Quando perder e vencer não são bons ensinamentos

Por Vicente Criscio

Ganhar e perder no futebol é parte do processo. Além do caráter didático pra mente é muito bom pra alma. Mesmo quando perdemos. Aprendemos a lidar com as frustrações. E quando fazemos um bom diagnóstico nos ajuda a nos prepararmos melhor pro próximo desafio.
Infelizmente pro futebol brasileiro ontem perdeu-se uma enorme oportunidade de um bom aprendizado.
O time do Palmeiras perdeu – se é que perdeu mesmo – o título brasileiro de 2017 porque contratou mal, porque se planejou mal (duas trocas de treinadores no ano) e porque priorizou Libertadores em detrimento do Brasileiro. Ponto.
E apesar de todos os erros ainds tinha chances de crescer e buscar a liderança. E nessa hora foi prejudicado violentamente pela arbitragem em dois jogos: Héber Roberto Lopes não validou um gol contra o Cruzeiro que mudaria a história do jogo. E a arbitragem de Anderson Daronco e do seu bandeira influenciaram diretamente no resultado da partida. Quando validaram um gol em completo impedimento. E quando rasgaram a regra e não expulsaram Gabriel. Isso porque o ético Jô deveria ter tomado cartão amarelo contra a Ponte Preta e não jogado neste domingo pela suspensão que iria sofrer.
Contra esse tipo de violência não há aprendizado positivo. Pro vencedor fica a impressão que o “crime compensa”. E dão risada. Pro perdedor fica a sensação que precisaria usar das mesmas armas. Péssimo sentimento.
Mas o que mais surpreende no dia de hoje é que a imprensa de maneira geral ignora todos os fatos. Atitude bem diferente que teve nos raros momentos em que o Corinthians foi prejudicado.
Então nessa 2ª feira nublada e feia como o futebol brasileiro fico pensando no banco de trás de um 99 uma explicação pra sermos tão apaixonados por um esporte que movimenta bilhões mas continua à mercê de vigarices de toda ordem. Das arbitragens que na hora certa sempre erram a favor dos mesmos e contra os mais bobinhos. Dos tribunais esportivos que há tempos olham a cor da camisa e das tranças pra absolver ou punir. E da imprensa. Que na verdade joga o jogo da conveniência e da audiência.
Essa é a mesma imprensa que fingiu que os estádios para a Copa estavam sendo construídos de forma lícita. E hoje parece envergonhada quando é quase obrigada a falar do escândalo do estádio que abrigou a partida de ontem. A mesma imprensa que fingiu que tudo corria dentro dos conformes no Maracanã, no Mané Garrincha ou nas Olimpíadas. E hoje mostra indignada delações e esquemas envolvendo o governador preso. A mesma imprensa que tratou o zagueiro Rodrigo Caio como símbolo da ética e foi buscar – vejam vocês – a opinião do atacante Jô no programa Bem Amigos. Mas não tem coragem de expor o mesmo atacante pelo gol de mão, pelo chute sem bola no jogador pontepretano. Jogo limpo (era esse o mote?) clamava o apresentador Ivan Moré. Cadê essa conversinha agora?
Alguns nessa hora dizem que 7×1 foi pouco. Não faço torcida contra a seleção brasileira. Mas quem sabe alguns outros 7×1 não façam emergir uma outra elite de jornalistas que seja menos hipócrita e mais imparcial. Quem sabe não surja uma elite de dirigentes menos viciada e que enxergue o futebol como algo a ser tratado de forma séria. Afinal são alguns bilhões de reais que patrocinadores enfiam no futebol. Pra quê? Pra tudo ser decidido por um bandeira míope ou medroso? Por um árbitro que não quer desafiar o status quo?
E quanto aos dirigentes do Palmeiras está na hora de exigir nos bastidores o respeito que nossa camisa centenária, vitoriosa e representada por mais de 16 milhões de brasileiro merece. Aqui ninguém quer ser ajudado. Basta não sermos prejudicados. E isso se faz ANTES dos “acidentes previsíveis”.
Enfim, hoje e amanhã e a semana toda a imprensa vai enaltecer a raça, o mosaico, o virtual campeão. Para alguns a sensação que vale tudo pra ser campeão. Pra outros a sensação de impotência.
Enquanto isso algum garoto brasileiro nesse momento está comprando a camiseta do Real Madrid. E será um ponto a menos na audiência do derby de daqui a alguns anos.
Segue o jogo.