Coluna do Tostão na Folha: na veia

O leitor do 3VV “Luix” nos indicou nos comentários do pós jogo Palmeiras 2×2 Bahia um trecho da coluna do Tostão, na Folha de São Paulo, na última 4a feira.

Com a devida venia reproduzimos a coluna abaixo. Tostão entende de bola.
Mas o melhor trecho foi no início:

“(…)a enorme expectativa, criada no início da competição, sobre Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras foi uma ilusão, um engano. Os clubes contrataram jogadores medianos e bons e os anunciaram como ótimos e craques. O torcedor, consumidor, foi enganado. Parte da imprensa, por hábito de repetição, desconhecimento ou para aumentar a audiência, contribuiu para esse engano.”

Matou a pau!

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Enganos e auto enganos
Fonte: Folha de São Paulo, 11/10/2017(precisa ser cadastrado ou assinante para ler na íntegra

O futebol, como é frequente em todas as áreas, está repleto de notícias falsas, que são tratadas como verdadeiras, de análises equivocadas, de fofocas e de autoenganos. Um treinador faz uma substituição errada, o time melhora e vence, por inúmeros outros motivos, e ele é exaltado. As estatísticas costumam iludir, ainda mais quando a amostragem é pequena.

Os excessivamente racionais acham que tudo o que acontece em um jogo foi planejado, ensaiado. Nem sempre é assim, mesmo em outras áreas, como na economia, como mostrou o ganhador do Prêmio Nobel, o americano Richard Thaler, por seus trabalhos sobre a importância da psicologia nas condutas econômicas. Somos todos irracionais.

Outro engano frequente é o de rotular, por toda a vida, alguns atletas, políticos e profissionais de outras áreas de rebeldes, revolucionários, comprometidos com o progresso social, e tantos outros adjetivos, por causa de alguns gestos e discursos, mesmo quando a trajetória de suas carreiras não corresponda ao rótulo que receberam.

Nesta quarta, recomeça o Brasileiro. A enorme expectativa, criada no início da competição, sobre Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras foi uma ilusão, um engano. Os clubes contrataram jogadores medianos e bons e os anunciaram como ótimos e craques. O torcedor, consumidor, foi enganado. Parte da imprensa, por hábito de repetição, desconhecimento ou para aumentar a audiência, contribuiu para esse engano.

O Atlético-MG contratou jogadores famosos (Robinho, Fred e outro), como se jogassem ainda como nos melhores momentos. Valdívia, que começou muito bem a carreira, não avançou, por ter muito mais habilidade que técnica. Não existe um grande jogador sem uma grande técnica. O mesmo ocorre com Cazares. Há também vários jogadores medianos no badalado elenco do Atlético-MG.

O Flamengo de Rueda é muito parecido com o Flamengo de Zé Ricardo. Os dois gostam de ter um centroavante fixo, dois pontas abertos e um meia pelo centro. Todos longe um do outro, sem se aproximarem para trocar passes. O isolamento leva à queda técnica e à apatia, pois os jogadores ficam separados, técnica, física e emocionalmente.

O Palmeiras, em um mesmo jogo, usa a marcação individual e a marcação por pressão. São situações bem diferentes. A confusa marcação individual, com o jogador correndo atrás do adversário, sem respeitar os setores, foi abandonada há muito tempo, em todo o mundo, menos no Palmeiras. A marcação por pressão, utilizada pelos grandes times – o Palmeiras é o único brasileiro que faz isso bem -, é feita em todo o campo, principalmente no do adversário, para tentar recuperar a bola perto do gol.

Usar os dois tipos de marcação em um mesmo jogo é mais uma contradição e uma esquisitice de Cuca.

COPA DO MUNDO

A Alemanha venceu todos os jogos das eliminatórias, mesmo testando jogadores em todas as partidas. Por outro lado, enfrentou seleções mais fracas que a maioria dos adversários do Brasil, nas eliminatórias sul-americanas.

Penso que Tite deveria usar mais reservas nos próximos amistosos, pois todos podem ser titulares na Copa, por variados motivos. Isso não atrapalha a estrutura tática, pois seriam trocados uns dois jogadores a cada partida. Ainda não sei quem são os reservas de Paulinho e de Renato Augusto, quando o técnico tiver de substituí-los, sem mudar o sistema tático.

19 Comments Added

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  1. Fábio 13/10/2017 | Responder

    Bom texto do Tostão, que quando fala do que sabe é lúcido (mas, quando se mete a falar de outras coisas, a opinião dele é tão importante quanto a de qualquer mané). Cuca estava perdido e sem objetivos. Como já bem falaram aqui, o time estava jogando na base da pelada. Desejo sorte ao Valentim, porque se ele for bem a gente se livra do Mano (que é um técnico ultrapassado, ou alguém aqui acha que o Cruzeiro está jogando o fino? Ganhou a CB na base do bumba-meu-boi também, mais ou menos como a gente ganhou em 2012, guardadas as devidas proporções).

  2. Ivan da Mooca 13/10/2017 | Responder

    Desta lista de técnicos oferecidos, nenhum deles fará o Palmeiras Campeão. Temos que trazer o Fernando Diniz e aproveitar esse 11 jogos para entrar em 2018 voando baixo, aliás veja como se deram bem o Tite e o Carile, adotaram a escola do Fernando Diniz.

  3. Gustavo Aroni 13/10/2017 | Responder

    Cansamos de dizer isso aqui, que o torcedor foi enganado, e não só pela imprensa, mas pela diretoria também. É a tal “lavagem cerebral”, “cortina de fumaça” que tanto falamos. Mas tem que vir um Tostão escrever, para os “Decacaptos” prestarem a atenção.

  4. Reynaldo Zanon 13/10/2017 | Responder

    A turma do “fora Cuca” pode festejar. Notícias dizem que Mano Menezes será o técnico para o ano que vem. É melhor?

    • Gustavo Aroni 13/10/2017 | Responder

      Não, tão ultrapassado quanto o C.uca. Mas não é porque achava que o C.uca deveria sair, como saiu, que quero que venha o Mano. Eu iria de Valentim até o fim do ano.

      • E será o Valentim pelos próximos 11 jogos. Chance pra mostrar o que sabe (ou não), mas mesmo sabendo que muito jogador sem condições de atuar pelo Palmeiras vai ter chances, duvido que fique pior. E o pessoal precisa parar com essa história de “tira o Cuca e traz o Candinho de volta, então” como se só tivéssemos essas alternativas ou como se o agora ex-treinador fosse intocável. Temos enfim uma oportunidade de começar um ano melhor do que terminamos o anterior, algo que nao acontece pelo menos desde 2008, resta saber se vamos aproveitá-la.

  5. Thiago Souza 13/10/2017 | Responder

    Apesar de ser o maior corneta do Cuca por aqui, acho que ter começado o trabalho no meio do ano, naquela turbulência, prejudicou sim. No fim das contas, uma pré-temporada, com estadual de laboratório, ajuda a sedimentar o estilo de jogo.

    Acho que a lição que deveria ficar não é se Cuca é bom, se Eduardo Batista é melhor ou pior, se com o Mano as coisas melhoram, etc. O importante é pensar a médio/longo prazo, dar tempo para as coisas evoluírem. Eduardo Batista não era nem de longe o técnico dos sonhos, mas no afã de querer melhorar as coisas na marra e na pressa o Palmeiras só se afundou mais. Estar na semi da Libertadores hoje com aquele time do Bap era perfeitamente plausível.

    É só ver como a maioria dos times que troca de técnico não evolui. Flamengo, Coritiba, Atlético Pr., Vitória, São Paulo…todos estão mais ou menos como estavam. O Santos talvez seja o único contra exemplo desse ano.

    Enfim, que o torcedor palmeirense tenha a cabeça no lugar. Esse lance de ter dinheiro sobrando subiu à cabeça da torcida, vamos maneirar na pressão e ter um pouco mais de calma. Senão ano que vem vai ser a mesma coisa.

    • Parabéns pela lucidez. Concordo com a maior parte do que você escreveu. Para as coisas começarem a caminhar bem em 2018 acredito que a primeira providência é encarar um título mundial como a conclusão de um projeto a longo prazo, construído com trabalho bem feito, e não essa obsessão doentia e inadiável só porque temos dinheiro. Se isso não mudar, o fracasso vai se repetir independentemente de nomes.

  6. Philipe Frois 13/10/2017 | Responder

    Pra alegria de uns e tristeza de outros, Cuca já foi, já era. Agora é com Alberto Valentim até o final do ano! Se for bem ( e na minha opção só se vencer todas até o final do brasileiro) deverá ser efetivado ano que vem, caso contrário, muito provavelmente Mano Menezes assume em Janeiro.

  7. Tiago 13/10/2017 | Responder

    Cuca fora do palmeiras…
    vai tarde?
    quem ver, mano?
    xiii, 2018 cheirando a perdido…

    • Paraíba 13/10/2017 | Responder

      Excelente texto do Tostão, não tem nenhum craque no Palmeiras, jogadores fracos tecnicamente, 2018 vai ter trocar até o treinador.
      Cadê o Keno? O Cuca não o colocou contra o santos e ontem diante do jahia .
      Emas compensação o Geyverson. ..

  8. Paraíba 13/10/2017 | Responder

    Folha de SP que nos anos 80 ignorava o Palmeiras, não escrevia uma linha a respeito do alviverde. Todos sabem que esse jornal tem simpatia pelos bambis.

  9. mario luiz 13/10/2017 | Responder

    Impressionante como um ex jogador consegue ter mais visão e compreensão do futebol do que a maioria dos “executivos” dos clubes. E aqui entre nós, esse esquema da marcação individual do Cuca é realmente uma esquisitice mesmo, a impressão que fica e que se trata de um jogo de pelada, onde todos correm atrás da bola.

    • Quem vê dez minutos de qualquer jogo do Palmeiras ultimamente tem exatamente essa impressão: pelada, e das mais desorganizadas.

  10. Luix 13/10/2017 | Responder

    👏👏👏👍👍👍 🤗

    Tostão sabe ler nas entrelinhas e enxergar além das imagens que muitos, por desconhecimento ou má fé, insistem em mostrar.

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