A Reforma Estatutária

Na próxima 3a feira, dia 31, vai pra votação em reunião extraordinária do Conselho Deliberativo da SEP proposta para alteração do Estatuto da Sociedade Esportiva Palmeiras.

A proposta a ser votada é resultado de mais de quatro anos de trabalho de comissões e conselheiros que foram designados para esse fim nos idos de 2013. Naquela data o ex-Presidente Paulo Nobre havia assumido seu primeiro mandato e prometeu em campanha que faria a reforma estatutária. Na época formou-se uma comissão de 23 conselheiros (salvo engano era esse o número), onde a notória maioria pertencia à base de apoio do então Presidente.

No início de 2017, com uma nova gestão na Diretoria Executiva e um novo Presidente do Conselho Deliberativo (CD), uma nova comissão foi formada, desta vez com 8 indicados do próprio CD, do Conselho de Orientação e Fiscalização e da Diretoria Executiva. A ideia era tentar juntar o trabalho da comissão anterior e dar andamento aos temas convergentes, e definir os próximos passos sobre os temas divergentes.

Mais de 48 meses e muitas reuniões depois, 16 propostas que alteram 39 dispositivos do atual estatuto vão para votação. Nenhuma delas muda radicalmente o modelo vigente e funcionam apenas para ajustar temas como prazo para aprovar balanço ou mesmo para o sócio poder votar. Melhora a governança mas não traz mudanças profundas. Propões reduzir o número de candidatos a vice-presidência e abre possibilidade de se eleger candidatos a vice de chapas diferentes daquela do presidente. E outras mudanças periféricas.

Um dos assuntos que veio para a mídia de forma pouco clara foi o assunto da profissionalização e dos vitalícios. No primeiro caso, alguns tentam distorcer dizendo que há um esforço do ex-presidente Mustafá Contursi em reduzir a profissionalização proposta. Não há nada nesse projeto “convergente” que fala sobre isso. Mesmo a “profissionalização” que existe atualmente no Palmeiras não difere daquela de 10 anos atrás. Talvez apenas no número de profissionais. Mas uma década atrás o Palmeiras já tinha estrutura de marketing, financeira, e de gestão do futebol profissionais. Como agora. E tanto 10 anos atrás, como 100 anos atrás, quanto agora, depende integralmente do presidente eleito para assinar a compra de uma caneta ou do Lucas Lima (se é que esse jogador vem mesmo). Logo, sobre profissionalização, tanto no estatuto quanto no sentido prático, pouca coisa evoluiu nos últimos anos.

Sobre vitalícios, nenhuma linha. Deveria haver? Talvez sim, talvez não. Mas a pergunta na nossa visão é: pra quê?

Um projeto verdadeiramente disruptivo e que colocaria o Palmeiras e seu estatuto alinhado aos principais clubes do mundo, e no século 21, não foi discutido nem proposto, seja por essa seja pela outra comissão. Nesse cenário, aquilo que já se defendeu nesse espaço – a separação do clube social versus o futebol, o que daria uma gestão eficiente para as duas entidades – transformaria o assunto “vitalícios” em algo secundário. Alguns conselheiros que atuaram nessa proposta concordam que a reforma poderia ser algo mais ousado, mas na SEP as coisas devem ser evolutivas e não disruptivas.
E que essa abordagem menos disruptiva e mais evolutiva é consenso em todas as correntes, e não culpa de apenas um personagem, como muitos gostam de atribuir para tirar o peso da responsabilidade de suas costas.

Logo é isso aí. As mudanças que serão discutidas para o estatuto não são transformadoras. Melhoram alguns pontos, é verdade. Mas não mudam nada substancial. E não há um único culpado nisso.

Após a aprovação na 3a feira o 3VV dará detalhes das mudanças que forem possíveis de serem divulgadas.

Saudações Alviverdes!