19: de protagonista a coadjuvante

Nem o mais pessimista dos palmeirenses esperava: após 19 rodadas do Brasileirão 2017 o Palmeiras passou de favorito a um mero espectador do atropelo do principal rival do futebol brasileiro.

Agora estamos aqui: temos ainda a Libertadores (partida decisiva na 4a feira) e sem dúvida se o time for campeão da Libertadores tudo o mais será esquecido. Mas nesse momento o Brasileiro 2017 passou a ser apenas uma disputa pelo G4.

OS NÚMEROS DO PALMEIRAS

Se comparado o Palmeiras do 1o turno de 2016 x o 1o turno de 2017, é pior, mas não tanto.
Senão vejamos:

Campanha SEP 1o turno de 2016:
19 jogos
11 vitórias
3 empates
5 derrotas
35 gols pró
20 gols contra
36 pontos
1o lugar

Campanha SEP 1o turno de 2017:
19 jogos
10 vitórias
2 empates
7 derrotas
28 gols pró
20 gols contra
32 pontos
4o lugar

Menos gols pró (efeito Jesus? Borja?), uma vitória a menos e duas derrotas a mais. Desempenho da defesa igual.
Mas o desempenho que deixou a desejar foi dentro de casa.

Jogos como mandante em 2016:
10 jogos
8 vitórias
1 empate
1 derrota
22 gols pró
6 gols contra
83% aproveitamento dos pontos disputados

Jogos como mandante em 2017:
9 jogos
6 vitórias
1 empate
2 derrotas
15 gols pró
6 gols contra
70% de desempenho

A torcida por seu lado compareceu. E bem! Melhorou o público médio no Brasileiro. Mas baixou a renda média por conta de um ticket médio mais baixo. Isso em valores absolutos, sem considerar a inflação. Em outras palavras o público cresceu (apesar da Libertadores e Brasileiro, que consumiram parte do caixa disponível pelo torcedor) e o preço baixou.

2016 (19 jogos, nos dois turnos):
Público médio: 32.682 pagantes
Renda média: R$ 2.227 mil
Ticket médio: R$ 68,14

2017 (9 jogos):
Público médio: 33.065 pagantes (+1,17%)
Renda média: R$ 2.024 mil
Ticket médio: R$ 61,21 (-10%)

OS ADVERSÁRIOS

O campeonato está mais disputado ou mais fácil?
Difícil dizer. O rival da Marginal s/ número sem dúvida surpreendeu mais que os outros. Seu time tem um estilo de jogo (mérito para o treinador) que reconhece as limitações e joga no erro do adversário. A defesa é firme (melhor do campeonato, sofreu apenas 9 gols. A segunda melhor defesa sofreu 13 gols (Santos). O líder do campeonato tem o segundo melhor ataque (32 gols) ficando abaixo apenas do Grêmio (35 gols).

Outra constatação: os dois primeiros do Brasileiro 2017 têm desempenho que os colocaria como líderes do Brasileiro 2016 (Corinthians com 47 pontos e Grêmio com 39).

Outra constatação desta vez negativa para o Palmeiras: os 32 pontos no primeiro turno de 2017 colocaria o Palmeiras brigando com o Grêmio em 2016 pela 6a colocação (ano passado os gaúchos estavam com os mesmos 32 pontos em 6o lugar mas com 9 vitórias).

Outros indicadores

Os mandantes venceram 44% (83 partidas) e os visitantes 31% (59). 1×0 é o placar mais comum (25 de 189 jogos, ou 30%).

Daronco foi o árbitro que mais apitou: 10 partidas. Wagner Reway apitou 9 e depois Raphael Claus, Rafael Traci, Wagner do Nascimento Magalhaes e Marcelo de Lima Henrique apitaram 8 partidas cada um.

Em 189 jogos (lembrem-se que falta a partida Fluminense versus Ponte), foram distribuídos 826 cartões (4,4 por partida). O árbitro que mais aplica cartões é Wagner Reway que distribuiu 48 cartões amarelos e 6 vermelhos.

E vento que bate cá, bate lá: Atlético MG e Flamengo eram também favoritos. E os dois já trocaram seus técnicos e já deram adeus ao título.

A BOLA NÃO ENTRA – NEM SAI – POR ACASO… MAS NO FUTEBOL TUDO É POSSÍVEL

Mas da mesma forma que a bola não entra por acaso, ela também não vai fora por mero capricho da natureza. A campanha “ruim” no 1o turno – o adjetivo aqui está relativizado, óbvio, em função dos grandes investimentos feitos e de muito cocorocó na mídia – apresentou 10 vitórias e 7 derrotas. Com apenas dois empates.

Os motivos? Escolha aí:

– Um início de temporada com o treinador errado;
– o retorno do treinador vencedor ano passado mas que não estava alinhado ao elenco montado;
– um conjunto de contratações equivocadas e feitas durante o primeiro semestre comprometendo qualquer planejamento;
– uma priorização da Libertadores, levada à enésima potência, como se fosse o único título importante do ano; perda de pontos para times mal colocados por conta dessa priorização (Chapecoense, São Paulo, Coritiba, e o próprio Atlético PR)

Quem imaginaria? Até que Cuca conseguiu dar uma sequência boa de partidas antes da R19. Era animadora. Mas bastou colocar muitos reservas contra o Atlético Paranaense para o Palmeirense cair na realidade. Agora, 15 pontos atrás do líder significa que eles têm 5 rodadas de vantagem sobre nós em 19 ainda restantes.

Isso nos leva à triste conclusão que o Brasileiro passa a ser agora apenas para buscar o G4 e garantir a Libertadores ano que vem (caso dê errado a priorização prévia). Saímos da condição de protagonistas para coadjuvantes.

Mas… mas… no futebol nada é impossível.