Síndrome de Estocolmo

Síndrome de Estocolmo ou síndroma de Estocolomo (Stockholmssyndromet em sueco) é o nome normalmente dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor. (fonte: Wikipedia)

Não sabemos se é isso que passa no Palmeiras em relação ao treinador Cuca, mas que lembra essa situação, ah isso lembra.

Olhando em retrospectiva: Cuca chegou ao Palmeiras após a demissão de Marcelo Oliveira em 2016. Estreou em 17 de março contra o Nacional do Uruguai e perdeu quatro partidas seguidas. Foi eliminado na Libertadores e foi vice-campeão semi-finalista no Paulista. Mas falou grosso antes de iniciar o Brasileiro e prometeu o título. Levantou a bola do elenco. Ao final do primeiro turno do Brasileirão 2016 assumiu a liderança e seguiu até o fim, quando foi campeão. O Palmeiras tinha Jesus e Moisés como destaques. Mas outros protagonistas. Tchê Tchê, Mina, Jean, Róger Guedes e Jailsão da Massa. O time era forte, marcava no campo adversário e invariavelmente fazia seu primeiro gol antes dos 15 minutos do 1o tempo.

Em 2016 o treinador disputou 53 partidas pelo Palmeiras e ganhou 64% dos pontos disputados.

No final do ano saiu porque queria um período sabático pra viver com a família. Foi aquele drama. Sem Cuca, para onde iríamos? Quem iria nos liderar no importantíssimo ano de 2017? Veio Eduardo.

Cuca voltou depois que Eduardo Baptista sucumbiu. EB disputou 23 partidas e ganhou 67% dos pontos disputados. Mas a torcida não achava que era treinador pro Palmeiras, seja pela sua pouca experiência, principalmente para lidar com um elenco de estrelas (era mesmo?), seja por conta do seu pai (essa justificativa seria ridícula, mas assim é).

Cuca voltou. Disputou até a derrota de domingo sábado passado contra o Santos 33 partidas em 2017. Ganhou 55% dos pontos disputados. Perdeu 11 jogos, 4 destes no Allianz. Barrou Felipe Melo, não aproveita as principais contratações do Palmeiras no ano – Guerra, Borja, Bruno Henrique, o próprio Felipe – mas insiste com Deyverson, jogador contratado por sua indicação por 5 milhões de euros, com 26 anos e que assinou contrato de 5 anos com o Palmeiras. Deyverson merece um capítulo a parte. Teve destaque no Mangaratibense, que disputou a série C do campeonato carioca entre 2011 e 2012 e fez 18 gols em 31 jogos. Depois foi para o Benfica (em 2012) e fez no ano 8 gols em 29 jogos. A partir daí jogou no Belenense, Koln, Levante e Alavés. Quatro equipes em 5 temporadas. No Alavés, na temporada 2016-2017 fez 7 gols em 37 jogos. No Palmeiras fez 3 desde que chegou. Mas sua maior virtude – de acordo com aqueles que convivem com o treinador – é sua capacidade de marcação e força de vontade (?!).

Mas voltemos ao treinador. Cuca pela segunda vez esse ano veio numa coletiva de imprensa dizer que não sabe se continuará no Palmeiras em 2018. Pois é…

Ninguém duvida do mérito e competência de Cuca. Ano passado nessa época do ano já era considerado uma dos melhores treinadores brasileiros. Hoje já não é unanimidade. Cuca é um estudioso. Mas é um dos poucos treinadores no Brasil (talvez no mundo) que joga ainda no sistema de marcação individual. Por isso jogadores como Felipe Melo não terão lugar no seu time (sem falar nos problemas de temperamento, claro). Além disso gosta de atacante que marca. Ponto negativo para Borja (que convenhamos também fez pouco por merecer um lugar no time titular). Barrios sentiu na pele e hoje o Grêmio de Renato Gaúcho achou uma forma de aproveitar bem o atacante. Idem na mesma data para Jô, Henrique Dourado e outros “caneludos” atacantes de área. Menos para o nosso treinador.

Mas isso é problema dele e de quem treina a equipe. Somos torcedores, e ele é pago pra treinar e fazer o time campeão, principalmente com o elenco que tem nas mãos.

Mas parece que está na hora do treinador palmeirense mostrar que tem o desejo de ser campeão no Palmeiras e fazer mais história. Tem que mostrar aquela vontade de estar e permanecer. E não está certo a cada derrota vir com essa conversinha que não sabe se estará em 2018. É ruim pro clube, pro elenco e pra torcida.

Mas se não vai continuar em 2018, se está cheio de dúvidas, talvez o melhor fosse sair agora. Outro treinador chegaria e montaria seu elenco para a temporada do ano que vem (já que esse ano foi pro beleléu). E a decisão não é só do Sr. Stival. É também da Diretoria (leia-se, Presidente).

O pior cenário é ficar com o treinador até o final do ano e em dezembro (com ou sem classificação pra Libertadores) ser obrigado a procurar um novo treinador e montar um novo elenco. Aí correremos o risco de comprometer 2018. Se é que já não estamos nesse risco.

Saudações Alviverdes!